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Livros em 2024 se renovam contra hemorragia de leitores – 20/12/2024 – Ilustrada
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Walter Porto
Veio como um baque surdo para todo mundo. A pesquisa Retratos da Leitura, à beira do final do ano, sacramentou algo que já era sentido por quem trabalha com livros —o Brasil tem cada vez menos gente que lê.
Foi uma queda de quase 7 milhões de pessoas em cinco anos entre as que responderam ter lido algum livro nos últimos três meses. Como disse na ocasião José Castilho Marques Neto, referência nacional em política de leitura, é uma diminuição em ritmo hemorrágico, que assusta à primeira vista. Mas não foi algo que aconteceu de um dia para o outro.
Representa, na verdade, o acumulado de reveses que incluem a fissura cada vez maior dos brasileiros por telas de celulares, a derrocada de grandes livrarias e governos que, na visão do setor, transitaram entre o desmonte e a paralisia de políticas de fomento à leitura desde o governo de Michel Temer, do MDB.
Em setembro, veio à tona por esta Folha a informação de que os editais de compras de obras didáticas e paradidáticas pelo governo Lula, do PT, que se elegeu prometendo “trocar armas por livros”, estavam anos atrasados e prejudicavam não só estudantes como as contas das editoras.
Por outro lado, foi este governo também que deu o relevante passo, na Bienal do Livro de São Paulo, de assinar o decreto que regulamenta a lei do Plano Nacional do Livro e da Leitura, estagnado havia seis anos. Os avanços começam, ao menos, a engatinhar.
É relevante sublinhar que a somatória de crises não é nova —recente é a mobilização em uníssono do mercado editorial para avançar medidas políticas que enxergam como soluções, caso deste plano federal com potencial de impulsionar ações para formação de leitores.
Outra defesa que tomou a linha de frente esse ano foi a da Lei Cortez, que avançou no Senado propondo limitar descontos a novos livros no primeiro ano após seu lançamento —o setor diz que a medida vai sanitizar todo o ambiente de negócios ao barrar práticas que veem como predatórias de conglomerados como a Amazon.
Se as cifras do mercado no primeiro semestre se anunciavam pouco promissoras, indicando queda nas compras, o final do ano se segurou bem e o resultado deve se aproximar dos números do ano passado.
Ironicamente, a salvação da lavoura veio em parte das grandes feiras literárias, que viram suas vendas crescerem atraindo leitores com promoções. É o caso da Feira da Universidade de São Paulo, a mais tradicional entre as universitárias com descontos massivos, e a própria Bienal do Livro, que tem ofertas mais módicas e teve a maior edição de toda a década.
Isso decorre de mudanças que se notam nos hábitos de leitura. Se hoje é mais difícil topar com livrarias pela rua do que antes da pandemia, grandes eventos viraram uma oportunidade rara de parcela da população ter contato com o livro, numa reacomodação que a indústria do livro estuda com atenção hoje.
Como incutir hábitos de leitura e fomentar ambientes como livrarias diante de um público cada vez mais enfiado no celular? Para isso, é essencial ver que boa parte do mundo, como o conhecíamos, ficou para trás.
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O ano também foi marcado pelas despedidas de alguns dos nomes que definiram o último século na literatura. O Brasil perdeu um de seus maiores quadrinistas e ilustradores, Ziraldo; um de seus mestres do conto, Dalton Trevisan; um de seus mais talentosos letristas, Antonio Cicero; e um de seus poetas mais admirados, Armando Freitas Filho.
Mas vale fazer um aparte: no mesmo ano, uma das maiores autoras brasileiras recebeu em vida suas maiores celebrações —a mineira Adélia Prado, hoje com 89 anos, foi agraciada com o Camões e o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.
Já os Estados Unidos deram adeus a Paul Auster, que reinventou a literatura do país; a Argentina velou sua maior crítica literária, Beatriz Sarlo; o Chile enterrou seu amado Antonio Skármeta; e a Albânia se despediu de seu principal autor, Ismail Kadaré.
Também perdemos duas prêmios Nobel —ainda que uma delas, a caribenha Maryse Condé, tenha recebido o prêmio alternativo em votação popular, quando o Nobel estava mergulhado em uma crise de imagem.
A outra vencedora, a canadense Alice Munro, viu sua própria imagem passar por crise após a morte, quando foi revelado que ela sabia que seu marido, Gerald Fremlin, havia abusado de sua filha e decidiu continuar ao lado dele —num dos maiores escândalos do mundo literário neste ano.
Já o Nobel de Literatura de 2024 indicou que a geopolítica do prêmio está em transformação ao premiar Han Kang, autora sul-coreana que destoa do eurocentrismo que costuma dar a letra da Academia Sueca.
É sintoma, além do talento da autora, do interesse mais intenso por literatura produzida na Ásia, por exemplo pelos “livros de cura” relaxantes que viraram febre no Brasil nos últimos anos. Também continuaram em alta tendências da literatura pop como a “romantasia” que cativa tantos jovens e a autoficção que segue prestigiando autores com prêmios.
Um dos expoentes mundiais desse estilo, o francês Édouard Louis, foi a maior estrela de uma Flip que abraçou um caráter mais popular em outubro, procurando refletir mais diretamente o que se encontra nas livrarias. Assim, apostou em brasileiros como Luiz Antonio Simas e Carla Madeira, além de estrelas premiadas como Mohamed Mbougar Sarr.
Aliás, o ano foi pródigo para a visita de grandes escritores ao Brasil, que recebeu ainda Camila Sosa Villada para eventos bafônicos na época da Feira do Livro, em São Paulo, e Bernardine Evaristo para uma Flup, no Rio de Janeiro, que privilegiou o protagonismo de mulheres negras com pés fincados em debates políticos.
Quem também foi proeminente em eventos —e conflitos— literários esse ano foi Felipe Neto, influenciador que quebrou recordes de pré-venda na Companhia das Letras com seu autobiográfico “Como Enfrentar o Ódio” e abriu um clube de leitura que cativou dezenas de milhares de pessoas, esgotando estoques dos livros selecionados.
É a prova do tamanho da mobilização de que é capaz um youtuber a quem muitos torcem violentamente o nariz, inclusive por ter sido contemplado com uma posição prestigiada na Flip. Mas quem está tenso com o declínio do número de leitores no Brasil não tem como ficar escolhendo a dedo seus aliados.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.
Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.
A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:
Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.
Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.
Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.
A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.
Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.
Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação
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Orientação sobre revalidação e reconhecimento de diplomas — Universidade Federal do Acre
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24 de fevereiro de 2026Orientações para abertura de processo administrativo e procedimentos acerca da revalidação de diploma de graduação e reconhecimento de diplomas de pósgraduação stricto sensu emitidos por instituições estrangeiras, conforme a Resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Abertura do Processo
I – Preenchimento do Formulário Padrão (conforme modelo disponibilizado);
II – Documentos pessoais exigidos:
• Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;
• Comprovante de residência;
• Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;
• Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;
III – Documentos acadêmicos exigidos:
• Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
• Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
IV – Preenchimento do Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, conforme modelo disponibilizado pelo NURCA;
V – Solicitação de abertura de processo no Protocolo Geral da UFAC, direcionado ao NURCA, com a apresentação da documentação exigida nos itens de I a IV;
Submissão da documentação na Plataforma Carolina Bori – Link: http://plataformacarolinabori.mec.gov.br
O interessado deve submeter a documentação no formato .pdf, agrupando diferentes documentos em arquivo único conforme indicado abaixo:
Arquivo 1 em .PDF:
1. Formulário Padrão preenchido (conforme modelo disponibilizado);
2. Documentos pessoais exigidos:
a) Cópia do documento de identidade para brasileiros ou naturalizados, e, se estrangeiro, cópia da identidade e do visto permanente, expedido pela Superintendência da Polícia Federal, ou passaporte com visto permanente, concedido pela autoridade competente;
b) Comprovante de residência;
c) Comprovante de quitação com o serviço militar, para brasileiros do sexo masculino;
d) Comprovante de quitação com o serviço eleitoral, para brasileiros e naturalizados;
Arquivo 2 em PDF:
1. Diploma e Histórico (Itens I e II do Artigo 10 ou Itens II e IV do artigo 33 da Resolução nº 003, de 14 de março de 2017);
Arquivo 3 em PDF:
1. Documentos acadêmicos exigidos excetuando-se os do Arquivo 2:
a) Para revalidação, conforme Art. 10, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
b) Para reconhecimento, conforme Art. 33, da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017, excetuando item III (vide Arquivo 5).
Arquivo 4 em PDF:
1.Termo de aceitação, exclusividade e autenticidade, preenchido conforme modelo disponibilizado pelo NURCA; da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Arquivo 5 em PDF:
a) Para os casos de reconhecimento: Exemplar digital da tese ou dissertação com registro de aprovação da banca examinadora e documentações complementares, conforme item III do Art. 33 da resolução CEPEX Nº 003, de 14 de março de 2017.
Fluxo do Processo
VI – Recebimento do processo pelo NURCA e encaminhamento para o Centro pertinente, que constituirá Comissão;
VII – Retorno do processo ao NURCA no prazo de 15 dias;
VIII – Sendo favorável o parecer da Comissão, será autorizada a emissão de GRU, bem como, o seu devido pagamento (R$ 1.200,00 – graduação; mestrado – R$ 1.500,00 e doutorado R$ 2.000,00), devendo ser incluída a via original ou cópia autenticada por servidor da UFAC no processo de revalidação.
a) Em caso de parecer negativo, o processo será disponibilizado para consulta, retirada de documentação e/ou ajuste quando for pertinente.
IX – Retorno do processo ao Centro para a Comissão concluir a revalidação no prazo restante dos seis meses.
Termo de Aceitação, Exclusividade e Autenticidade
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