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O divórcio está chegando às Filipinas? – DW – 11/10/2024

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O divórcio é ilegal para a maioria dos residentes de as Filipinasapesar de uma lei especial que dava à minoria muçulmana do país o direito de terminar legalmente o seu casamento. A maioria cristã, no entanto, continua profundamente afectada pela a Igreja Católica e as regras defendidas por o Vaticano – o único outro país do mundo que ainda proíbe o divórcio.

Contudo, em Maio deste ano, a Câmara dos Representantes das Filipinas aprovou por pouco a Lei do Divórcio Absoluto, uma proposta de lei que mudar drasticamente a posição legal do país sobre a dissolução do casamento. O projeto amplia as opções existentes, como anulação, separação judicial e incapacidade psicológica.

Se for promulgada, a lei permitirá que os casais peçam o divórcio se estiverem separados há pelo menos cinco anos e a reconciliação for considerada impossível, ou se estiverem separados judicialmente há mais de dois anos. Incorporaria também justificativas já reconhecidas em casos de anulação e separação judicial, como abandono e infidelidade.

Bispos católicos alertam contra o ‘movimento do divórcio’

Ao mesmo tempo, o projecto de lei não introduziria o divórcio sem culpa e, excepto nos casos em que o cônjuge ou filho esteja em perigo, exigiria um período de reflexão de 60 dias para dar aos casais uma última oportunidade de reconciliação.

Close da mão de um homem colocando um anel no dedo de sua nova esposa durante uma cerimônia de casamento em massa em Manila
Os líderes locais da Igreja Católica criticaram os esforços para facilitar o divórcio nas FilipinasImagem: Ezra Acayan/Getty Images

“Os legisladores devem reconhecer que esta é uma política civil que não interfere nas crenças pessoais ou na dinâmica familiar”, disse à DW o ativista AJ Alfafara, da Coalizão do Divórcio das Filipinas.

“Em vez disso, proporciona uma opção vital para muitos filipinos que vivem separados há anos, mas não têm reconhecimento legal do seu estatuto”, acrescentou.

O próximo passo, no entanto, cabe ao Senado, a câmara alta do parlamento, que analisa o projeto desde junho. A Conferência dos Bispos Católicos das Filipinas (CBCP) pediu cautela, alertando sobre os perigos de “entrar no movimento do divórcio”, em julho.

Desafios para os filipinos que buscam o divórcio

Actualmente, os filipinos que procuram pôr fim aos seus casamentos têm opções limitadas. A separação judicial permite que os cônjuges vivam separados, mas não dissolve o casamento, enquanto a anulação é muitas vezes proibitivamente dispendiosa e exige prova de que o casamento era inválido desde o início. Estas opções permanecem fora do alcance de muitos filipinos, deixando-os presos em relacionamentos disfuncionais ou muitas vezes perigosos.

Há também pressão social a favor do casamento entre a maioria cristã do país, que compreende quase 88% da população.

Fiéis filipinos dão um toque local às tradições católicas

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O apoio ao divórcio, contudo, parece estar a crescer. Uma pesquisa de março realizada pelas Estações Meteorológicas Sociais descobriu que 50% dos adultos filipinos são a favor da legalização do divórcio, enquanto 31% se opõem a ela. Outra pesquisa, realizada com meios de comunicação baseados na igreja, revelou que apenas 34% dos entrevistados apoiavam o divórcio devido a “diferenças irreconciliáveis”, mas mais de metade aprovava o divórcio em casos de violência doméstica.

Divórcio no exterior agora válido nas Filipinas

Os defensores do projeto de lei concentraram-se em grande parte em como ele poderia oferecer às mulheres uma fuga legal de relacionamentos abusivos.

Alguns ativistas argumentam que o impulso para a legalização do divórcio ganhou força no mês passado, quando o Supremo Tribunal das Filipinas decidiu que o país deve reconhecer as sentenças de divórcio estrangeiras. A decisão aplica-se aos casos em que um filipino é casado com um estrangeiro e o divórcio é obtido no estrangeiro.

“O Tribunal considerou que o tipo de divórcio, seja administrativo ou judicial, não importava. Desde que o divórcio seja válido ao abrigo da lei nacional do cônjuge estrangeiro, será reconhecido nas Filipinas para o cônjuge filipino”, disseram os juízes em sua decisão.

O Senado agirá?

As opiniões estão divididas sobre se a decisão da Suprema Corte terá impacto na decisão do Senado sobre o projeto de lei do divórcio. Jeofrey Abalos, demógrafo da Universidade Nacional Australiana, acredita que a decisão terá “pouco efeito”, uma vez que apenas cerca de 1% dos casamentos registados nas Filipinas envolvem um cidadão estrangeiro.

“A situação deste pequeno segmento de filipinos que obtiveram o divórcio no estrangeiro é muito diferente das circunstâncias de muitos filipinos que procuram terminar legalmente o seu casamento, por isso esta decisão pode não ter repercussão total”, disse Abalos à DW.

Por outro lado, Alfafara argumenta que a decisão abre caminho para uma compreensão mais ampla da dissolução conjugal.

“A ausência do direito ao divórcio viola os direitos humanos básicos, tal como descritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”, disse ela.

O projeto agora depende da decisão do Senado. Uma medida semelhante foi rejeitada em 2018, e a actual composição do Senado inclui muitos senadores católicos ou cristãos conservadores que se opuseram publicamente à ideia do divórcio.

Senadores querem mudar redação do projeto

Alguns legisladores propuseram soluções alternativas para suavizar a linguagem do projeto de lei e ultrapassá-lo.

O influente senador Jinggoy Estrada sugeriu melhorar o processo de anulação em vez de legalizar o divórcio. “Devíamos procurar formas de tornar as anulações de casamento mais acessíveis e os seus processos menos onerosos”, disse Estrada num comunicado, segundo a Al Jazeera.

O significado do casamento

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No mês passado, o presidente do Senado, Francis Escudero, ofereceu uma perspectiva diferente, propondo que os legisladores “removiam a palavra ‘divórcio’” do projeto. “Já temos divórcio no nosso país, só que não se chama divórcio. Chama-se nulidade do casamento”, disse Escudero aos jornalistas no final de Setembro.

Ficando sem tempo

O destino da lei do divórcio permanece incerto, especialmente com as eleições intercalares que se aproximam em Maio próximo, quando todos os 317 assentos na Câmara dos Representantes e metade dos 24 assentos no Senado serão disputados. Se o Senado não aprovar o projeto antes disso, ele expirará, forçando a recém-eleita Câmara dos Deputados a reiniciar o processo legislativo no próximo ano.

“Dado que as eleições intercalares estão a aproximar-se, há pouco tempo para o projeto de lei passar pelo processo legislativo”, disse à DW a socióloga e professora sénior da Universidade das Filipinas Diliman Athena Charanne Presto.

Apesar disso, Alfafara continua otimista. Ela acredita que o actual projecto de lei foi mais longe do que quaisquer tentativas anteriores de legalizar o divórcio nas Filipinas e, embora subsistam obstáculos, o crescente apoio público poderá fazer a diferença nos próximos anos.



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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.

A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.

A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.

 



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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

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Especialização em Enfermagem Obstétrica tem aula inaugural — Universidade Federal do Acre

O curso de especialização em Enfermagem Obstétrica teve sua aula inaugural nesta terça-feira, 27, na sala Pedro Martinello do Centro de Convenções, campus-sede da Ufac. O curso é promovido pela Universidade Federal de Minas Gerais, com financiamento do Ministério da Saúde, no âmbito da Rede Alyne; a Ufac é um dos 39 polos que sedia essa formação em nível nacional.

A especialização é presencial, com duração de 16 meses e carga horária de 720 horas; tem como objetivo a formação e qualificação de 21 enfermeiros que já atuam no cuidado à saúde da mulher, preparando-os para a atuação como enfermeiros obstetras. A maior parte dos profissionais participantes é oriunda do interior do Estado do Acre, com predominância da regional do Juruá.

“Isso representa um avanço estratégico para o fortalecimento da atenção obstétrica qualificada nas regiões mais afastadas da capital”, disse a coordenadora local do curso, professora Sheley Lima, que também ressaltou a relevância institucional e social da ação, que está alinhada às políticas nacionais de fortalecimento da atenção à saúde da mulher e de redução da morbimortalidade materna.

A aula inaugural foi ministrada pela professora Ruth Silva Lima da Costa, com o tema “Gravidez na Adolescência e Near Miss Neonatal na Região Norte: Dados da Pesquisa Nascer no Brasil 2”. Ela é doutora em Ciências da Saúde pela Fiocruz, enfermeira da Ufac e docente da Uninorte.

 



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Calendário 2026 do Acre: Veja o calendário do Governo e Judiciário que vai ditar o ritmo do ano

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Foto de capa [internet]

Clique aqui para baixar o calendário estadual completo: Decreto 11.809, Calendário 2026 Acre, ed. 14.173-B, de 22.12.2025

Há quem organize a vida por metas, há quem organize por boletos… e existe um grupo que planeja o ano inteiro por uma régua silenciosa, porém poderosa: o calendário oficial. Desde início de janeiro, essa régua ganhou forma no Acre com dois instrumentos que, na prática, definem como o Estado vai pulsar em 2026 — entre atendimentos, plantões, prazos, audiências e aquele respiro estratégico entre uma data e outra.

De um lado, o Governo do Estado publicou o Decreto nº 11.809, de 22 de dezembro de 2025, fixando feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos do Poder Executivo, do dia 1º de janeiro ao último dia do ano, com a ressalva de que serviços essenciais não podem parar.

Do outro, o Tribunal de Justiça do Acre respondeu com a sua própria cartografia do tempo: a Portaria nº 6569/2025, que institui o calendário do Poder Judiciário acreano para 2026, preservando o funcionamento em regime de plantão sempre que não houver expediente. O texto aparece no DJe (edição nº 7.925) e também em versão integral, como documento administrativo autônomo.

Clique aqui para baixar o calendário forense completo: DJE – Portaria 6.5692025, edição 7.925, 22.12.2025

O “mapa do descanso” tem regras — e tem exceções

No calendário do Executivo, as datas nacionais aparecem como pilares já conhecidos (como Confraternização Universal, Tiradentes, Dia do Trabalho, Independência, Natal), mas o decreto também reforça a identidade local com feriados estaduais e pontos facultativos típicos do Acre.

Chamam atenção duas engrenagens que costumam passar despercebidas fora da rotina pública:

  1. ponto facultativo não é sinônimo de folga garantida — a chefia pode convocar para expediente normal por necessidade do serviço;
  2. quando o servidor é convocado nesses dias, o decreto prevê dispensa de compensação para quem cumprir horário no ponto facultativo.

No Judiciário, a lógica é parecida no objetivo (manter o Estado funcionando), mas diferente na mecânica. A Portaria do TJAC prevê expressamente que, havendo necessidade, pode haver convocação em regime de plantão, respeitando-se o direito à compensação de horas, conforme regramento administrativo interno.

Quando o município faz aniversário, a Justiça muda o passo

O “calendário do fórum” também conversa com o mapa das cidades. A Portaria prevê que, em feriado municipal por aniversário do município, não haverá expediente normal nas comarcas correspondentes — apenas plantão. E, quando o município declara ponto facultativo local, a regra traz até prazo de comunicação no interior: pelo menos 72 horas de antecedência para informar se haverá adesão.

É o tipo de detalhe que não vira manchete — mas vira realidade para quem depende de balcão, distribuição, atendimento e rotina de cartório.

Um ano que já começa “com cara de planejamento”

Logo na largada, o Executivo lista 1º de janeiro como feriado nacional e já prevê, para 2 de janeiro, ponto facultativo (por decreto específico citado no anexo). Também aparecem o Carnaval e a Quarta-feira de Cinzas como pontos facultativos, desenhando, desde cedo, o recorte de semanas que tendem a ser mais curtas e mais estratégicas.

No Judiciário, a Portaria organiza o mesmo período com olhar forense — e, além de datas comuns ao calendário civil, agrega as rotinas próprias do Poder Judiciário, preservando a prestação jurisdicional via plantões e regras de compensação.

Rio Branco também entra no compasso de 2026

Para além do calendário estadual e do Judiciário, a capital também oficializou seu próprio “mapa do tempo”: o Prefeito de Rio Branco editou o Decreto Municipal nº 3.452, de 30/12/2025, estabelecendo os feriados e pontos facultativos de 2026 para os órgãos e entidades do Poder Executivo Municipal, com referência expressa ao calendário do Estado.

Na prática, a cidade reforça o mesmo recado institucional: serviços essenciais não param, funcionando por escala ou plantão, e os gestores ficam autorizados a convocar servidores em dias de ponto facultativo, sem exigência de compensação para quem cumprir expediente. No anexo, aparecem datas que impactam diretamente a rotina da população, como o Carnaval (16 a 18/02, ponto facultativo), o Dia do Servidor Público (28/10, ponto facultativo) e o Aniversário de Rio Branco (28/12, feriado municipal) — fechando o ano com a véspera de Ano Novo (31/12, ponto facultativo).

Clique aqui para baixar o calendário municipal completo: DOE, edição 3.452, de 30.12.2025 – Calendário Prefeitura de Rio Branco-AC

Por que isso importa 

O calendário oficial é mais do que uma lista de “dias marcados”: ele é o roteiro do funcionamento do Estado. Para o cidadão, significa previsibilidade; para advogados e jurisdicionados, significa atenção ao modo como cada órgão funcionará em datas críticas; para gestores, significa logística e escala; e para o próprio Acre, significa um desenho institucional que equilibra tradição, trabalho e continuidade.

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