Um alpendre em arco romano, paredes de pedra cinzenta perfuradas por janelas gradeadas, torres escuras subindo em direção a um céu carregado de nuvens, tudo com aroma alcoólico. Uma verdadeira atmosfera escocesa emana da destilaria Nikka em Yoichi. A pequena cidade japonesa fica na costa do Mar do Japão, na Península Shakotan, na ilha norte de Hokkaidō. O ar fresco e úmido, a abundância de água e as ricas colheitas de cevada e turfa tornam-no um local ideal para a produção de whisky. “A água e os ingredientes são bons na região”, aprecia Hisatsugu Saito, dono do Owl & Rooster, bar de coquetéis da cidade vizinha de Sapporo, enquanto serve um From the Barrel (blend emblemático de Nikka) de “grande riqueza e intensidade aromática”, apresentado em frasco assinado pelo famoso designer gráfico Taku Satoh.
Noventa anos após o seu nascimento, tudo está bem para a Nikka Whiskey Distilling Co., uma das duas casas históricas do whisky japonês com a Suntory, que lançou para este aniversário um blend comemorativo denominado Nikka Nine Decades. Um blend de mais de cinquenta whiskies, é objecto de uma edição limitada de 4.000 decantadores, dos quais 964 exemplares estão reservados para a Europa (2.490 euros). A garrafa, gravada à mão, apresenta-se numa caixa de madeira com a assinatura de todos os mestres da adega desde o fundador. O grupo também lançou uma nova marca, Nikka Frontier, baseada em um Yoichi fortemente turfado e enriquecido com Ben Nevis (escocês) e uísques de grãos caseiros. É vendido, apenas no mercado japonês, ao preço de 2.200 ienes, aproximadamente 13 euros.
Bebidas que devem fluir facilmente, já que a casa se estabeleceu há cerca de vinte anos e mais particularmente desde que seu Yoichi, de 10 anos, foi coroado como o Melhor dos Melhores em 2001 pelo prestigiado Revista Whisky. Destilarias japonesas “oferecer uma vasta gama de whiskies que permitem múltiplos blends e uma diversidade de sabores, sempre bem equilibrados”, explica Didier Ghorbanzadeh, especialista em bebidas espirituosas da La Maison du whisky.
O Arquipélago tem cerca de uma centena de destilarias e as exportações dos seus whiskies atingiram 56 mil milhões de ienes (340 milhões de euros) em 2022, ou catorze vezes mais do que há dez anos. Para apoiar a tendência, o governo apresentou desde 1é Abril a utilização do nome whisky japonês tem regras rígidas como a utilização de água de nascente japonesa e barris tendo passado pelo menos três anos no Arquipélago. A Asahi, controladora da Nikka desde 2001, anunciou novos investimentos para aumentar a produção. “O sabor redondo dos produtos japoneses atrai e traz de volta ao whisky. O interesse deve durar”, etime Didier Ghorbanzadeh.
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