POLÍTICA
O onipresente | VEJA
PUBLICADO
1 ano atrásem
Thomas Traumann
Diz-se em Brasília que existem só duas entidades onipresentes, capazes de estar em todos os lugares ao mesmo tempo: Deus e Gilberto Kassab.
Presidente do PSD, Kassab é, ao mesmo tempo, interlocutor do presidente Lula da Silva, conselheiro do governador Tarcísio de Freitas, adversário do ex-presidente Jair Bolsonaro, articulador das sucessões para presidente da Câmara e do Senado e dos vencedores das eleições municipais de domingo.
Nenhum outro político exerce tanto o poder da ubiquidade. No governo Lula, Kassab é fiador de três ministros. No Palácio dos Bandeirantes, é o articulador político de Tarcísio de Freitas. No Senado, foi ele que trouxe o presidente Rodrigo Pacheco para o PSD e hoje articula a favor do favorito a sucedê-lo, Davi Alcolumbre. Na Câmara, Kassab foi o responsável pelo racha no Centrão na eleição para a presidência, formando uma aliança com União Brasil e MDB para enfrentar Arthur Lira.
No domingo, o PSD de Kassab superou, pela primeira vez em trinta anos, o MDB como o partido com maior número de prefeitos do Brasil. Foram 882 prefeitos eleitos pelo PSD no primeiro turno, 225 a mais do que na eleição passada. Entre as 103 cidades com mais de 200 mil habitantes, o PSD já venceu em 6 e está no segundo turno em 10. É o partido com maior número de eleitos em São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Foi o segundo partido em número de votos (14,5 milhões) e o terceiro em número total de vereadores no país (6.622).
Tanto poder em tantos lugares ao mesmo tempo transformou Kassab, acostumado às costuras de bastidor, na estrela reluzente dos dias posteriores à eleição. Na ribalta, Kassab foi inquirido pela repórter Andréia Sadi, da Globonews, a explicar os seus planos para 2026. A resposta gerou um terremoto:
“Meu projeto é Tarcísio. Sendo Tarcísio, eu vou estar alinhado com o projeto que seja compatível com o projeto do Tarcísio, seja ele governador ou presidente”, disse.
A possibilidade de Kassab abandonar o navio lulista assustou o Planalto e os aliados do PSD que dependem de Lula, especialmente em Belo Horizonte, onde o partido enfrenta um difícil segundo turno contra o PL bolsonarista. Ao longo das horas, Kassab foi modulando sua resposta para torná-la menos assertiva:
Ao jornal O Globo, o dirigente disse a Bernardo Mello, Caio Sartori e Thiago Prado que “se o Tarcísio concorrer, vou ponderar com o partido que o melhor seria apoiá-lo, mas o que eu vejo cada vez mais, pessoalmente, é uma preferência para que ele seja candidato a governador”.
À Catia Seabra, da Folha, tentou justificar por que achava que o governador de São Paulo poderia adiar sua candidatura para 2030. “Entendo que pela idade, pelo trabalho que ele faz em São Paulo, que precisava de circunstâncias muito fortes para ele deixar de ser candidato a governador (em 2026)”.
À Andrea Jubé, do Valor, ele disse: “Nosso sonho (do PSD) é ter candidato próprio à Presidência, o Ratinho (governador do Paraná)”.
No Estadão, os repórteres Pedro Augusto Figueiredo e Eduardo Gayer perguntaram: E se o Tarcísio quiser disputar a Presidência (ao mesmo tempo que Ratinho)? Kassab respondeu:
“Se o Tarcísio sair candidato, o PSD não sairá (com candidato próprio). Essa é a minha posição pessoal, vou consultar o partido”. Para amainar, ele previu que essa hipótese não ocorreria porque “o Tarcísio não será candidato à Presidência”.
Tanto poder gera inimigos poderosos. Jair Bolsonaro incentivou a distribuição de milhares de posts nas redes sociais acusando o PSD de ser “o partido que protege Alexandre de Moraes”. O presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, disse que “Kassab está na esquerda e na direita. Mas isso tem um preço e vai custar caro para ele”. Arthur Lira tem rancor de Kassab. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, acusa Kassab de ser o responsável pelo fracasso da sua candidatura a presidente da Câmara. “Eu vou sempre lembrar”, disse.
Ao abrir as comportas de 2026 com dois anos de antecedência, Kassab torna mais difícil a sua onipresença. Como garantir o apoio do PT à candidatura de Antonio Brito à presidência da Câmara se o projeto do PSD é estar com Tarcísio em 2026? Como ganhar mais espaço na reforma ministerial que Lula vai promover em fevereiro? Como ter certeza de que a candidatura presidencial de Tarcísio não será controlada por Bolsonaro e o PL, que o rejeitam? Como seguir onipresente em Brasília e São Paulo? Com tanto poder e tantos inimigos, Kassab pode ser obrigado a escolher ficar num lugar só.
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
Matheus Leitão
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social)
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
Felipe Barbosa
Relâmpago: Digital Completo a partir R$ 5,99
Digital Completo
Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 5,99/mês
DIA DAS MÃES
Revista em Casa + Digital Completo
Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês
*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$71,88, equivalente a R$ 5,99/mês.
PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Relacionado
POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
PUBLICADO
8 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE2 dias agoUfac lança nova versão do SEI com melhorias e interface moderna — Universidade Federal do Acre
ACRE2 dias agoLinguagem e Identidade — Universidade Federal do Acre
ACRE1 dia agoExame Nacional de Acesso ENA/Profmat em 2026 — Universidade Federal do Acre
Economia e Negócios15 horas agoRelatório de Investimento Global em Tecnologia da GWM: Foco na Inovação de Ponta em Energias Novas Inteligentes


Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login