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Servidor da Fundação Hospital do Acre denuncia descaso com pacientes e demora no atendimento especializado
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7 anos atrásem
Denúncia feita com exclusividade ao Diário do Acre aponta para a deterioração dos serviços oferecidos no setor da saúde pública do estado, em especial na Fundhacre, onde se concentram as especialidades médicas como ortopedia, neurologia e ginecologia, entre outras. A suposta inoperância do modelo de atendimento implantado no Acre em 2016, sob a promessa de que ele facilitaria a vida dos que até então eram obrigados a amanhecer nos hospitais em busca de consultas, se agravou ante a regra que proíbe atendimento aos pacientes que não estiverem na lista dos agendados controlada pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
Segundo a denúncia – feita sob a garantia de que o denunciante teria o nome preservado pela reportagem –, diversos episódios ocorridos na Fundação Hospital do Acre provariam a ineficácia do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), desenvolvido pelo governo federal e implantado no estado. Esses casos envolvem pessoas com câncer ou com membros quebrados que procuram socorro na unidade de saúde e são mandadas de volta para casa nas mesmas condições em que lá chegaram.
Novo sistema teria piorado atendimento na Fundhacre/Internet
“Pacientes chegam na Fundação à beira da morte ou com muita dor e não são atendidas porque seus nomes não constam no sistema de agendamento do Sisreg”, diz nossa fonte.
O mais grave, segundo a denúncia, é que o número dos que comparecem à unidade, avisados sobre a consultas do dia, é sempre inferior à cota estabelecida pela regulação. Ainda assim, os funcionários da Fundhacre ficam proibidos de encaminhar o recém-chegado ao especialista de plantão. Mesmo que a vida dele dependa de socorro médico.
Na prática, a teoria é diferente
No ano em que foi o implantado, o Sisreg foi descrito pela assessoria de imprensa do ex-governador Tião Viana, do PT, como “um sistema web que facilita o agendamento de consultas, exames e procedimentos dos pacientes do interior do estado, (capaz) de organizar e controlar o fluxo dos serviços de saúde, melhorando a utilização dos recursos, visando a humanização no atendimento”.
Só que na prática o sistema não funciona dessa maneira, conforme assegura a fonte deste portal.
A começar pela inauguração do serviço, que teria deixado de fora cerca de 250 pessoas que procuravam atendimento na Fundhacre e ainda não haviam recebido o chamado hipótese diagnóstico (HD) – um parecer médico feito pelo especialista antes mesmo da realização dos exames. Sobre esse assunto, a assessoria de imprensa da Sesacre respondeu, após consulta aos representantes do setor de regulação, não haver “usuários fora do banco do Sisreg nas especialidades reguladas, que estão avançando de forma ordenada, de acordo com a oferta disponibilizada e em conformidade com a legislação vigente e princípios do SUS”.
Médicos nunca chegam a atender o total de agendados/Internet
Outro fator a distorcer os objetivos do programa seria o critério utilizado pelas prefeituras do interior do estado para a seleção dos pacientes encaminhados à unidade na capital: a ordem de chegada aos postos de saúde.
Com isso, os doentes graves não têm garantia de receber tratamento, conforme apregoa outro objetivo do Sisreg.
A denúncia aponta o setor de regulação como o grande responsável pelo não-comparecimento dos pacientes às consultas agendadas via Sisreg. A secretaria novamente se defende, alegando todas as medidas possíveis para contatar o usuário, e chega a culpar os que não comparecem às consultados, sob alegações diversas.
Sim, os números podem mentir
Os dados comemorados pelos gestores públicos que mostram a diminuição – ou até mesmo a extinção – da demanda por algumas especialidades médicas levam em conta a diminuta presença dos usuários à unidade de saúde, o que não reflete uma queda na demanda, segundo a denúncia feita ao Diário do Acre.
Setor de Regulação da Sesacre nega denúncias/Internet
No setor de ortopedia, por exemplo, haveria cerca de 10 mil acreanos à espera de atendimento. Essa demanda reprimida supostamente se repete no segmento de neurologia, com mais de mil pacientes na lista de espera. Embora sem negar o montante de usuários que aguardam atendimento dos especialistas em ortopedia, a Sesacre argumenta que a grande procura decorre do excesso de casos de traumas causados pelos acidentes de trânsito. E afirma jamais ter propagado “fila zerada para todas as especialidades”.
O denunciante, porém, diz que se antes havia o desconforto, por parte dos usuários da Fundação Hospital do Acre, de ter de amanhecer na fila de espera, eles, ao menos, tinham a certeza de receber tratamento. “Com a implantação do Sisreg, isso mudou. E pra pior”, garante ele.
Com a palavra, a Secretaria de Saúde do Acre
Informativo
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) por meio da Regulação Estadual esclarece os tópicos da denúncia conforme segue a baixo:
1) Não há usuários fora do banco do Sisreg nas especialidades reguladas, que estão avançando de forma ordenada, de acordo com a oferta disponibilizada e em conformidade com a legislação vigente e princípios do SUS.
2) Isso não ocorre, pois, as consultas são agendadas e devidamente informadas ao usuário, quando o mesmo não atende o telefone deixado como referência, o que é muito comum, mesmo após realizarmos várias tentativas em horários alternados, fazemos a observação no sistema e substituímos o usuário a fim de não perdermos a vaga. Esse usuário retorna a fila para posterior agendamento. É verdade que o índice de absenteísmo é relativamente expressivo, mas quando fazemos ligações por amostragem para entender as causas desse absenteísmo, o usuário relata problemas de ordem pessoal que o impediu de comparecer a consulta/exame agendado.
3) Não propagamos fila zerada para todas as especialidades, até porque isso não é verdade. Sabemos que o Brasil inteiro vive situações de escassez de algumas especialidades médicas inclusive no setor privado. Algumas especialidades têm o que chamamos de fila zero, ou seja, há vaga o tempo todo, são elas: urologia, endocrinologia, dermatologia, mastologia, neurocirurgia, cirurgia plástica, gastrenterologia, alergista, hematologia, bucomaxilo, proctologia e cardiologia pediátrica. Quanto o a ortopedia, mencionada, essa demanda dá-se pelo excessivo número de traumas (acidentes de trânsito), o que não ocorre somente no estado do Acre, e a regulação vem justamente para priorizar os atendimentos mais urgentes.
4) Estamos trabalhando a organização das centrais de regulação dos municípios, que deve contar com a figura de um médico regulador, o que é de inteira responsabilidade do município, o único município hoje estruturado com uma central é a capital Rio Branco, que conta com a figura do médico regulador e prioriza seus encaminhamentos de acordo com a história clínica do usuário. Quanto aos demais municípios, o acesso, na maioria das vezes, continua usando o mesmo critério antes usado, a ordem de chegada, no entanto, casos graves são informados ao complexo regulador, que prioriza o atendimento.
5) A rede de atenção à saúde tem uma conformação e os pontos de atenção tem sua finalidade bem definidas. Usuários com dor, em situação de agudização, devem procurar as unidades de pronto atendimento e urgência (Huerb e Upa’s), para estabilização, a fundação hospitalar é setor ambulatorial e deve atender demandas eletivas, devidamente agendadas. Usuários com “membro quebrado ” são atendidos no Huerb e quando obtém alta são encaminhados ao ambulatório da Fundhacre para seguimento do tratamento com sua consulta devidamente agendada pela central de regulação. Quanto ao Unacon, o serviço é porta aberta para atendimento de pacientes com diagnóstico confirmado de câncer, não estando sob a égide da regulação.
6) A taxa de absenteísmo realmente é um fator a ser trabalhado, pelos motivos já acima expostos, o que não caracteriza ineficiência do serviço de regulação, e sim problemas de ordem social. A imprensa é ferramenta importante no auxílio para divulgação de informações aos usuários de forma correta e transparente, para que o mesmo entenda que ao faltar uma consulta impede o acesso de outros usuários e inviabiliza seu próprio tratamento. Contamos com o auxílio da imprensa, a fim de que possam ajudar na divulgação dos fluxos assistências de atendimento do usuário do sus, para que possamos implementar uma rede resolutiva. A regulação segue uma máxima que diz: “quem anda é o papel, o usuário não anda”, pois o mesmo não deve percorrer a rede em busca de assistência, a regulação busca sempre o aperfeiçoamento e atendimento às necessidades individuais de cada usuário, qualificando o acesso.
INFORMAÇOES DIARIO DO ACRE
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Ufac conquista 3º lugar em hackathon internacional promovido por laboratório de Harvard — Universidade Federal do Acre
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20 horas atrásem
22 de maio de 2026Estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) participaram, nos dias 10 e 11 de abril, do HSIL Hackathon 2026, promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Harvard T.H. Chan School of Public Health. A participação da equipe ocorreu no Hub de Inovação do Hospital das Clínicas de São Paulo, o InovaHC, em uma edição realizada simultaneamente em mais de 30 países. O grupo conquistou o 3º lugar geral entre mais de 30 equipes com o projeto Viginutri, solução voltada à prevenção da desnutrição hospitalar.
A equipe foi liderada pela acadêmica de Medicina da Ufac Maria Júlia Bonelli Pedralino e contou com a participação de Guilherme Félix, do curso de Sistemas de Informação, Bruno Eduardo e Wesly, do curso de Medicina. Segundo Maria Júlia, representar o Acre e a Ufac em um evento dessa dimensão foi uma experiência marcante para sua trajetória acadêmica e pessoal. “O Acre tem muito a dizer nos espaços onde o futuro da saúde está sendo construído”, afirmou.
O projeto premiado, Viginutri, foi desenvolvido durante o hackathon em São Paulo e propõe uma solução para auxiliar no enfrentamento da desnutrição hospitalar, problema que pode afetar o prognóstico de pacientes internados e gerar impactos para a gestão hospitalar. A proposta une medicina e nutrição e será aperfeiçoada a partir da premiação recebida pela equipe.
Com a classificação, o grupo garantiu uma aceleração de um ano pela Associação Brasileira de Startups de Saúde, com mentoria especializada e a perspectiva de validar a solução em um hospital real. De acordo com Maria Júlia, a conquista abre a possibilidade de levar uma ideia desenvolvida por estudantes da Ufac para uma etapa de aplicação prática.
A estudante também ressaltou o apoio recebido da Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia da Universidade Federal do Acre (Proint) e da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proex). Segundo ela, a conquista só foi possível porque a universidade acreditou no projeto e ofereceu as condições necessárias para que o grupo representasse a instituição fora do Acre. “Essa conquista não teria sido possível sem o apoio da Proint e Proex”, disse.
A trajetória do grupo teve início em um hackathon realizado anteriormente no Acre, onde surgiu o projeto Sentinelas da Amazônia, experiência que contribuiu para a formação da equipe e para o interesse dos estudantes em iniciativas de inovação.
Como desdobramento da participação no evento, a equipe deve promover, no dia 12 de junho, às 10h30, no Sebrae Lab, no Centro de Convivência, uma roda de conversa sobre a experiência no hackathon, com o objetivo de incentivar outros acadêmicos a buscarem pesquisa, inovação e desenvolvimento de ideias no ambiente universitário.
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Ufac realiza curso de turismo de base comunitária para extrativistas em parceria com MMA e ICMBio — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
21 de maio de 2026A Universidade Federal do Acre (Ufac), por meio do Parque Zoobotânico (PZ), realizou, de 12 a 14 de maio de 2026, o Curso Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação, na sala ambiente do PZ, no campus sede, em Rio Branco. A formação reuniu 14 comunitários da Reserva Extrativista Chico Mendes, Resex Arapixi e Floresta Nacional do Purus, com foco no fortalecimento dos territórios tradicionais, nas referências culturais e na criação de roteiros turísticos de base comunitária.
A coordenadora estadual do Projeto Esperançar Chico Mendes, professora e pesquisadora da Ufac/PZ, Andréa Alexandre, destacou que as reservas extrativistas, criadas há mais de três décadas na Amazônia, têm como desafio conciliar o bem-estar das famílias que vivem nas florestas com a conservação dos recursos naturais. Segundo ela, o turismo de base comunitária se apresenta como uma alternativa econômica para que as famílias extrativistas possam cumprir a função das reservas. “O curso de extensão apresenta ferramentas para que essas famílias façam gestão do turismo como um negócio, sem caráter privado, nem por gestão pública, mas com um controle que seja da comunidade”, afirmou.
O curso integra as ações do Projeto Esperançar Chico Mendes, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, por meio da Secretaria Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais, em parceria com a Ufac, Parque Zoobotânico e instituições parceiras. A formação foi ministrada por Ana Carolina Barradas, do ICMBio Brasília; Fádia Rebouças, coordenadora nacional do Projeto Esperançar-SNPCT/MMA; e Leide Aquino, coordenadora regional do Conselho Nacional das Populações Extrativistas.
Durante a formação, os participantes tiveram acesso a ferramentas voltadas à gestão do turismo em seus territórios, com abordagem sobre elaboração de roteiros, recepção de visitantes e valorização da cultura extrativista. A proposta é que a atividade turística seja conduzida pelas próprias comunidades, a partir de suas referências, histórias, modos de vida e relação com a floresta.
A liderança do Grupo Mulheres Guerreiras, da comunidade Montiqueira, no ramal do Katianã, Francisca Nalva Araújo, afirmou que o curso leva conhecimento para a comunidade e abre possibilidades de trabalho coletivo com turismo de base comunitária. Segundo ela, o grupo reúne aproximadamente 50 mulheres, envolvidas em atividades com idosas, jovens e adultos, além de ações de artesanato, crochê e corte-costura. “Agora, aprofundando os conhecimentos para trabalhar com turismo tende a trazer melhorias coletivas”, disse.
A artesã Iranilce Lanes avaliou o projeto como inovador por ser desenvolvido junto às pessoas das próprias comunidades. Para ela, a construção feita a partir do território fortalece a participação dos moradores e amplia as possibilidades de resultado. A jovem Maria Letícia Cruz, moradora da comunidade Sacado, na Resex em Assis Brasil, também destacou a importância da experiência para levar novos aprendizados à sua comunidade.
O curso foi realizado no âmbito do Projeto Esperançar Chico Mendes, que tem a Reserva Extrativista Chico Mendes como referência de museu do território tradicional e busca fortalecer ações voltadas às populações extrativistas, à valorização cultural e à gestão comunitária de alternativas econômicas nas unidades de conservação.
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Ufac promove seminário sobre agroextrativismo e cooperativismo no Alto Acre — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
19 de maio de 2026O Projeto Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal) da Ufac realizou, na última sexta-feira, 15, no Centro de Educação Permanente (Cedup) de Brasiléia, o seminário “Agroextrativismo e Cooperativismo no Alto Acre: Desafios e Perspectivas”. A programação reuniu representantes de cooperativas, instituições públicas das esferas federal, estadual e municipal, pesquisadores, produtores rurais da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes e lideranças comunitárias para discutir estratégias e soluções voltadas ao fortalecimento da economia local e da produção sustentável na região.
A iniciativa atua na criação de espaços de diálogo entre o poder público e as organizações comunitárias, com foco no desenvolvimento sustentável e no fortalecimento da agricultura familiar. Ao longo do encontro, os participantes debateram os principais desafios enfrentados pelas famílias e cooperados que atuam nas cadeias do agroextrativismo, com ênfase em eixos fundamentais como acesso a financiamento, logística, assistência técnica, processamento, comercialização, gestão e organização social das cooperativas.
Coordenado pela professora Luci Teston, o seminário foi promovido pela Ufac em parceria com o Sistema OCB/Sescoop-AC. Os organizadores e parceiros destacaram a relevância do cooperativismo como instrumento de transformação social e econômica para o Alto Acre, ressaltando a importância de pactuar soluções concretas que unam a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida das famílias extrativistas à preservação florestal. Ao final, foram definidos encaminhamentos estratégicos para valorizar o potencial produtivo da região por meio da cooperação.
O evento contou com a presença de mais de 30 representantes de diversos segmentos, incluindo o subcoordenador do projeto no Acre, professor Orlando Sabino da Costa; o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), Ronald Polanco; o secretário municipal de Agricultura de Brasiléia, Gesiel Moreira Lopes; e o presidente da Coopercentral Cooperacre, José Rodrigues de Araújo.
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