ACRE
5 anos após Covid fechar escolas, prejuízos persistem – 29/12/2024 – Educação
PUBLICADO
1 ano atrásem
Isabela Palhares
Em março de 2020, escolas e famílias foram surpreendidas com a ordem de suspensão das aulas presenciais por tempo indeterminado. De forma inédita, escolas do mundo todo foram fechadas para evitar o avanço do contágio por um novo vírus. Quase cinco anos depois, os estudantes brasileiros ainda convivem com os prejuízos dessa situação.
Um dos países que ficaram mais tempo com as escolas fechadas, o Brasil registrou queda nos principais indicadores de desempenho escolar. Mas especialistas apontam que o maior prejuízo acumulado no período é também o mais difícil de ser quantificado e recuperado, que foram aqueles no desenvolvimento de habilidades sociais, emocionais e até mesmo motoras.
Professores de educação infantil, por exemplo, relatam que as crianças que chegaram em 2024 na pré-escola (que são aquelas que nasceram no meio da pandemia e passaram os primeiros meses de vida em isolamento) apresentaram muitas vezes um comportamento diferente do habitual para alunos dessa idade. Muitas delas tinham dificuldade para brincar sem ajuda de adultos, para subir em brinquedos ou apresentavam atrasos na fala.
“Não temos estudos que sejam capazes de evidenciar ou dados que tragam de forma precisa os prejuízos para as crianças, mas eles são evidentes para quem trabalha com as crianças em sala de aula”, diz Marina Fragata, diretora de políticas públicas da FMCSV (Fundação Maria Cecília Souto Vidigal).
A fundação, que trabalha com primeira infância, conduziu um estudo em parceria com o Lapope (Laboratório de Pesquisa em Oportunidades Educacionais) da UFRJ, para investigar o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças.
O estudo comparou dados de habilidades das crianças que estão no 2º ano da pré-escola (com 5 anos de idade) entre os anos de 2019 e 2022. Nele, os pesquisadores identificaram perdas no desenvolvimento em linguagem, matemática e habilidades sociais e motoras.
As crianças que entraram na pré-escola em 2020 e 2021, ou seja, aquelas que tiveram menos tempo de aulas presenciais, apresentavam um déficit de aproximadamente dez meses de aprendizado em linguagem e de 11 meses de aprendizado em matemática. Esses alunos estão hoje no 4º e no 5º ano do fundamental e, sem que tenham recebido atividades consistentes de recuperação, podem ter carregado esses prejuízos até agora.
“As crianças na pandemia se desenvolveram num ritmo mais lento, carregando déficits em relação a crianças que não vivenciaram o período pandêmico. É um prejuízo que poderia ser resolvido com um programa forte de recuperação, mais tempo de aula, mas, infelizmente, sabemos que principalmente as crianças mais pobres não tiveram essa oportunidade”, diz Fragata.
Luana Santos, professora do anos iniciais do fundamental (do 1º ao 5º ano) na rede municipal de São Paulo, conta que os prejuízos são sentidos de formas diferentes em sala de aula.
“Sinto que as crianças chegam com mais dificuldade em aprender do que em anos anteriores, mas o mais desafiador é que elas parecem mais imaturas. Não conseguem seguir atividades simples da aula, como copiar algo da lousa ou escrever dentro da linha do caderno”, diz a docente, de 42 anos, que dá aula há 18.
Ela também relata que as crianças se frustram por não conseguirem fazer as atividades e acabam ficando estressadas e desmotivadas. “Depois da pandemia, eu precisei adaptar as lições, propondo coisas mais simples. Até com as mais velhas, muitas vezes as atividades são para ajudá-las a se familiarizar a segurar o lápis, desenhar dentro da linha. Elas não desenvolveram a coordenação motora fina na educação infantil.”
Para as educadoras, além do período afastadas da escola, as crianças também passaram a usar celular por mais tempo, e cada vez mais cedo, o que afetou o desenvolvimento. Pesquisas mostram que o uso excessivo de telas por crianças pequenas atrapalha a coordenação motora, a capacidade de concentração e pode até mesmo deixá-las mais agressivas.
“Por isso, essa iniciativa que está começando no país, de proibir o uso de celular nas escolas, é tão importante. Esse uso já acontecia, mas se intensificou muito durante a pandemia, especialmente nesses primeiros anos de vida, trazendo impactos até hoje”, diz Fragata.
Ex-diretora Global de Educação do Banco Mundial, Cláudia Costin destaca que o período de fechamento das escola prejudicou o desenvolvimento socioemocional de crianças e adolescentes trazendo impactos graves vistos até hoje na saúde mental dos estudantes.
“A escola não desenvolve apenas experiências cognitivas, mas ensina uma série de competências para a vida em sociedade. O período prolongado sem aulas presenciais prejudicou exatamente esse aspecto, e as crianças e adolescentes ainda sofrem com isso, têm dificuldade de resolver conflitos comuns para a idade, de lidar com frustração, de comunicar o que sentem”, diz.
Para ela, as melhores estratégias para enfrentar o impacto na saúde mental dos alunos são o fomento do ensino em tempo integral e a proibição ao uso de celular nas escolas —políticas que foram adotadas, ainda que tardiamente e em ritmo aquém do necessário.
“A estratégia de enfrentamento está correta, o diagnóstico da situação está posto e sabemos como podemos reduzir os prejuízos, mas precisamos que essas ações sejam desenvolvidas de forma mais rápida e que atinjam logo mais crianças e adolescentes. Não podemos perder ainda mais tempo.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
21 horas atrásem
4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
![]()
Relacionado
ACRE
Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
Relacionado
A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.
Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.
A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:
Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.
Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.
Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.
A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.
Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.
Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação
Relacionado
PESQUISE AQUI
MAIS LIDAS
ACRE21 horas agoProfessora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
JUSTIÇA18 horas agoSexta Turma mantém condenação por estupro de vulnerável apesar de pedido do MP pela absolvição
CONDENAÇÃO18 horas agoEmpresas terão de indenizar pescadores prejudicados pela construção de hidrelétrica no Rio Madeira
JUSTIÇA18 horas agoPagamento retroativo a servidores transpostos do extinto território de Rondônia é tema de repetitivo
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login