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Nova biografia renova e vira referência sobre vida do barão do Rio Branco
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7 anos atrásem
Obra faz uma síntese atual e completa síntese da vida do patrono da diplomacia brasileira.
É possível dizer algo novo sobre personagem cujo nome produz na internet mais de 15 milhões de resultados em 0,39 segundos? A biografia do barão do Rio Branco escrita por L. C. Villafañe G. Santos prova que sim.
Trata-se da mais atual e completa síntese da vida e obra do patrono da diplomacia brasileira. A partir de agora, torna-se referência incontornável para quem quiser compreender a herança do refundador da política externa do Brasil na República.
O que salta aos olhos desde as primeiras páginas é a fluência da narrativa, que surpreende e enreda o leitor. Em cena de romance, o texto se abre com o choque que mudaria a vida de Juca Paranhos: a descoberta da gravidez de Marie, sua paixão de jovem boêmio.
A história do herói avança assim, mesclando ambições pessoais, angústias familiares com o contexto político-social do Segundo Reinado, o tumultuado início da República e as epidemias que dizimavam o Rio de Janeiro.
O passado revive como elemento integral da biografia, não mero pano de fundo. A descrição da renovação urbana da capital não omite, como na maioria dos relatos, quem pagou o preço principal das demolições: os pobres, os ex-escravos, expulsos para as encostas dos morros. O dramático relato da tomada dos encouraçados da Marinha pelos marujos negros ou pardos amotinados na Revolta da Chibata põe a nu a ilusão do sonho de potência de Rio Branco e de seus contemporâneos.
Como alertou no prefácio, o autor evitou o risco da “ilusão biográfica” denunciada por Pierre Bourdieu, dos personagens exemplares, imutáveis, sempre iguais a si mesmos, imunes a influências e impactos transformadores. Nesse sentido e em vários outros, esta é a primeira biografia do Barão a enquadrar-se no rigor da historiografia do nosso tempo.
O livro é inovador não apenas na reinterpretação de documentos utilizados no passado e na incorporação de novos. Recorre de forma sugestiva e às vezes quase exaustiva à mina riquíssima dos jornais e revistas.
Explora de maneira original fontes ou episódios antes subestimados ou estudados de maneira superficial. Um exemplo é a utilização de “Dom Pedro 2º, imperador do Brasil”, assinada pelo rabino Benjamin Mossé mas na realidade de autoria de Rio Branco. Devido à duvidosa origem, essa obra de propaganda nunca mereceu atenção especial.
Luís Cláudio, responsável, anos atrás, pela edição do livro em português, compreendeu que, justamente por não levar sua assinatura, o livro havia proporcionado ao Barão liberdade de expressar seu pensamento conservador sobre temas como a monarquia, a crítica do federalismo e, sobretudo, a escravidão.
Na questão do Acre, chama a atenção a justificada importância dedicada ao exame da longa e perigosa pendência com o Peru, os riscos de conflito armado, o tratado e a aproximação com o Equador. Mais que nas biografias anteriores, sobressaem o pioneirismo de Rio Branco na valorização da diplomacia pública e o uso que fazia da imprensa.
Dentre os pontos altos da obra merecem relevo as primorosas exposições das grandes questões de limite, o equilíbrio no estudo das difíceis relações com a Argentina e a análise minuciosa da corrida armamentista com nosso principal vizinho.
Nota-se como em todos esses relatos a mão segura do pesquisador treinado, do historiador de sólida formação acadêmica, se enriquece pela trajetória profissional do autor como diplomata com experiência em postos desafiadores (no momento é nosso embaixador na Nicarágua).
Rio Branco já merecera duas biografias, a de 1945, centenário do seu nascimento, por Álvaro Lins, um dos maiores críticos literários da época; e a de 1959, de Luís Viana Filho, o principal biógrafo brasileiro de então. A primeira acentuava as realizações de Paranhos, enquanto a segunda, como o nome indicava, dava ênfase à vida do barão do Rio Branco.
Em síntese à altura desses dois clássicos, Luís Cláudio harmoniza vida e obra, proporcionando-nos a primeira biografia do Barão com olhar contemporâneo e metodologia atualizada.
Permanecerá por muito tempo como a base a partir da qual se renovarão os estudos sobre a influência de uma herança diplomática que faz parte do patrimônio de valores do povo brasileiro.

Rubens Ricupero é diplomata, ex-embaixador do Brasil em Washington (1991-1993) e Roma (1995); ex-ministro do Meio Ambiente e da Fazenda (1993-1994 e 1994, governo Itamar).
Juca Paranhos, o Barão de Rio Branco
- Preço R$ 84,90 (ebook R$ 39,90)
- Autor Luís Cláudio Villafañe G. Santos
- Editora Companhia das Letras
- Páginas 559
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Reitora recebe honraria do TJ-AC e assina acordo para evento — Universidade Federal do Acre
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3 horas atrásem
23 de fevereiro de 2026A reitora da Ufac, Guida Aquino, esteve no gabinete da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJ-AC), na sexta-feira, 20, para receber a Ordem do Mérito Judiciário acreano e assinar o acordo de cooperação técnica para realização do 57º Fórum Nacional de Juizados Especiais (Fonaje), que ocorrerá de 27 a 29 de maio no Centro de Convenções da universidade, campus-sede.
A homenagem, outorgada à reitora pelo presidente do tribunal, desembargador Laudivon Nogueira, foi aprovada pela Comissão de Honraria em 2023, por ocasião dos 60 anos do TJ-AC, sendo destinada aos dirigentes de instituições que contribuíram para edificação e fortalecimento do Judiciário acreano. “Ratifico a minha alegria, minha indicação”, disse Guida. “Nunca vou esquecer. Muito obrigada. Então, fazer parte dessa história, da universidade, do nosso Estado, me deixa emocionada.”
O acordo de cooperação técnica foi celebrado entre a Ufac, que será responsável pela cessão do espaço para o evento, o TJ-AC, o governo do Estado do Acre, a Fundação de Cultura Elias Mansour e a Prefeitura de Rio Branco. O intuito da parceria é a organização, o planejamento e a execução do 57º Fonaje.
Guida ressaltou a importância do evento, pois é a primeira vez que será realizado no Acre. Além disso, reforçou que a Ufac está pronta para sediar o Fonaje, já que costuma receber eventos de grande porte e relevância nacional.
Também compuseram o dispositivo de honra na solenidade a vice-presidente do TJ-AC, desembargadora Regina Ferrari; o decano da Corte de Justiça, desembargador Samoel Evangelista; os desembargadores Roberto Barros, Denise Bonfim, Francisco Djalma, Waldirene Cordeiro, Júnior Alberto, Élcio Mendes, Luis Camolez, Nonato Maia e Lois Arruda.
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II Semana Acadêmica de Sistemas de Informação — Universidade Federal do Acre
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14 de fevereiro de 2026Estão abertas as inscrições para o evento que vai reunir estudantes e profissionais para conectar ideias, debater o futuro da computação e fortalecer nossa rede acadêmica.
Se você quer ficar por dentro das pesquisas mais atuais da área e garantir aquela integração única com a galera, esse é o seu lugar!
Onde e Quando?
Data: De 23 a 27 de Fevereiro Local: UFAC – Teatro Universitário.
Como garantir sua vaga?
Inscreva-se agora pelo link: https://sasiufac.github.io/SASI2025/
Garanta sua vaga e venha fazer parte dessa experiência única. Nos vemos lá!
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Programa insere novos servidores no exercício de suas funções — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
12 de fevereiro de 2026A Diretoria de Desempenho e Desenvolvimento, da Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, realizou a abertura do programa Integra Ufac, voltado aos novos servidores técnico-administrativos. Durante o evento, foi feita a apresentação das pró-reitorias, com explanações sobre as atribuições e o funcionamento de cada setor da gestão universitária. O lançamento ocorreu nessa quarta-feira, 11, na sala de reuniões da Pró-Reitoria de Graduação, campus-sede.
A finalidade do programa é integrar e preparar os novos servidores técnico-administrativos para o exercício de suas funções, reforçando sua atuação na estrutura organizacional da universidade. A iniciativa está alinhada à portaria n.º 475, do Ministério da Educação, que determina a realização de formação introdutória para os ingressantes nas instituições federais de ensino.
“Receber novos servidores é um dos momentos mais importantes de estar à frente da Ufac”, disse a reitora Guida Aquino. “Esse programa é fundamental para apresentar como a universidade funciona e qual o papel de cada setor.”
A pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Oliveira da Cruz, enfatizou o compromisso coletivo com o fortalecimento institucional. “O sucesso individual de cada servidor reflete diretamente no sucesso da instituição.”
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)