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Grafiteiro faz arte com mais de 2 metros para homenagear Nego Bau, conhecido morador de rua que morreu no início do ano em Rio Branco

Homenagear e também chamar atenção para a situação de moradores de rua, foi assim que o grafiteiro Matias Souza fez mais uma intervenção artística, ao pintar a imagem de Renan Almeida de Souza, o Nego Bau, em uma parte do muro da Escola Glória Peres em Rio Branco, nesse final de semana.

A pintura tem pouco mais de dois metros e foi feita durante o evento ‘Acre Graffiti: Cores do Futuro – Sem Recuar, Sem Cair, Sem Temer’, que é organizado pela equipe TRZ Crew Graffiti e Arte. Com um sorriso largo e ar angelical, foi assim que Bau foi retratado pelo artista, que usou como inspiração uma das fotos mais famosas do homenageado.

“O objetivo foi homenagear o Nego Bau, que foi um personagem muito querido pela população, e chamar a atenção para a problemática das pessoas em situação de rua que, acabam sendo ‘invisíveis’ para a sociedade”, disse.

O artista responsável pelo trabalho é conhecido na cidade por suas intervenções, uma das artes tem 23 metros de altura e nove metros de largura, feita no Pronto-Socorro de Rio Branco, para homenagear os servidores da saúde, feita durante o período de pandemia de Covid-19.

Nego Bau também era um dos personagem conhecido na capital acreana. Ele tinha transtornos psiquiátricos e era viciado em drogas. Ele ficou conhecido porque vivia perambulando pelas ruas da capital. Ele morreu no dia 15 de janeiro deste ano.

Além da imagem de Bau, o muro foi pintado com vários graffitis de vários artistas. A ação começou na sexta-feira (17) e encerrou nesse domingo (19).

Artista tem como objetivo alertar sobre pessoas em situação de rua — Foto: Arquivo pessoal

Artista tem como objetivo alertar sobre pessoas em situação de rua — Foto: Arquivo pessoal

‘Tocar as pessoas’

Souza diz que os trabalhos que faz sempre são com um propósito, para tentar de alguma forma tocar as pessoas e, por isso, decidiu fazer a homenagem.

“Sempre procuro fazer meus trabalhos com muito propósito e penso em como isso vai impactar as pessoas que vão ver. Acho que a arte serve justamente pra isso: provocar a reflexão, gerar dúvidas, fazer com que a gente reveja algumas atitudes”, explicou.

O artista reforça que assim como Bau, muitos ainda circulam pelas ruas da capital e que eles não podem ser esquecidos.

“Vi algumas pessoas também questionando sobre o porquê dessa homenagem após a morte dele? Mas, entendo que existem muitos ‘Negos Baus’ por aí, e eles não podem ser esquecidos como ele foi em vida. A gente precisa olhar para as pessoas com mais amor, e eu espero que, através do meu trabalho, possa contribuir de alguma forma com esses questionamentos”, concluiu.

Bau deu entrada no PS no dia 30 de dezembro do ano passado com um dedo amputado. Ele então, passou a usar um dreno no pulmão devido à uma perfuração no órgão, também estava com o quadro de tuberculose e tinha fraturas nas costelas. Antes de ser internado, ele foi achado ferido em via pública.

Ele chegou a fugir duas vezes da unidade de saúde, foi intubado e aguardava uma vaga em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas morreu no momento em que era transferido para a unidade de cuidados avançados ao sofrer uma parada cardíaca.

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