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Trump globalizou empresas chinesas, diz economista – 17/01/2025 – Mercado

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Paulo Passos

A história pessoal da economista Keyu Jin, 42, reflete o passado não tão distante da amistosa relação entre China e Estados Unidos. Filha de um membro do alto escalão do Partido Comunista, que foi vice-ministro das Finanças e presidente de banco, ela deixou Pequim nos anos 1990 para estudar nos EUA, onde cursou ciências econômicas em Harvard.

Como se sabe, a amizade entre as duas potências sofreu abalos nos últimos anos. Testemunha dessa mudança e de muitas outras na economia chinesa, Jin diz que se propôs a ler o seu país “em sua língua original” e traduzi-lo no livro “A Nova China: Para Além do Capitalismo e do Socialismo”, publicado em 2023 nos EUA e lançado no final do ano passado no Brasil.

O trabalho da economista pode ser definido como um guia para leitores estrangeiros de como funciona a gigante e intrigante economia do país. A autora não esconde sua visão otimista em relação às transformações chinesas, às perspectivas para o seu futuro e aponta erros de analistas externos.

“O Ocidente previu seis colapsos econômicos na China desde 1980. Nenhum ocorreu. Há quem diga que agora chegou a vez, mas não vejo elementos para sustentar essa previsão”, afirma Keyu Jin à Folha.

A pesquisa para o livro foi feita quando os efeitos do primeiro mandato de Donald Trump, de 2017 até 2021, eram sentidos. Agora, o republicano volta ao poder e promete acirrar mais a disputa entre os dois países, com aumento de tarifas para importação.

“A guerra comercial acabou globalizando as empresas chinesas”, afirma. “Foi um resultado não esperado. Elas tiveram que abrir novos mercados e passaram a produzir fora. Para o Brasil é uma oportunidade”, afirma.

Jin vê a potência asiática mais preparada do que no primeiro governo trumpista. Justifica que houve queda na dependência em relação ao mercado americano na comparação com 2017. O futuro presidente, segundo ela, foi o primeiro a trazer de maneira aberta a mensagem de que os “EUA estão tentando parar a China”.

A disputa entre as duas potências está no livro, mas não é isso o que o diferencia de tantos outros sobre o assunto. É no didatismo ao explicar aspectos peculiares da sociedade chinesa que a economista consegue servir de tradutora, como se propõe.

Faz isso no capítulo em que descreve o que define como o “caótico”, “tumultuado” e “subdesenvolvido” sistema financeiro do país. O Estado, explica ela, não apenas “regula os bancos mas também é proprietário principal” deles.

O país acumulou quedas no mercado de ações, registrou casos de inadimplência em bancos, mas nenhum desses eventos levou a colapsos financeiros e a contração da economia, relata. O “sistema imaturo”, nas palavras dela, foi quem tirou o país de crises. A boia de salvação estatal, porém, veio com seguidas punições aos responsáveis por erros.


Outra particularidade chinesa é o que ela chama de “economia dos prefeitos”, em que os administradores locais têm autonomia, acesso à crédito e competem ao captar empresas para suas regiões.

Em um regime sem eleição direta para esses cargos, o que leva os prefeitos a terem tanta ambição em fazer suas cidades crescerem? “Eles querem ser promovidos, alçar-se a cargos melhores em regiões mais ricas”, explica ela, que descreve a competição entre os burocratas como um dos fatores de sucesso da economia.

A relação próxima entre funcionários públicos e empresas gerou desvios, como casos de corrupção e crescimento da dívida interna. Os problemas são relatados por Jin, que critica alguns efeitos da mão pesada do Estado.

Há uma “necessidade de intervir constantemente a fim de preservar a estabilidade. Quanto mais intervém, mais cria distorções. No futuro, mecanismos de mercado precisarão ter mais peso do que o Estado”, escreve.

Ao mesmo tempo, ela vê nas análises mais negativas, principalmente vindas dos EUA e da Europa, uma falta de percepção “da cultura e das relações” no seu país.

Segundo ela, a força do Estado se alimenta da expectativa das pessoas. “É um contrato social implícito que precisa ser compreendido para se entender a economia e a sociedade chinesa como um todo.”

O livro não aborda temas relacionados a liberdades individuais e direitos humanos, sensíveis a Pequim, o que gerou questionamentos em resenhas publicadas no Ocidente.

“Se você escrever um livro sobre política monetária e economia dos EUA não será criticado por não tratar do que foi feito pelo país em guerras nos últimos 40 anos”, responde.

RAIO-X | Keyu Jin, 42

Economista chinesa autora do livro “A Nova China: Para Além do Capitalismo e do Socialismo”. Estudou em Harvard e é professora da London School of Economics.



Leia Mais: Folha

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Atlética do Curso de Engenharia Civil — Universidade Federal do Acre

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NOME DA ATLÉTICA

A. A. A. DE ENGENHARIA CIVIL – DEVASTADORA
Data de fundação: 04 de novembro de 2014

MEMBROS  DA GESTÃO ATUAL

Anderson Campos Lins
Presidente

Beatriz Rocha Evangelista
Vice-Presidente

Kamila Luany Araújo Caldera
Secretária

Nicolas Maia Assad Félix
Vice-Secretário

Déborah Chaves
Tesoureira

Jayane Vitória Furtado da Silva
Vice-Tesoureira

Mateus Souza dos Santos
Diretor de Patrimônio

Kawane Ferreira de Menezes
Vice-Diretora de Patrimônio

Ney Max Gomes Dantas
Diretor de Marketing

Ana Clésia Almeida Borges
Diretora de Marketing

Layana da Silva Dantas
Vice-Diretora de Marketing

Lucas Assis de Souza
Vice-Diretor de Marketing

Sara Emily Mesquita de Oliveira
Diretora de Esportes

Davi Silva Abejdid
Vice-Diretor de Esportes

Dâmares Peres Carneiro
Estagiária da Diretoria de Esportes

Marco Antonio dos Santos Silva
Diretor de Eventos

Cauã Pontes Mendonça
Vice-Diretor de Eventos

Kaemily de Freitas Ferreira
Diretora de Cheerleaders

Cristiele Rafaella Moura Figueiredo
Vice-Diretora Chreerleaders

Bruno Hadad Melo Dinelly
Diretor de Bateria

Maria Clara Mendonça Staff
Vice-Diretora de Bateria

CONTATO

Instagram: @devastadoraufac / @cheers.devasta
Twitter: @DevastadoraUfac
E-mail: devastaufac@gmail.com

 



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Empresa Júnior — Universidade Federal do Acre

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SOBRE A EMPRESA

Nome: Engenhare Júnior
Data de fundação: 08 de abril de 2022
Fundadores: Jefferson Morais de Oliveira, Gerline Lima do Nascimento e Lucas Gomes Ferreira

MEMBROS DA GESTÃO ATUAL

Nicole Costeira de Goés Lima
Diretora-Presidente

Déborah Chaves
Vice-Presidente

Carlos Emanoel Alcides do Nascimento
Diretor Administrativo-Financeiro

CONTATO

Telefone: (68) 9 9205-2270
E-mail: engenharejr@gmail.com
Instagram: @engenharejr
Endereço: Universidade Federal do Acre, Bloco Omar Sabino de Paula (Bloco do Curso de Engenharia Civil) – térreo, localizado na Rodovia BR 364, km 4 – Distrito Industrial – CEP: 69.920-900 – Rio Branco – Acre.



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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.

Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.

A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”

Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”

O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.

Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.

A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.

Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.



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