Marcela Rahal
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou em entrevista ao Amarelas On Air que o governo federal não vai aceitar o aumento do preço das passagens aéreas, caso a fusão entre as companhias Gol e Azul se confirme. Mas Costa Filho acredita que isso se dará por meio do diálogo, o governo não tem autonomia para interferir nos valores cobrados pelas empresas.
“Nós não vamos aceitar aumento de passagens. Pelo contrário, a gente quer fazer um diálogo permanente para cada vez mais baixar o preço da passagem no Brasil. Um dado importante é que no ano passado, de 2024 em relação a 2023, nós tivemos, segundo dados da ANAC e do próprio IBGE, uma redução do preço da passagem em quase 5%”, destacou.
A união das companhias ainda depende de aprovação do Cade (Conselho de Administrativo de Defesa Econômica), órgão que analisa a compra e venda de empresas para evitar abuso de poder de mercado, e da Anac (Agência Nacional de Aviação). Ministro ressaltou que um memorando de intenções foi assinado pelas empresas ao Cade, e um dos objetivos é evitar tarifas excessivas cobradas pelas aéreas.
Caso a fusão se confirme, as duas empresas serão controladoras de 63% do mercado nacional de aviação civil, o que diminuiria ainda mais a concorrência do setor no Brasil. Mas, para o ministro, essa união pode ser até positiva. “Esse modelo de fusão vem ocorrendo no mundo, muitas companhias aéreas já fizeram fusões e ao final nós tivemos uma redução no preço das passagens. Por quê? Porque se melhora a governança das companhias aéreas, elas aumentam sua capacidade de investimentos”, disse.

O ministro ainda disse que serão investidos neste ano R$ 20 bilhões para melhorias de aeroportos, R$2,5 bi só para reformular o de Congonhas, um dos mais movimentados do país. Serão entregues cerca de 25 aeroportos reformados, enquanto no ano passado foram 30.
No setor de portos, o de Santos deve receber o maior investimento do país para dobrar a capacidade de contêineres. Ao todo, serão investidos R$15 bilhões neste ano, entre capital privado e público. As empresas de transporte marítimo alegam que perdem bilhões de reais por ano pela falta de capacidade do setor que acaba limitando o comércio exterior.
Assista a entrevista na íntegra.
