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‘Sinais de facção’ viram temor e meme nas redes sociais – 11/01/2025 – #Hashtag

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Jonas Santana

Em dezembro de 2024, o turista Henrique Marques de Jesus, 16, teria sido morto em Jericoacoara (CE) por fazer um gesto com as mãos que seria símbolo de uma organização criminosa da região. Desde então, os usuários das redes sociais têm reagido com temor e muitos memes sobre os que chamam de “sinais de facção”.

O caso do Ceará teve grande repercussão e outros semelhantes foram registrados nos últimos meses. Em setembro, duas irmãs, Rayane Alves Porto, 25, e Rithiele Alves Porto, 28, foram assassinadas em Porto Esperidião (MT). Segundo o Ministério Público do estado, os suspeitos são pessoas ligadas a uma facção que viram uma publicação em que as vítimas apareciam fazendo um gesto com as mãos. Para eles, seria uma alusão a um grupo rival.

Cecília Olliveira, jornalista investigativa e diretora fundadora do Instituto Fogo Cruzado, acredita que apesar dos casos, nem todo mundo precisa se preocupar com que símbolo faz com as mãos em fotos. “A violência não atinge as pessoas da mesma forma. Depende de onde a pessoa está, por exemplo, já que é algo muito atrelado a domínio territorial”.

Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), conta que, mesmo sendo isolados, é melhor diminuir os riscos e evitar fazer símbolos desconhecidos. Ele ressalta que os casos ganham destaque por serem inusitados e que são muito pontuais.

Olliveira afirma que os símbolos e sinais são muito importantes para as organizações criminosas, e englobam de gestos a palavras e expressões. “Quando domina uma região, o Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro, diz que está ‘tudo dois’; o Terceiro Comando diz que está ‘tudo três’ e a milícia diz que ‘tá cinco’. Estes números são feitos com as mãos”, explica.

A jornalista conta que em determinados territórios até as roupas são vistas como símbolos: “Os traficantes do Terceiro Comando gostam de usar Adidas, porque as três listras lembram a expressão ‘tudo três’. Já o pessoal do Comando Vermelho usa Nike, pois o símbolo da vírgula lembra uma letra ‘C'”.

Para Paes Manso, que é coautor do livro “A Guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil” (Todavia, 2018), o símbolo não é tão importante para as mais de 80 facções criminosas que atuam no país, especialmente porque uma das características do crime e uma das formas de sobreviver é a discrição.

Manso observa que na última década rivalidades entre facções surgiram muitas vezes por meio das redes sociais, com vídeos mostrando crueldades para provocarem temor. Mas essas publicações acabam produzindo maneiras de a polícia monitorar esses grupos.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal foram contatados mas não se pronunciaram. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informa que atua diuturnamente, por meio das Polícias Civil e Militar e da sua Coordenadoria de Inteligência no combate aos grupos criminosos no Estado.

O Governo de Mato Grosso diz que o caso dos assassinatos das duas irmãs, em Porto Esperidião, foi elucidado e, em 10 dias, 16 pessoas foram presas e indiciadas. Afirma ainda que, em novembro, o governo lançou o Programa Tolerância Zero de Combate às Facções Criminosas e trabalha para que a população tenha tranquilidade e diz lamentar “que as leis não contribuem para manter os criminosos dentro da prisão”.

Veja como as redes sociais estão repercutindo os crimes relacionados a gestos com as mãos:


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Leia Mais: Folha

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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



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Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.

A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.

Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.

A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.

O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”

O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”

A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.

 



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