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O homem providencial – 11/11/2024 – João Pereira Coutinho

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Donald Trump vence as eleições. O jornal Guardian oferece terapia à redação e aconselha os jornalistas ingleses mais robustos a consolarem os seus colegas americanos. Não é caso único. O choque da vitória é tão profundo que várias universidades dos Estados Unidos suspenderam as aulas e adiaram a entrega de ensaios para cuidar da saúde mental dos estudantes.

Há livros para colorir, peças de Lego para brincar, leite e bolachas para digerir, informa o Daily Telegraph. Mas o luto mais radical pertence a várias mulheres americanas que, confrontadas com a preferência masculina por Trump, prometem “greve ao sexo” durante os quatro anos do mandato. Está virando uma moda no TikTok. Sou insuspeito de simpatias trumpistas. Simpatias? Destes quatro anos, só espero o pior —e voltarei ao assunto em próximas colunas.

Mas quando leio notícias dessas olho para o Trump como um castigo divino, semelhante aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, para punir a espécie decadente em que nos tornamos. Merecemos Trump. Merecemos muito pior que Trump. A ideia de um jornalista precisar de terapia por causa de uma eleição é tão eloquente como um domador de leões com medo de um gatinho. De pelúcia.

Estudantes universitários —vou repetir: estudantes universitários precisando de leite e bolachas para afogar as mágoas deveria ser motivo mais que suficiente para expulsão do ensino superior e devolução imediata ao ensino fundamental. Mas intrigante são as mulheres, dispostas a quatro anos de abstinência para castigar os homens. Estranho. Eu julgava que um sacrifício desses era, primeiro que tudo, um castigo para as mulheres. Ou as mulheres não gostam de sexo?

Eis a verdade: há uma esquerda mais extrema que se assusta com Trump quando o mais natural seria festejar a vitória do homem. Brinco? Antes brincasse. Eu, um conservador da velha escola, que aprecia as virtudes da democracia liberal, a separação de poderes, o livre comércio e a existência de alianças militares que defendem a liberdade dos povos, eu, dizia, tenho direito a protestar.

Mas a esquerda mais extrema? Animem-se, camaradas! Bem vistas as coisas, Trump é tudo o que sempre quiseram.

Fato: as simpatias por Israel e o ódio aos delírios “woke” são anátema para muitos camaradas. Pormenores, pormenores. Nos assuntos globais que interessam, tudo confere. Se cumprir as promessas, Trump vai impor tarifas alfandegárias a produtos estrangeiros —60% à China, 10% a 20% aos restantes países— que, sem surpresa, levarão a retaliações e a uma guerra comercial. Será a mais séria derrota da globalização desde a Lei Tarifária Smoot- Hawley de 1930, quando o comércio internacional colapsou, agravando a Grande Depressão.

Quem diria?

Sim, quem diria que seria Trump, e não um marxista de passeata, a dar o golpe de misericórdia no “neoliberalismo”? O mesmo vale para a Otan, o “braço armado” do imperialismo americano. Trump não morre de amores pelo clube e não é de excluir que o torne inoperacional, ou irrelevante, sobretudo se os restantes membros não tiverem capacidade financeira para suportar as exigências financeiras do novo presidente. Tradução: o que o Pacto de Varsóvia não conseguiu —derrotar a Aliança Atlântica durante a Guerra Fria — pode ser um dos maiores feitos do movimento Maga.

E a Rússia?

Em 2022, quando Putin invadiu a Ucrânia, não faltaram camaradas a defender a “paz” pela mutilação territorial do país. Bastava que os ucranianos baixassem as armas e se entregassem a Moscou. Era a famosa teoria do “se um não quer, dois não brigam”, lembra? O imperialismo, em teoria, é mau. Mas, no caso de Putin, parte da esquerda abria uma exceção.

Pois bem: Trump pode cumprir esse programa, suspendendo o fornecimento de armas a Kiev e enfiando pela goela abaixo de Zelenski a perda definitiva da Crimeia e do leste da Ucrânia. O que os camaradas pediram o Donald oferece. De resto, o novo isolacionismo americano deveria ser música para os ouvidos daquela esquerda que não tolera Washington como o policial do mundo.

Boas notícias: o policial retorna à casa. Mesmo em relação à China (e a Taiwan), ninguém de bom senso descarta a hipótese de um compromisso com Pequim. Será, finalmente, a vitória do mundo multipolar, que tanto encanta o antiamericanismo global.

Se a esquerda mais extrema não fosse tão histérica, olharia para o Trump com outros olhos. Os olhos da esperança e, quem sabe, da gratidão. E as mulheres americanas, abandonando a greve, renovariam suas paixões carnais com uma generosidade digna de figurar no “Guinness Book”.


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Cerimônia do Jaleco marca início de jornada da turma XVII de Nutrição — Universidade Federal do Acre

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No dia 28 de março de 2026, foi realizada a Cerimônia do Jaleco da turma XVII do curso de Nutrição da Universidade Federal do Acre. O evento simbolizou o início da trajetória acadêmica dos estudantes, marcando um momento de compromisso com a ética, a responsabilidade e o cuidado com a saúde.

 

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a aula inaugural da turma especial do mestrado profissional em Ensino de Ciência e Matemática (MPCIM) no município de Epitaciolândia (AC), também atendendo moradores de Brasileia (AC) e Assis Brasil (AC). A oferta dessa turma e outras iniciativas de interiorização contam com apoio de emenda parlamentar da deputada federal Socorro Neri (PP-AC). A solenidade ocorreu na sexta-feira, 27.

O evento reuniu professores, estudantes e representantes da comunidade local. O objetivo da ação é expandir e democratizar o acesso à pós-graduação no interior do Estado, contribuindo para o desenvolvimento regional e promovendo a formação de recursos humanos qualificados, além de fortalecer a universidade para além da capital. 

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho, ressaltou que a oferta da turma nasceu de histórias, compromissos e valores ao longo do tempo. “Hoje não estamos apenas abrindo uma turma. Estamos abrindo caminhos, sonhos e futuros para o interior do Acre, porque quando o compromisso atravessa gerações, ele se transforma em legado. E o legado transforma vidas.”

 



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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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