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Prefeito vai contra decreto estadual e decide passar para fase amarela em cidade no interior do Acre
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Decreto foi publicado nesta terça-feira (21), no Diário Oficial do Estado (DOE), um dia depois de o governo anunciar a mudança de fase para as regionais do Baixo e Alto Acre.
capa: Em Sena Madureira no interior do AC prefeito muda para fase amarela e quer avaliação apenas pela regional do Purus — Foto: Wendel Land/Rede Amazônica Acre.
Mesmo tendo avançado apenas para a fase laranja, nível de alerta, na nova reclassificação do estado em relação aos casos de Covid-19, o prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, “avançou” a cidade para a fase amarela, que é de atenção. A cidade registrou 843 casos da doença até segunda-feira (20).
O decreto foi publicado nesta terça-feira (21) no Diário Oficial do Estado (DOE), um dia depois de o governo anunciar a mudança de fase para as regionais do Baixo e Alto Acre, na qual estão inseridos os municípios da regional Vale do Purus, como Sena Madureira, por exemplo.
No decreto, o prefeito afirma que atende a recomendação do Ministério Público Estadual (MP-AC) e adere ao Pacto Acre sem Covid, porém usa critérios próprios para fazer a mudança.
“Os critérios que nós usamos aqui para ir para o amarelo é que Sena Madureira é um dos municípios que como Cruzeiro do Sul e Rio Branco tem um hospital de campanha, exclusivamente para combate à Covid-19. Sena adotou vários critérios, nós temos aqui uma unidade de saúde sentinela que trabalha 20 horas por dia, temos uma testagem feita em 15 minutos, não deixamos faltar testes. Fora isso, a gente tem remédios para combate à Covid. Nós vamos também comprar 18 mil testes rápidos para testar em massa”, disse o prefeito.
Regionais para avaliação
No decreto estadual, as fases são definidas por bandeiras: a vermelha é de emergência e as demais fases do planejamento são: alerta, simbolizada pela cor laranja; atenção, pela cor amarela e cuidado na cor verde.
Além disso, o estado fez uma junção das cinco microrregiões [Alto Acre, Baixo Acre, Vale do Purus, Vale do Juruá, Tarauacá/Envira] para fazer a avaliação e transformou em apenas três que ficaram da seguinte forma:
- Alto Acre: Assis Brasil, Brasileia, Epitaciolândia e Xapuri
- Baixo Acre: Acrelândia, Bujari, Capixaba, Jordão, Manoel Urbano, Plácido de Castro, Porto Acre, Rio Branco, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira e Senador Guiomard;
- Juruá : Cruzeiro do Sul, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves e Tarauacá.
O prefeito reforça que vai seguir o decreto do estado, mas vai seguir com exceções porque acredita que a avaliação deve ser feita de forma separada entre cada região e não da forma que está sendo feita.
“O que a gente quer e o que tenho lutado com a própria Sesacre é que Sena Madureira não é Vale do Juruá nem Baixo Acre. Sena Madureira, Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano são Vale do Purus e eles querem nos incluir no Baixo Acre. Se você pegar as pessoas infectadas e os que morreram e calculasse pela região, nós já estaríamos no amarelo faz tempo. Só estamos no vermelho mais por causa de Rio Branco, Plácido de Castro, Capixaba que está alta a mortalidade”, disse.
Serafim também disse estar ciente da recomendação do MP e torna a repetir que o município não pode ser comparado a capital Rio Branco.
“O MP recomenda que a gente siga o governo e não tem problema, a gente vai seguir, só que nós vamos seguir com exceções porque como é que vou seguir o que o governo quer, se aqui não é Rio Branco? Vou seguir, mas dentro dos problemas que tem no vale do Purus. Quero que mude esse negócio, temos que dividir por municípios”, complementou.
Além disso, o prefeito afirmou que o procurador do município já fez um pedido para que seja separada a cidade pela região a que corresponde, a do Purus.
O prefeito disse que na cidade o comércio de confecções funciona de 7h às 13h, nas feiras o trabalho é alternado e metade dos feirantes trabalham em um dia e a outra metade no outro. O comércio funciona de 7h às 18h e farmácias até às 20h. As igrejas funcionam com 30% da capacidade apenas aos domingos, e as distribuidoras e restaurantes por meio de delivery. O decreto tem validade de 10 dias.
Recomendação do MP
A recomendação do Ministério Público tinha dado um prazo de 72 horas para que as cidades se adequassem e cumprissem ao decreto estadual e aguardava a divulgação na nova reclassificação do estado para adotar as medidas cabíveis que podem resultar em ações judiciais.
O promotor de justiça Glaucio Oshiro disse ao G1 que os municípios responderam e ainda aguarda apenas o município de Senador Guiomard porque houve um atraso na entrega da recomendação e em Cruzeiro do Sul, onde teria ocorrido um equivoco na comunicação, o promotor ressaltou que deve ocorrer uma conversa ainda nesta semana. Este é o primeiro critério, a conversa.
“Senador Guiomard ainda está sem resposta. Já em relação ao Juruá, a reclassificação foi ontem e a gente precisa fazer uma conversa sobre esta demanda. Então vamos conversar com os promotores da região para a gente poder se reunir e fazer as atuações devidas a fim de trazer à luz o diálogo e a adequação a faixa de classificação que vai ficar por pelo menos 14 dias”, disse o promotor.
Sobre o município de Sena Madureira o promotor disse que a situação é nova e que deve conversar com o promotor da cidade para que sejam adotadas as medidas necessárias.
“O promotor de lá de fato conversou com o prefeito na semana passada e o prefeito tinha ficado de dar essa resposta até ontem. Então talvez o promotor de lá tenha recebido, mas eu não recebi, então vai precisar ter um novo diálogo com o promotor de lá a respeito da providência que será tomada”, concluiu.
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Ufac celebra trajetória de dez anos do Laboratório de Discriminação Racial — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 13, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (Cfch), um evento em comemoração aos 10 anos do Laboratório de Pesquisa Observatório de Discriminação Racial (LabODR). A programação reuniu a comunidade acadêmica, pesquisadores, egressos, bolsistas e integrantes do movimento social negro para celebrar a trajetória do laboratório e os resultados alcançados por meio das pesquisas desenvolvidas ao longo da última década.
Vinculado à área de História, mas formado por profissionais de diferentes áreas do conhecimento, o LabODR/Ufac foi criado em 2016 a partir de uma articulação entre a Ufac e o movimento negro acreano, especialmente o Fórum Permanente de Educação Étnico-Racial do Estado do Acre. Inicialmente estruturado como projeto institucional de pesquisa, o laboratório contou com apoio da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) e, em 2018, foi inserido na plataforma Lab e certificado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propeg).
O laboratório atua na pesquisa e na formação de pesquisadores com foco na promoção da igualdade racial, desenvolvendo estudos voltados tanto à denúncia de práticas racistas quanto à construção de reflexões e práticas antirracistas, principalmente nos espaços educacionais. Atualmente, o LODR/Ufac abriga projetos institucionais como “Práticas Pedagógicas em Educação das Relações Étnico-Raciais em Escolas do Estado do Acre”, desenvolvido desde 2018, e “Pérolas Negras”, iniciado em 2020.
Durante o evento, convidados e bolsistas compartilharam experiências acadêmicas e profissionais construídas a partir das atividades desenvolvidas pelo laboratório, destacando a importância do observatório em suas formações pessoais e profissionais. A programação também apresentou pesquisas realizadas ao longo desses dez anos de atuação e ressaltou a contribuição do laboratório para o fortalecimento das discussões sobre igualdade racial dentro da universidade e na sociedade acreana.
Compuseram o dispositivo de honra o vice-reitor, Josimar Ferreira; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Ufac, Margarida Lima; a vice-diretora do Cfch, Lucilene Ferreira de Almeida; e a representante do Neabi, Flávia Rocha.
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Ufac participa de mostra científica na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac) participou, no dia 1º de maio, da Mostra Científica “Conectando Saberes: da integração à inclusão na Amazônia”, realizada na Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira. A ação reuniu instituições de ensino, pesquisa, escolas rurais e moradores da reserva em atividades de divulgação científica e integração comunitária.
Financiada pelo CNPq, a iniciativa contou com a participação da Ufac, Ifac, ICMBio e de escolas da região. Aproximadamente 250 pessoas participaram da programação, entre estudantes, professores e moradores das comunidades da reserva.
Durante o evento, estudantes da graduação e pós-graduação da Ufac e do Ifac apresentaram pesquisas e atividades educativas nas áreas de saúde, Astronomia, Física, Matemática, Robótica e educação científica. A programação incluiu oficinas de foguetes, observação do céu com telescópios, sessões de planetário, jogos educativos e atividades com microscópios.
O professor Francisco Glauco, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN) da Ufac, destacou a importância da participação acadêmica em ações junto às comunidades tradicionais.
“A universidade tem um papel fundamental para a formação científica e cidadã dos estudantes. A troca de conhecimentos com comunidades de difícil acesso fortalece essa formação”, afirmou.
A professora Valdenice Barbosa, da Escola Iracema, ressaltou o impacto da iniciativa para os alunos da reserva.
“Foi um dia histórico de muito aprendizado. Muitos estudantes tiveram contato pela primeira vez com experimentos e equipamentos científicos”, disse.
Além das atividades científicas, a programação contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes da reserva, fortalecendo a integração entre ciência, educação e saberes amazônicos.
A participação da Ufac reforça o compromisso da universidade com a extensão, a popularização da ciência e a aproximação entre universidade e comunidades tradicionais da Amazônia.
Fhagner Soares – Estagiário
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UFAC participa de pesquisa sobre zoonose associada à caça de subsistência na Amazônia — Universidade Federal do Acre
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15 de maio de 2026Um estudo publicado na revista Acta Amazonica identificou a presença do parasita Echinococcus vogeli em pacas (Cuniculus paca) abatidas e consumidas por comunidades tradicionais da Amazônia Ocidental. O agente é responsável pela equinococose policística humana, zoonose considerada emergente na região.
A pesquisa foi desenvolvida entre 2022 e 2023 nos municípios de Sena Madureira e Rio Branco, no Acre, sob coordenação do professor Francisco Glauco de Araújo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), integrando a dissertação de mestrado de Liliane de Souza Anadão, do Programa de Pós-Graduação em Sanidade e Produção Animal Sustentável na Amazônia (PPGSPASA).
O estudo entrevistou 78 famílias e analisou 23 fígados de pacas abatidas para consumo. Em 48% das amostras foram identificados cistos hidáticos causados pelo parasita. A pesquisa também apontou que a maioria dos cães das comunidades participa das caçadas e consome vísceras cruas dos animais.
Segundo os pesquisadores, o principal risco de transmissão ocorre quando cães infectados eliminam ovos do parasita no ambiente, contaminando solo, água e alimentos.
“O principal risco está associado ao descarte inadequado das vísceras e ao contato com ambientes contaminados pelas fezes de cães infectados”, destacou o professor Francisco Glauco.
O estudo reforça a necessidade de ações de vigilância e educação em saúde nas comunidades rurais, principalmente relacionadas ao manejo de cães e ao descarte adequado das vísceras dos animais abatidos.
Para o pesquisador Leandro Siqueira, doutor em Medicina Tropical pela Fiocruz e coautor do estudo, a pesquisa amplia o conhecimento sobre a transmissão da doença na Amazônia e pode contribuir para futuras ações de prevenção e diagnóstico na região.
Fhagner Soares – Estagiário