NOSSAS REDES

CRIME

Justiça decreta prisão preventiva do Policial Penal que matou o picolezeiro com tiros nas costas

PUBLICADO

em

A Justiça converteu para preventiva a prisão em flagrante do policial penal Alessandro Rosas Lopes, que foi indiciado por homicídio doloso pela morte do picolezeiro Gilcimar da Silva Honorato, de 38 anos, no último sábado (12), no Conjunto Esperança, em Rio Branco.

Honorato foi atingido com dois tiros pelas costas disparados pelo policial penal durante uma discussão nas proximidades de um bar. Ele e o policial discutiram e entraram em luta corporal durante a confusão.

O servidor público, ao ser preso, disse que agiu em legítima defesa, após ter sido atingido por uma facada no ombro dada pela vítima. Já a polícia afirma que tem um vídeo que confirma que o policial penal cometeu um homicídio doloso – quando há intenção de matar.

O policial passou pela audiência de custódia nesse domingo (13) e segue preso na Delegacia de Flagrantes de Rio Branco.

Ao G1, o advogado do policial, Alfredo Jares Daou, informou que prefere não se pronunciar sobre o caso para não prejudicar o andamento do processo. “De regra, não faço pronunciamento em qualquer momento do processo, porque acredito que a exposição não traz nenhum benefício para quem está sendo acusado.”

O advogado Alcides Pessoa, que acompanhou o policial na delegacia no dia da prisão, chegou a dizer que a defesa iria trabalhar para manter a tese da legítima defesa, que foi desqualificada pelo delegado.

“A defesa vai tentar trabalhar para manter a legítima defesa, ele foi esfaqueado, desviou. Se não desvia, teria pegado no rosto ou pescoço dele e poderia ter ido a óbito. Então, foi uma reação espontânea e até profissional. Até porque ele é um agente de segurança pública. A defesa vai trabalhar e vamos pegar tudo o que for preciso para dar um julgamento justo”, acrescentou.

Conforme o exame de corpo delito feito no policial, o perito constatou um ferimento de arma branca no ombro, o que classificou como “lesão de natureza leve”. Além de escoriações no ombro, mão e tornozelo.

Tentou apartar briga

A família do vendedor de picolé disse que ele nunca esteve envolvido em brigas e que no momento em que ele foi morto tentava defender uma pessoa que estava sendo agredida pelo policial penal Alessandro Rosas Lopes.

“Sei que ele estava vendendo picolé, passou pelo bar e esse agente estava bebendo, quando ele passou pelo local, teve um deles que chamou meu menino para comprar picolé. Ele fez a volta e vendeu o picolé e tinha essa briga dentro do bar, esse homem da polícia batendo no outro e, como ele conhecia todo mundo lá, foi tentar interromper a briga”, contou a mãe de Honorato, Lucinda Severo.

O advogado Alcides Pessoa confirmou essa versão de que houve a discussão com uma terceira pessoa.

“Ele [Alessandro] comentou que teve a discussão e que não era com o Gilcimar, foi com um terceiro. Não falou o nome. Aí parece que o picolezeiro se meteu e houve a briga, teve empurrões e lá ele bateu no cara [Gilcimar], que puxou a faca e esfaqueia, tentando acertar ele [Alessandro] na face, que desvia e acerta no ombro. Nesse momento, ele corre para o carro, e contou que o Gilcimar correu atrás dele, só que quando viu que tinha pegado a arma, correu e ele atirou. Essa foi a informação que ele repassou”, contou.

Mãe pede por Justiça

Abalada, a mãe disse que passou mal quando recebeu a notícia. Ela pede justiça pela morte do filho. Lucinda contou que o vendedor deixou um filho e lamentou, porque ele é quem a ajudava.

“Quero justiça. Porque do jeito que ele fez com o meu filho, pode fazer com qualquer outro, e até mesmo com uma mulher. Nunca vi um policial bêbado, no bar a noite toda com uma arma de fogo. Ele já vem com intenção de fazer o mal a qualquer um próximo. Eu tinha dois homens e duas mulheres e fiquei com um homem só. Ele quem me ajudava em tudo, fazia o dinheirinho dele e mandava para mim. Perdi meu filho. Não sei o que eu faço”, chorou.

Outros crimes

O G1 teve acesso ao processo e, conforme a certidão de antecedentes criminais do policial, ele tem ao menos seis ações na Vara de Proteção à Mulher com relação a crimes de ameaça, difamação e violência doméstica contra mulher.

A primeira ação é de agosto de 2010 de uma mulher pedindo medidas protetivas de urgência, após denunciar que foi vítima de ameaça. Segundo o documento, naquela data, a mulher teria sido agredida verbalmente, além de ser ameaçada de morte pelo policial.

No mês de setembro daquele mesmo ano, um outro inquérito policial foi instaurado após denúncia de difamação contra o policial.

Passados quatro anos, a mesma mulher que fez a denúncia em 2010 pelo crime de ameaça, voltou a pedir medida protetiva contra o servidor público, em junho de 2014. Em abril de 2017, a Vara de Proteção à Mulher recebeu uma nova ação, dessa vez por violência doméstica contra a mesma vítima.

Em janeiro de 2018, a mesma mulher registrou mais uma denúncia também de violência doméstica. A última ação movida por essa vítima foi em fevereiro de 2020, tratando novamente de violência doméstica. Sobre esse último caso, a denúncia foi oferecida em março deste ano e recebida pela Justiça ainda em março.Indiciado

O policial penal foi indiciado por homicídio doloso pela morte de Honorato. Segundo a Polícia Civil, Lopes alegou legítima defesa quando foi preso pela Polícia Militar, mas, imagens de câmeras de segurança de uma casa próxima mostraram que ele correu atrás do picolezeiro e atirou nas costas da vítima. O advogado disse que a defesa ainda não teve acesso ao vídeo e nem aos depoimentos prestados na delegacia.

Após os disparos, Lopes saiu do local em seu carro, mas a população anotou a placa do veículo e repassou para a PM. Ele foi encontrado horas depois em casa e levado para a delegacia.

O picolezeiro ainda chegou a ser socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), levado ao pronto-socorro, mas morreu após ter uma parada cardiorespiratória.

À Rede Amazônica Acre, o delegado plantonista da Defla que atendeu o caso, Adriano Araújo, disse que o policial penal permaneceu calado durante o depoimento. Contudo, ele usou o relato que o servidor público tinha dado à PM no momento em que foi preso em casa.

“Alegou uma possível legitima defesa, afirmando que o picolezeiro entrou em perseguição com ele e, no momento em que conseguiu pegar a arma no veículo, desferiu disparos para parar uma injusta agressão. Porém, as imagens mostram o contrário, mostram que o picolezeiro deu uma facada que atingiu o ombro do Alessandro e após isso ele se afasta e sai correndo do ambiente. Nessa oportunidade, o Alessandro vai até o carro dele, pega a arma de fogo, sai em perseguição e atira pelas costas do Gilcimar, que veio a óbito”, afirmou.

O delegado acrescentou ainda que a polícia apreendeu a faca utilizada pelo picolezeiro e o revólver do servidor público. “Está sendo autuado por homicídio doloso por conta das imagens captadas de uma casa vizinha de onde aconteceram os fatos e por diligências que fizemos no IML, que comprovam que os dois disparos que desferiu atingiram as costas do Gilcimar”, finalizou.

Iapen acompanha o caso

O Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) informou que também acompanha, juntamente com a Corregedoria do órgão, o caso. A direção argumentou ainda que vai tomar as medidas administrativas cabíveis, mas que, por enquanto, a situação está a cargo da Polícia Civil e do Poder Judiciário.

Uma nota, assinada pelo presidente da Associação dos Servidores do Sistema Penitenciário do Acre (Asspen), Eden Azevedo, afirma que o policial penal agiu em legítima defesa, após ter sido atingido pela vítima com um golpe de faca no ombro.

“É importante salientar, que o policial penal só sacou a sua arma após ser ferido por um golpe de faca, desferido pelo Sr. Gilcimar, na direção de seu pescoço, ferindo o ombro do agente de segurança pública”, destacou.

A associação acrescentou também que acompanha o caso e acredita que a Polícia Civil vai elucidar os fatos.

CRIME

Tarauacá: após espancamento, idoso de 80 anos participa de audiência na Justiça

PUBLICADO

em

A agressão a um idoso de 80 anos na zona rural de Tarauacá, no Acre, causou indignação entre os moradores da região. A vítima é FRANCISCO WALTER CAETANO DA FROTA. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, que já ouviu o suspeito do ataque. O idoso sofreu um corte profundo na cabeça e várias lesões nos braços, mas, segundo informações, recebeu atendimento médico e está com o estado de saúde estável.

A Polícia Civil informou que as investigações estão em andamento e, por isso, detalhes do caso não podem ser divulgados no momento. O objetivo é evitar que a apuração dos fatos seja prejudicada, enquanto novos desdobramentos são esperados nas próximas horas para esclarecer as motivações do crime.

O episódio gerou revolta na comunidade, que exige respostas e justiça para o idoso. A violência contra pessoas da terceira idade, especialmente em áreas mais isoladas, é motivo de preocupação, e o caso reforça o apelo por mais segurança e proteção para os grupos mais vulneráveis.

As autoridades locais garantem empenho na investigação para que os responsáveis sejam responsabilizados. A população de Tarauacá aguarda o desfecho do caso com expectativa de justiça.

Mesmo com fortes dores e graves lesões corporais, a vítima ainda participou de audiência no Juizado Especial Cível de Tarauacá, referente ao Processo nº. 0001195-37.2024.8.01.0014, onde é reclamante (processo público).

.

Continue lendo

CRIME

Homem é morto a tiros em frente a borracharia em Rio Branco

PUBLICADO

em

Capa: Morte ocorreu em uma borracharia em frente à Fundhacre, em Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal.

Um homem foi morto a tiros em frente a uma borracharia na BR-364, em Rio Branco, em frente a Fundação Hospitalar (Fundhacre), por volta das 11h20 desta quarta-feira (30).

Conforme apurado pela Rede Amazônica Acre, trata-se de Júlio Cesar Moreira Lima, ainda sem idade divulgada.

De acordo como Centro de Operações Policiais Militares (Copom), dois homens em uma motocicleta pararam na frente do estabelecimento, e um deles alvejou a vítima.

A Polícia Militar foi acionada e isolou o local. O Instituto Médico Legal (IML) e equipes de perícia também foram acionados.

Crime ocorreu na manhã desta quarta-feira (30) — Foto: Reprodução/Google Street View

Crime ocorreu na manhã desta quarta-feira (30) — Foto: Reprodução/Google Street View

 

Continue lendo

CRIME

Jovem de 18 anos esfaqueada pelo ex vai passar por cirurgia no AC: ‘minha filha não merecia isso’, diz mãe

PUBLICADO

em

De acordo com a família, o estado de saúde da jovem é estável, mas uma das facadas perfurou o pulmão dela e vai ser preciso uma operação em Cruzeiro do Sul. Mãe de Adriely Araújo Silva disse que testemunhas relataram a ela que o suspeito, ex da jovem, estava com ciúmes dela.

Capa: Adriely Araújo Silva, de 18 anos, levou 15 facadas do ex-namorado — Foto: Arquivo pessoal.

A jovem Adriely Araújo Silva, de 18 anos, que foi esfaqueada 15 vezes pelo ex-namorado dentro de um comércio em Tarauacá, no interior do Acre, na manhã dessa terça-feira (30), vai precisar passar por uma cirurgia pois um dos golpes perfurou um pulmão.

O estado de saúde da jovem é estável, e ela aguarda o procedimento no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul.

A mãe de Adriely, que pediu para não ser identificada, disse que não estava no local quando a filha foi atacada, mas que testemunhas relataram a ela que o suspeito, Vandernilson Rosas da Silva, de 25 anos, ex-namorado da vítima, agiu motivado por ciúmes.

De acordo com a mãe, eles não estavam mais juntos, mas dividem os cuidados com o filho deles, de 4 anos. Nessa terça, Silva pediu à irmã dele para que ligasse para Adriely e pedisse que ela levasse a criança à casa dele.

Ela atendeu o pedido e foi levar a criança. Nesse momento, o suspeito começou a questioná-la.

“Quando ela chegou lá, ele começou a falar várias perguntas pra ela. Que tinham dito pra ele que ela estava ficando com outro, e pedindo pra ela voltar pra ele. Ela dizia que não queria mais ele, porque já estava com tantos meses separados e não dava mais certo. Aí ele começou a dizer que ela estava ficando com outro, que tinham dito pra ele. E aí ela disse que não, que não ficava com ninguém, não saia nem de casa. E aí ele disse: ‘eu vou te matar, sua desgraçada, porque se tu não for minha não é mais de ninguém’. […] Então, o que ele fez foi muito errado com a minha filha, a minha filha não merecia isso”, relatou.

 

Adriely foi vítima de tentativa de feminicídio no interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal

Adriely foi vítima de tentativa de feminicídio no interior do Acre — Foto: Arquivo pessoal

Agora, segundo a mãe da jovem, a família espera por justiça. Nesta quarta-feira (30), o suspeito ainda é procurado pela polícia. Ela espera que Silva seja encontrado e pague pelo crime que quase tirou a vida da jovem.

“Eu quero justiça, eu quero que a justiça seja feita, porque eu quero que ele pague por isso. Porque a minha filha é tudo na minha vida, o que seria de mim se ela tivesse morrido? Eu amo a minha filha, eu quero justiça. Ela foi socorrida, então, rapidamente, trazida aqui para o Próximo Socorro de Cruzeiro do Sul, em um avião, em uma UTI. A polícia já está à procura dele, né, e já andaram por vários cantos atrás dele, já espalharam fotos dele nas redes sociais. E eu creio que em breve ele vai ser preso. Ele vai pagar por tudo isso que ele fez lá dentro da cadeia, porque é isso que ele merece”, acrescentou.

Vítima lutou com suspeito

A filha do comerciante, que também não quis se identificar, disse que o pai ficou sem reação ao ver o homem esfaqueando a vítima no local. Ainda de acordo com o relato do homem, a jovem lutou muito para sobreviver ao ataque.

“Ela lutou com ele. O pai disse que se ela tivesse sido ‘mais mole’, ele teria matado ela. Ela lutou com ele mesmo, ela se defendia do jeito que podia das facadas. Meu pai disse que nunca tinha visto uma coisa daquela. Foi muito triste, ela pedindo socorro, e meu pai só podia pedir pra ele não matar ela. Era a única coisa que ele podia fazer, porque ele não ia se agarrar com ele”, explica ela.

Ao g1, a polícia disse que foi notificada do crime através de um grupo de mensagens por celular. Conforme o boletim de ocorrência, os policiais decidiram ir ao local informado e ao chegarem, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), tinha acabado de sair do local com a vítima que estava em estado crítico.

Os agentes foram informados pela equipe médica que a vítima estava na sala de emergência passando por cirurgia. Adriely sofreu perfurações nas costas, braços e pescoço e o suspeito teria tentado decapitá-la.

Os investigadores em conversa com a irmã do suspeito, receberam a informação de que ele possivelmente teria ido à casa de outra irmã que mora no bairro Ipepaconha, após pular no rio.

Os policiais procuraram Silva no local apontado pela irmã, porém não conseguiram encontrá-lo. O delegado Ronério Silva, responsável pela delegacia do município afirmou que a busca pelo homem continua na tentativa de prendê-lo ainda nesta terça (29), em flagrante.

Já a jovem deve ser encaminhada ao Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. A administração confirmou a ida de Adriely, porém não soube precisar a hora que ela deve chegar.

CANAIS DE AJUDA PARA CASOS DE VIOLÊNCIA

A PM do Acre disponibiliza os seguintes números para que a mulher peça ajuda:

  • (68) 99609-3901
  • (68) 99611-3224
  • (68) 99610-4372
  • (68) 99614-2935

Veja outras formas de denunciar:

  • Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
  • Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
  • Qualquer delegacia de polícia;
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
  • WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008;
  • Ministério Público;
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras) (https://atendelibras.mdh.gov.br/acesso)

 

Colaborou o vídeorrepórter Mazinho Rogério, da Rede Amazônica Acre.

Continue lendo

MAIS LIDAS