POLÍTICA
Governo toma decisão irregular. E perigosa.
PUBLICADO
1 ano atrásem
rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)
Lula decidiu nomear Pietro Mendes para o comando da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
É irregular. Uma agência reguladora deve ser independente de qualquer um que atue no mercado que ela regula, mas Mendes é secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia do governo Lula. O conflito de interesses é óbvio e incontornável.
Mendes já vive um conflito de interesses hoje: além de secretário, ele é presidente do conselho de administração da Petrobras — cargo que deve deixar, pois seria mesmo escandaloso demais ele estar cuidando dos interesses do governo no setor de óleo e gás, produzindo óleo e gás na Petrobras e ainda estar na ANP regulando o que a Petrobras pode ou não fazer.
Mas ele estar no governo e na agência, não é um escândalo (ainda que menor)? Claro que é. E não é proibido? Claro que é. Mas dane-se. Funciona assim: o governo nomeia e depois atua politicamente no Senado (para aprovar) e no Supremo (para ficar por isso mesmo ou para ir empurrando com a barriga, o que dá na mesma).
E como Mendes vai navegar esse conflito? Como tem navegado até agora. Mal. Na Petrobras, por exemplo, ele estava no centro da controvérsia que levou à queda de Jean Paul Prates, e por sua atuação chegou a ser afastado do cargo pela Justiça Federal (o governo recorreu, e, espantosamente, reverteu).
Com essa nomeação, o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira, que já era excessivamente poderoso, se torna uma espécie de superministro: manda em seu ministério e tem enorme influência não só na maior empresa do setor, como na maneira como o setor é regulado.
Governo se metendo na gestão de agências reguladoras e de empresas estatais — para fazer o que é bom para o governo e não necessariamente o que é bom para o consumidor ou para as empresas — é filme que a gente já viu.
Viu no petrolão, por exemplo.
Não acaba bem.
(Por Ricardo Rangel em 18/10/2024)
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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8 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.


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