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Scholz perde voto de confiança, e Alemanha encara difícil campanha eleitoral – 16/12/2024 – Mundo
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José Henrique Mariante
Olaf Scholz pediu um voto de confiança, esperava perder e perdeu. O roteiro parlamentar do dia foi cumprido nesta segunda-feira (16), e a Alemanha encara nas próximas semanas uma curta e difícil campanha eleitoral. Por 394 votos a 207 (116 abstenções), o Bundestag declarou que não confiava mais em seu primeiro-ministro, o que detona um processo delineado por protocolos e pela Constituição que culminará em eleições para o Parlamento em 23 de fevereiro.
Votos de confiança são instrumentos para garantir governabilidade, e foi exatamente isso que Scholz enfatizou em um discurso de 25 minutos que abriu a sessão histórica do Parlamento em Berlim. “Política não é um jogo”, afirmou o social-democrata. “Ingressar em um governo exige a necessária maturidade moral.” A crítica, em tom pessoal, foi dirigida ao ex-colega de coalizão, Christian Lindner, do FDP, acusado por Scholz de “semanas de sabotagem” de seu governo.
O partido liberal era a parte mais controversa da aliança montada por Scholz, que tinha ainda os Verdes. O FDP, investigações na imprensa alemã mostraram, planejou a implosão da coalizão com semanas de antecedência. A revelação, nos últimos dias, tirou momentaneamente dos ombros de Scholz o peso do fracasso de seu governo.
O primeiro-ministro reconheceu que unir “três partidos muito diferentes ” não era tarefa fácil, mas que a coalizão correspondeu à “vontade dos eleitores”. Já em tom de campanha, falou que a invasão russa na Ucrânia exigia investimentos maciços em defesa e que o país precisava de um choque de investimentos. “Investimento agora, não em algum momento.”
Fazia referência ao “freio de dívida”, a versão alemã do teto de gastos, que Scholz diz travar a administração do país, como uma “negação da realidade”. O primeiro-ministro lembrou que a maioria das associações empresariais e sindicatos pedem a flexibilização, justamente o ponto que opôs Lindner e o ministro da Economia, Robert Habeck, dos Verdes. Foi esse impasse que deu fim ao governo.
“Os países do G7 têm uma dívida nacional superior a 100% do PIB, enquanto a da Alemanha diminui. Estão todos errados? Temos que fazer isso agora “, declarou Scholz, ponderando que pedia uma modernização “inteligente” do instrumento fiscal.
Esse é um dos vários pontos que afasta Scholz de seu principal adversário, Friedrich Merz, da CDU, que discursou logo depois do primeiro-ministro. “Vocês são a face da crise econômica”, afirmou o conservador, favorito nas pesquisas, se dirigindo a Scholz e Habeck, sentados lado a lado nos assentos destinados ao governo no Parlamento.
O líder dos Verdes respondeu na sua vez de falar. “As propostas da CDU não dizem de onde sai o financiamento”, disse o ministro, sobre um pacote dos conservadores baseado em cortes de impostos e adoção de novos benefícios sociais. “Não acreditem numa palavra do que dizem.”
Afirmou ainda que o cenário de estagnação econômica da Alemanha é resultado de anos de administração da CDU, sob comando de Angela Merkel, que incentivou a indústria automobilística e a exportação, sem projetar que o modelo tinha fôlego limitado.
Scholz pediu ainda um debate “honesto sobre a imigração”, lembrando que muitos refugiados se tornaram fundamentais para a Alemanha em áreas como o sistema de saúde. “Todos sabemos que não funciona sem eles.”. “Não se progride na política de migração com slogans fortes, mas com ações corajosas” , declarou.
Foi exatamente o que Alice Weidel, da AfD, o partido de extrema direita, que tem chance de obter a segunda bancada no Parlamento, fez em sua apresentação, quando declarou que o país está “inundado de migrantes exigentes que desprezam o que encontram”.
O primeiro-ministro também sentiu necessidade de deixar claro que não entregaria os mísseis Taurus à Ucrânia, demanda complicada que Merz já disse que atenderia. O fornecimento envolveria ainda mais a Alemanha no conflito, devido ao grande alcance do dispositivo, tanto que o parlamentar da CDU já é chamado de “chanceler da guerra” pelos críticos. Chanceler é a palavra alemã para primeiro-ministro, e a alcunha carrega o peso histórico das duas Guerras Mundiais do século 20.
Weidel, em outra declaração forte, afirmou que Merz flerta com uma “terceira guerra mundial”.
Segundo as pesquisas, qualquer sigla que vencer na Alemanha em 23 de fevereiro terá que propor uma coalizão. A mais provável de ocorrer, neste momento, seria composta por CDU e SPD. O conservador seria o primeiro-ministro, mas Scholz já disse que não aceitaria ser vice, como foi de Merkel por vários anos. Habeck e Weidel também se colocam como candidatos a primeiro-ministro. Apesar da AfD ocupar o segundo lugar nas pesquisas, nenhum partido admite compor com a sigla extremista.
Analistas já preveem uma negociação difícil, como foi a de Scholz em 2021. O novo Parlamento assim só iniciaria seus trabalhos entre maio e junho, segundo as estimativas, o que mina ainda mais as expectativas para a primeira economia da Europa em 2025.
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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre
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12 de março de 2026A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.
O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.
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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia
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10 de março de 2026Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.
A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.
A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.
Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.
O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.
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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre
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9 de março de 2026A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.
São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”
A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.
A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.
No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.
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