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A crise da barragem de Kariba na Zâmbia é de desigualdade | Crise Climática
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Enquanto as discussões na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP29) em Baku sobre como financiar a acção climática continuam estagnadas, os sul-africanos estão a aprender que algumas “energias renováveis” podem não ser renováveis, afinal de contas, numa era de era climática.
Este ano, a Zâmbia e o Zimbabué sofreram uma grande seca que devastou ambos os países. Destruiu as colheitas e fez com que os caudais de água do Rio Zambeze atingissem um mínimo histórico.
Durante décadas, a barragem de Kariba, no rio, forneceu a maior parte da electricidade consumida na Zâmbia e no Zimbabué. Contudo, em Setembro, as autoridades zambianas assinalaram que, devido aos níveis de água extremamente baixos, apenas uma em cada seis turbinas na sua margem do lago poderia continuar a funcionar.
Cidades inteiras foram privadas de electricidade, por vezes durante dias a fio. O acesso esporádico à energia tornou-se a norma desde que, em 2022, o nível de precipitação recorde levou a um desequilíbrio flagrante entre o nível de captação de água no Lago Kariba – o maior reservatório de barragem do mundo – e o consumo de água pelos zimbabuenses e zambianos. Isto atingiu fortemente os agregados familiares urbanos, 75 por cento dos quais normalmente têm acesso à electricidade.
As zonas rurais também estão a sofrer com a redução dramática da precipitação. A Zâmbia está a viver a época agrícola mais seca em mais de quatro décadas. As províncias mais afectadas produzem geralmente metade da produção anual de milho e albergam mais de três quartos da população pecuária da Zâmbia, que sofre com pastagens devastadas e escassez de água.
O fracasso das colheitas e as perdas de gado estão a alimentar a inflação alimentar. A UNICEF informou que mais de 50.000 crianças zambianas com menos de cinco anos correm o risco de sofrer de emaciação grave, a forma mais mortal de desnutrição. A Zâmbia também tem lutado contra um surto de cólera, com mais de 20.000 casos notificados, à medida que o acesso à água se torna cada vez mais escasso. Esta é uma emergência de água, energia e alimentos ao mesmo tempo.
Embora muitos culpem as alterações climáticas por estas calamidades, o seu efeito sobre o clima apenas exacerbou uma crise já existente. Esta grave situação é a consequência de duas escolhas políticas inter-relacionadas que apresentam enormes desafios não apenas na Zâmbia, mas em grande parte de África.
A primeira é a priorização das áreas urbanas em detrimento das rurais no desenvolvimento. O coeficiente de Gini da Zâmbia – uma medida da desigualdade de rendimentos – está entre os mais elevados do mundo. Embora os trabalhadores nas cidades tenham muito mais probabilidades de ganhar salários regulares, as camadas mais pobres da população dependem do auto-emprego agrícola e dos caprichos do clima.
O enorme fosso entre ricos e pobres não é acidental; é intencional. Por exemplo, as reformas fiscais nas últimas décadas beneficiaram as elites urbanas ricas e os grandes proprietários rurais, deixando para trás os agricultores de subsistência e os trabalhadores agrícolas.
O resultado é que as crianças nas cidades da Zâmbia beneficiam de um acesso muito mais fiável a uma dieta adequada, água potável, electricidade e casas de banho do que os seus pares rurais. Se 15.000 crianças zambianas morrem anualmente nos distritos rurais devido a uma doença evitável como a diarreia e a Zâmbia tem tido durante décadas uma das taxas mais elevadas de subnutrição e atraso no crescimento em África, um preconceito pró-urbano nas políticas e nos orçamentos é o principal culpado.
Esse preconceito também é evidente em cobertura da actual crise, que se concentra nos moradores urbanos privados de electricidade devido aos cortes em Kariba, e não nos nove décimos da população rural da Zâmbia que nunca teve qualquer acesso à electricidade.
Em segundo lugar está a preferência duradoura de muitos governos africanos pela energia hidroeléctrica. Em grande parte do continente, a propensão para centrais hidroeléctricas é um legado colonial continuado com entusiasmo após a independência; A Zâmbia e a sua barragem de Kariba são exemplos disso.
As barragens podem fornecer controlo de cheias, permitir irrigação durante todo o ano e energia hidroeléctrica e, na era do aquecimento global, os seus reservatórios podem gerir eventos climáticos extremos enquanto a sua energia é renovável e limpa – ou assim afirmam os seus proponentes.
Nas últimas duas décadas, foram gastos milhares de milhões de dólares na modernização ou construção de barragens no Gana, na Libéria, no Ruanda, na Tanzânia, na Etiópia e noutros locais. Apesar da crise em Kariba, onde o reservatório não está em plena capacidade desde 2011, e nas centrais hidroeléctricas mais pequenas de Kafue Gorge, Lower Kafue Gorge e Itezhi-Tezhi Power Company, a Zâmbia também quer aumentar ainda mais a sua capacidade através da Projeto hidrelétrico Batoka Gorge de US$ 5 bilhões. Isto parece imprudente quando a tendência global é que as alterações climáticas estão a minar a produção de energia hidroeléctrica e a capacidade de irrigação.
Além disso, é importante enfatizar que os efeitos distributivos das barragens não são neutros. São construídos em zonas rurais, mas os seus principais beneficiários residem normalmente noutros locais. Embora as barragens forneçam, ou forneçam, electricidade relativamente fiável e acessível aos círculos eleitorais urbanos e aos interesses mineiros que são importantes para os governos, as pessoas e os ecossistemas nas proximidades do projecto sofrem frequentemente.
Kariba foi construída entre 1955 e 1959 pelas potências coloniais britânicas sem uma avaliação de impacto ambiental e causou o deslocamento de dezenas de milhares de pessoas de Tonga Goba que sofreu uma longa história de promessas quebradas relativas a compensação e reassentamento.
Eles, tal como os 90 por cento de outros zambianos rurais que não têm acesso à electricidade, historicamente não usufruíram dos despojos da barragem, enquanto sucessivos governos zambianos celebraram Kariba como um símbolo da nacionalidade zambiana e da fraternidade da África Austral.
As mudanças climáticas, como as grandes barragens, não afectam a todos igualmente. As crises simultâneas nos sistemas hídrico, energético e alimentar sublinham que na Zâmbia, e em muitos outros países africanos, devem ser tomadas decisões fundamentais com urgência.
Os moradores rurais não deveriam mais ser obrigados a suportar o peso do pagamento da dívida e da austeridade associada. Eles não podem ser obrigados a adaptar-se sozinhos à destruição climatológica e ao mal-estar económico mais amplo.
A Zâmbia e outros países africanos precisam de garantir que as zonas rurais e as suas necessidades em termos de acesso fiável e acessível à água, energia e alimentos sejam priorizadas. A vontade política e os orçamentos necessários para isso devem ser disponibilizados.
Os cortes de electricidade e as quebras de colheitas provocadas pela última seca, mais uma vez, apontam para as injustiças e os riscos associados ao preconceito urbano e às grandes barragens. O aquecimento global só irá agravar estas patologias – a menos que sejam tomados caminhos decididamente diferentes.
As opiniões expressas neste artigo são do próprio autor e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre
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1 de outubro de 2026O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.
A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.
A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.
“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”
Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”
Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”
(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)
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A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.
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