NOSSAS REDES

ACRE

Irá a UE aliviar as sanções à Síria? Por dentro do dilema do bloco | Notícias da Guerra da Síria

PUBLICADO

em

Os principais diplomatas da União Europeia estão programados para se reunirem em 27 de janeiro para discutir a flexibilização das sanções à Síria para reanimar a economia em dificuldades do país, em meio a questões sobre a direção política que a nova administração do país devastado pela guerra poderá tomar.

Quando os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE se reunirem, as sanções específicas que irão considerar envolvem restrições de viagens, exportações sírias de petróleo e gás e acesso a infra-estruturas e assistência humanitária, além da remoção gradual de restrições às transacções financeiras, duas fontes diplomáticas europeias com conhecimento da discussão em curso em Bruxelas disse à Al Jazeera.

No início de Janeiro, os Estados Unidos aliviaram algumas restrições durante seis meses para facilitar o fluxo de ajuda humanitária, algumas vendas de energia e remessas pessoais para a Síria.

A UE está a ponderar a sua própria ação. Nas últimas semanas, uma enxurrada de funcionários da UE apareceu em Damasco para mostrar apoio ao novo governo interino liderado por membros do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), o grupo rebelde que derrubou Bashar al-Assad. A ONU impôs sanções ao grupo em 2014 devido aos seus laços com a Al-Qaeda. E em 2018, os EUA e a UE designaram a HTS como uma organização “terrorista”.

Mas mesmo ao contactarem Ahmed al-Sharaa, o líder interino da Síria, os líderes da UE emitiram avisos: querem que a nova liderança síria forme um governo inclusivo que respeite os direitos humanos e as minorias.

O bloco de 27 membros está cauteloso quanto à direção que al-Sharaa poderá tomar. “Não parece que tenham havido indicações incontestáveis ​​de que tudo mudou”, disse um dos dois diplomatas, referindo-se ao fraco historial do HTS em matéria de direitos humanos. Em 2020, a UE condenou a “prática sistemática” do HTS de torturar e assassinar civis que vivem em áreas sob o seu controlo e disse que as ações do grupo podem constituir crimes de guerra ou crimes contra a humanidade.

O pior cenário seria remover as sanções e depois testemunhar a nova administração impor restrições aos direitos das mulheres ou das minorias, acrescentou o diplomata.

Al-Sharaa juntou-se à Al-Qaeda no Iraque em 2003 e mais tarde estabeleceu a filial do grupo armado na Síria, conhecida como Jabhat al-Nusra. Cortou laços com a Al-Qaeda e juntou-se a outras facções para rebatizar-se como HTS em 2017. Antes da ofensiva relâmpago que pôs fim ao regime de al-Assad em Dezembro, o grupo controlava a região de Idlib, no noroeste do país, onde se estimava que ter até 30.000 lutadores.

O líder sírio repudiou repetidamente o extremismo. Ele também procurou apresentar uma imagem moderada, prometendo inaugurar um governo inclusivo. Convencer as potências ocidentais a levantar as sanções é fundamental para o sucesso do novo governo, uma vez que a euforia inicial que se seguiu à queda de al-Assad poderá abrir caminho à frustração e à violência se o alívio económico não chegar suficientemente rápido, dizem os especialistas.

Estima-se que 90% da população síria viva na pobreza. O produto interno bruto (PIB) do país ascende actualmente a menos de 9 mil milhões de dólares, em comparação com os 60 mil milhões de dólares em 2010. A maioria das áreas recebe apenas duas a três horas por dia de electricidade fornecida pelo Estado. A nova administração carece de recursos para enfrentar tarefas assustadoras – desde pagar funcionários públicos e reconstruir cidades inteiras reduzidas a escombros até estabelecer um roteiro para as eleições e garantir o aquecimento durante o Inverno.

“É fácil falhar no teste – há muitas razões para as coisas correrem mal”, disse Sultan Barakat, professor de políticas públicas na Universidade Hamad Bin Khalifa, no Qatar.

Barakat argumentou que as sanções que prejudicam directamente a capacidade de reconstrução do país – tais como as que afectam a diáspora para investir no sector produtivo e aqueles que viajam – devem ser removidas imediatamente e sem quaisquer restrições. A UE poderia discutir as restrições impostas aos indivíduos ou ao STH numa fase posterior.

“Só podemos julgar pelo que eles (a administração liderada por al-Sharaa) dizem e o que dizem está bem – agora eles (os governos ocidentais) podem ajudar a materializar o que dizem em acção ou podem suspeitar e criar obstáculos para eles, ” ele disse.

Depois da Rússia e do Irão, a Síria é o terceiro país do mundo com o maior número de sanções. Na década de 1970, os EUA acrescentaram o país à lista de estados que patrocinam o “terrorismo” durante a ocupação do leste do Líbano. Várias outras ondas de restrições – tanto dos EUA como da UE – foram impostas nas décadas seguintes, incluindo o apoio de al-Assad ao Hezbollah e a sua repressão brutal aos protestos pró-democracia em 2011, que foi seguida por mais de 13 anos de guerra. .

Entre as sanções mais debilitantes está a Lei César imposta pelos EUA em 2019, que proibiu efectivamente estados e empresas privadas de fazerem negócios com o governo de al-Assad. A UE impôs sanções às exportações e importações, aos projetos de infraestruturas e ao apoio financeiro ao comércio.

Sem eliminar totalmente as restrições ao sector da energia e às transacções financeiras – para além das remessas pessoais – a derrogação dos EUA e a proposta da UE de sanções sectoriais poderão revelar-se inadequadas para que a nova administração garanta a estabilidade e atraia investidores privados, disse Samir Aita, um economista sírio. e presidente do Círculo de Economistas Árabes, com sede na França.

“Você precisa acelerar o processo”, disse Aita. “Se não houver funcionamento do Estado sírio e das suas instituições e apenas as ONG puderem agir, acabarão por substituir o Estado”, disse ele. Com o banco central ainda sob sanções, o país corre o risco de se transformar numa “economia monetária”, o que poderá traduzir-se em fluxos descontrolados de dinheiro que chegam a diferentes grupos e milícias, “e isso significa caos”, acrescentou.

A Europa ver-se-ia directamente afectada por tal desestabilização. “A UE tem estado na linha de fogo direta do conflito sírio em termos de migração, terrorismo e instabilidade mais ampla, por isso há um interesse claro em ver uma Síria estabilizada avançando”, Julien Barnes-Dacey, diretor para o Médio Oriente programa no Conselho Europeu de Relações Exteriores.

Mais de um milhão de sírios procuraram refúgio na Europa desde o início da guerra. E com os sentimentos anti-migrantes a aumentar em todo o bloco, alguns governos europeus que se comprometem a criar as condições económicas para os refugiados regressarem a casa poderão revelar-se um golpe eleitoral benéfico.

Mas o envolvimento político não foi acompanhado por qualquer passo material significativo para apoiar a transição até agora, disse Barnes-Dacey. “Existe um risco real de que, se esperarem demasiado tempo, a deterioração das condições prejudique as perspectivas da transição que desejam ver concretizada”, acrescentou.



Leia Mais: Aljazeera

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

PUBLICADO

em

Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

Skip to PDF content

Continue lendo

MAIS LIDAS