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A crescente disputa pelo gás ameaça derrubar o governo eslovaco – DW – 17/01/2025
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EslováquiaO primeiro-ministro Robert Fico provocou uma briga amarga com O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy sobre Recusa de Kyiv em renovar contrato para transportar gás russo para a Europa, que expirou no final do ano passado.
Fico causou choque em dezembro quando visitou Moscou e foi fotografado sorrindo ao lado Presidente russo Vladimir Putin – que ele disse ter sido “erroneamente demonizado” pelo Ocidente – na esperança de manter o fluxo de energia barata para a Eslováquia.
As travessuras otimistas de Fico incomodaram os parceiros europeus de Kiev e da Eslováquia.
A nível interno, a fúria tem vindo a aumentar, exacerbando a crise na coligação governamental e encorajando os partidos da oposição pró-Ocidente da Eslováquia a unirem-se numa tentativa de o destituir.
Porque é que o gás russo é tão importante para a Eslováquia?
Embora A decisão da Ucrânia de suspender o trânsito de gás russo não foi nenhuma surpresa, ainda assim atingiu duramente a Eslováquia.
As taxas de trânsito do gasoduto Eustream, que durante anos recolheu gás russo na fronteira entre a Ucrânia e a Eslováquia e o transportou para os centros austríacos, alimentavam Bratislava com um valor estimado – e muito necessário – de 500 milhões de euros anuais.
No entanto, Fico – tal como o anterior governo disfuncional pró-Ocidente da Eslováquia – nada fez para diversificar o fornecimento de gás do país, que continua dependente das importações russas.
Isto contrasta com a maioria dos outros UE Estados-membros, que têm se livraram dos suprimentos russos nos últimos três anos.
Disputa crescente entre Bratislava e Kyiv
Em vez disso, Fico culpa a Ucrânia, dizendo que a sua recusa em renovar o contrato de trânsito de gás fará disparar a conta do gás do seu país e ameaçará toda a economia da UE.
Chamou o líder ucraniano de mendigo e chantagista e ameaçou bloquear a ambição do seu país de aderir à UE e OTANsuspender as exportações de eletricidade e acabar com a ajuda aos refugiados ucranianos.
Por seu lado, Zelenskyy insiste que a Ucrânia não permitirá que a Rússia “ganhe milhares de milhões adicionais com o nosso sangue”. Ele também chamou a atenção para a miopia da atitude de Fico “esquemas obscuros com Moscou.”
Pouco apoio dos parceiros da UE
Os esforços de Fico para persuadir Bruxelas – normalmente alvo do seu desdém fulminante – a exercer pressão sobre Kiev tiveram pouco sucesso.
Além do mais, Fico conseguiu irritar os parceiros da Eslováquia na UE.
O ministro das Relações Exteriores do República Tchecavizinho da Eslováquia e historicamente o seu aliado mais próximo, observou que despejou gás russo “para que não tivéssemos que rastejar na frente de um assassino em massa”.
Oposição nas ruas
O caminho pró-Rússia de Fico não é novidade. Apelando à simpatia residual por Moscovo entre uma parte significativa da população, ele prometeu, no período que antecedeu as eleições gerais que o colocaram de volta ao cargo em outubro passado, a não enviar “uma única bala” à Ucrânia.
Desde então, ele se dedicou a em busca da “paz” na Ucrânia – amplamente visto como um meio de permitir que Moscovo estabeleça termos – criticando o apoio da UE a Kiev e rotulando qualquer pessoa com uma visão diferente de “fomentador da guerra”.
No entanto, a sua posição pró-Rússia aumentou agora protestos de rua em curso sobre as políticas autoritárias de seu governocom manifestações agora sob a bandeira “A Eslováquia é a Europa”.
Oposição no parlamento
Michal Simecka, líder do partido de oposição Eslováquia Progressista (PS), disse à DW que Fico está a trair o seu país.
“Este governo ameaça a nossa credibilidade junto dos parceiros da UE e da NATO”, alertou. “As pessoas na Eslováquia querem um futuro europeu. Definitivamente não querem ser atraídas para Moscovo.”
O flerte de Fico com Moscovo também agravou a tensão que tem vindo a agravar-se há meses dentro do governo de coligação de três partidos, que já viu a sua maioria encolher para 76 dos 150 assentos no parlamento.
Alguns legisladores de Hlas (um parceiro júnior da coligação de centro-esquerda) que já se recusaram a apoiar o governo em votações anteriores expressaram raiva contra O passeio de Fico em Moscou.
O Presidente Peter Pellegrini, um protegido de Fico e antigo líder do Hlas, está agora envolvido numa amarga guerra de palavras com o Primeiro-Ministro.
Na verdade, a crise da coligação tornou-se tão grave que Fico desafiou esta semana os seus parceiros a voltarem à linha sob a ameaça de desmantelar ele próprio o governo.
O gabinete do governo em Bratislava não respondeu a um pedido de comentário.
Partidos da oposição sentem cheiro de sangue
Não é novidade que a oposição sente cheiro de sangue.
Em 14 de Janeiro, exigiu um voto de desconfiança, acusando Fico – que desapareceu durante o Natal e o Ano Novo apenas para ser descoberto a passar férias num resort de luxo no Vietname – de negligenciar a governação e minar a política externa ao inclinar o país para a Rússia.
A votação de 21 de janeiro parece ser acirrada. Embora a coligação ainda goze formalmente de uma maioria de um assento, não está claro se será capaz de comandá-la.
Resultado incerto
Viera Zuborova, do Bratislava Policy Institute, sugeriu à DW que é improvável que a oposição ganhe o voto de desconfiança.
Os rebeldes Hlas sugeriram que não apoiarão a moção. No entanto, alertaram também que não aceitarão qualquer questionamento da adesão à UE e à NATO como âncora da política externa.
No entanto, com o comércio de cavalos em curso, Zuborova salientou que “a história prova que tudo é possível na política eslovaca”.
Se ocorrerem eleições antecipadas, as pesquisas sugerem uma disputa acirrada. As políticas controversas do governo ajudaram a mobilizar os eleitores liberais, tornando o PS actualmente o partido mais popular na Eslováquia, com um apoio de cerca de 23%.
O apoio ao partido de Fico, o Smer, está aquém dos 19%, graças a uma infinidade de gafes ministeriais e a um duro pacote fiscal concebido para reforçar os cofres públicos que parecem perigosamente vazios.
“Fico está usando a disputa do gás e a visita a Putin para desviar a atenção de seu fracasso em controlar a inflação ou em lidar com um sistema de saúde em colapso”, afirma Michal Simecka. “O número de pessoas que veem isso cresce a cada dia.”
No entanto, constituir um governo pró-Ocidente seria complicado. Ao longo dos anos, os partidos rebeldes da oposição da Eslováquia demonstraram repetidamente uma incapacidade inata de manter a disciplina.
Putin provavelmente preferiria que Fico permanecesse no comando. No entanto, mesmo que Fico caia, Moscovo terá alcançado o que os analistas consideram ser o seu objectivo mais amplo, nomeadamente espalhar o caos e a divisão dentro da UE.
Editado por: Aingeal Flanagan
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Professora publica livro sobre sítios naturais sagrados do povo Nukini — Universidade Federal do Acre
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4 de março de 2026A professora Renata Duarte de O. Freitas, do curso de Direito do campus Floresta da Ufac, lança o livro “Aldeia Isã Vakevu, do Povo Originário Nukini: Um Sítio Natural Sagrado no Coração do Juruá” (Lumen Juris, 240 p.). O evento ocorre neste sábado, 7, às 19h, no teatro dos Nauas, em Cruzeiro do Sul. Resultado de investigação científica, a obra integra a cosmologia indígena aos marcos regulatórios da justiça ambiental.
A pesquisa é fundamentada na trajetória de resistência do povo Nukini. O livro presta homenagem à memória de Arlete Muniz (Ynesto Kumã), matriarca, parteira e liderança espiritual que preservou os conhecimentos milenares do Povo da Onça frente aos processos de aculturação e violência histórica.
O texto destaca a continuidade desse patrimônio imaterial, transmitido de geração para geração ao seu neto, o líder espiritual Txane Pistyani Nukini (Leonardo Muniz). Atualmente, esse legado sustenta a governança espiritual no Kupixawa Huhu Inesto, onde a aplicação das medicinas da floresta e a proteção territorial dialogam com a escrita acadêmica para materializar a visão de mundo Nukini perante a sociedade global.
Renata Duarte de O. Freitas introduz no cenário jurídico eixos teóricos que propõem um novo paradigma para a conservação ambiental: sítios naturais sagrados, que são locais de identidade cultural e espiritual; direito achado na aldeia, cuja proposta é que o ordenamento jurídico reconheça que a lei também emana da sacralidade desses locais; e direitos bioculturais, que demonstram que a biodiversidade da Serra do Divisor é preservada porque está ligada ao respeito pelos sítios naturais sagrados.
Ao analisar a sobreposição de uma parte do território Nukini com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a obra oferece uma solução científica: o reconhecimento de que áreas protegidas pelo Estado devem ser geridas em conjunto com os povos originários, respeitando seus territórios sagrados.
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Em caravana, ministro da Educação, Camilo Santana, visita a Ufac — Universidade Federal do Acre
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25 de fevereiro de 2026A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, na Reitoria, campus-sede, a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, no âmbito da caravana Aqui Tem MEC, iniciativa do Ministério da Educação voltada ao acompanhamento de ações e investimentos nas instituições federais de ensino.
Durante a agenda, o ministro destacou que a caravana tem percorrido instituições federais em diferentes Estados para conhecer a realidade de cada campus, dialogar com gestores e a comunidade acadêmica, além de acompanhar as demandas da educação pública federal.
Ao tratar dos investimentos relacionados à Ufac, a reitora Guida Aquino destacou a obra do campus Fronteira, em Brasileia, que conta com R$ 40 milhões em recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A estrutura terá seis cursos, com salas de aula, laboratórios, restaurante universitário e biblioteca.
Abordando a visita, Guida ressaltou a importância da universidade para o Estado e a missão da educação pública. “A Ufac é a única universidade pública federal de ensino superior do Acre e, por isso, tem papel estratégico na formação e no desenvolvimento regional. A educação é que transforma vidas, transforma o país.”

Outro tema tratado durante a agenda foi a implantação do Hospital Universitário no Acre. Camilo Santana afirmou que o Estado é o único que ainda não conta com essa estrutura e informou que o governo federal dispõe de R$ 50 milhões, por meio do Novo PAC, para viabilizar adequações e a implantação da unidade.
Ele explicou que a prioridade continua sendo a concretização de uma parceria para doação de um hospital, mas afirmou que, se isso não ocorrer, o MEC buscará outra alternativa para garantir a instalação do serviço no Estado. “O importante é que nenhum Estado desse país deixe de ter um hospital universitário”, enfatizou.

Guida reforçou a importância do projeto e disse que o Hospital Universitário já poderia ser celebrado no Acre. Ao defender a iniciativa, contou que a unidade contribuiria para qualificar o atendimento, reduzir filas de tratamento fora de domicílio e atender melhor pacientes do interior, inclusive em casos ligados às doenças tropicais da Amazônia. Em tom crítico, declarou: “O cavalo selado, ele só passa uma vez”, ao se referir à oportunidade de implantação do hospital.
Após coletiva de imprensa, o ministro participou de reunião fechada com pró-reitores, gestores, políticos e parlamentares da bancada federal acreana, entre eles o senador Sérgio Petecão (PSD) e as deputadas Meire Serafim (União) e Socorro Neri (PP).
A comitiva do MEC foi formada pela secretária de Educação Básica, Kátia Schweickardt; pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica, Marcelo Bregagnoli; pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David; e pelo presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Arthur Chioro.
Laboratório de Paleontologia
Depois de participar de reunião, Camilo Santana visitou o Laboratório de Paleontologia da Ufac. O professor Edson Guilherme, coordenador do espaço, apresentou o acervo científico ao ministro e destacou a importância da estrutura para o avanço das pesquisas no Acre. O laboratório foi reformulado, ampliado e recentemente reinaugurado.

Aberto para visitação de segunda a sexta-feira, em horário de expediente, exceto feriados, o local reúne fósseis originais e réplicas de animais que viveram no período do Mioceno, quando o oeste amazônico era dominado por grandes sistemas de rios e lagos. A entrada é gratuita e a visitação é aberta a estudantes e à comunidade em geral.
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A Pró‑Reitoria de Graduação (Prograd) da Universidade Federal do Acre (Ufac) é o órgão responsável pelo planejamento, coordenação e supervisão das atividades acadêmicas relacionadas ao ensino de graduação. Sua atuação está centrada em fortalecer a formação universitária, promovendo políticas e diretrizes que assegurem a qualidade, a integração pedagógica e o desenvolvimento dos cursos de bacharelado, licenciatura e demais formações presenciais e a distância. A Prograd articula ações com as unidades acadêmicas, órgãos colegiados e a comunidade universitária, garantindo que os currículos e práticas pedagógicas estejam alinhados aos objetivos institucionais.
Entre as principais atribuições da Prograd estão a coordenação da política de ensino, a supervisão de programas de bolsas voltadas à graduação, a análise e encaminhamento de propostas normativas e a participação em iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior.
A Prograd é organizada em três diretorias, cada uma com funções específicas e complementares:
Diretoria de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino — responsável por ações estratégicas voltadas ao desenvolvimento de metodologias, à regulação e ao apoio pedagógico dos cursos de graduação.
Diretoria de Apoio à Formação Acadêmica — dedicada a acompanhar e apoiar as atividades acadêmicas dos estudantes, incluindo estágios, mobilidade estudantil e acompanhamento da formação acadêmica.
Diretoria de Apoio à Interiorização e Programas Especiais — voltada à gestão de programas especiais, políticas de interiorização e ações que ampliam o acesso e a permanência dos alunos em diferentes regiões.
A Prograd participa, ainda, de iniciativas que promovem a reflexão e o diálogo sobre o ensino superior, integrando docentes, estudantes e gestores em fóruns, encontros e ações que visam à atualização contínua dos processos formativos e ao atendimento das demandas sociais contemporâneas.
Com compromisso institucional, a Pró‑Reitoria de Graduação contribui para que a UFAC cumpra seu papel educativo, formando profissionais críticos e comprometidos com as realidades local e regional, garantindo um ambiente acadêmico de excelência e responsabilidade social.
Ednacelí Abreu Damasceno
Pró-Reitora de Graduação
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