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A história por trás das prisões vazias da Holanda – DW – 20/10/2024

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Os EUA, a China, a Turquia e o Brasil são apenas alguns dos países que estão a colocar cada vez mais pessoas atrás das grades. Mas na Holanda a história é diferente. Algumas prisões vazias foram agora reaproveitadas como hotéis ou centros culturais.

Mas qual é a razão da queda da população carcerária do país? E é realmente a história de sucesso que parece ser? A DW examinou mais de perto alguns dos estudos e estatísticas.

Superando a tendência global

Um estudo realizado pelas Universidades de Leiden (Holanda) e Portsmouth (Reino Unido) constatou que o número de pessoas presas nos Países Baixos caiu de 94 por 100.000 cidadãos para 51 por 100.000 entre 2005 e 2016.

Embora a tendência descendente não tenha continuado desde então, números do Eurostat sugerem que a taxa de encarceramento se estabilizou neste nível baixo. Em 2021 e 2022 era de 54 por 100.000.

Isto faz dos Países Baixos um dos poucos países que viu a sua população carcerária diminuir. Plataforma de dados Resumo da Prisão Mundial (WPB) identificou uma tendência semelhante na Alemanha, no Liechtenstein, na Bulgária, na República Checa, na Roménia e nos Estados Bálticos.

Apenas um país viu a sua taxa de encarceramento cair mais dramaticamente do que a Holanda, e é a Rússia, onde as estatísticas do WPB apontam para uma diminuição de 59% desde 2000. Mas a razão para isso parece ser militar: muitos prisioneiros foram libertados para servir como soldados na guerra contra a Ucrânia.

Contudo, noutras partes do mundo, a tendência geral é para uma população prisional cada vez maior, com os números a explodirem em muitos países. Desde 2000, o número de prisioneiros aumentou 224% na América do Sul, 141% na Ásia e 84% na Oceânia.

Por que os números são tão baixos?

Há uma série de aspectos diferentes a considerar quando se examina a queda no número de prisioneiros nos Países Baixos, incluindo a política de condenação nos tribunais, a taxa global de criminalidade, o trabalho das autoridades judiciais, os custos do encarceramento e da ressocialização, e a situação jurídica geral.

O número de pessoas que recebem penas de prisão por parte dos tribunais diminuiu significativamente nos Países Baixos. Em 2005, os tribunais holandeses impuseram penas de prisão a cerca de 8.305 criminosos condenados. Dez anos depois, apenas 4.540 infratores foram mandados para a prisão. Estudos mostram que a diminuição das penas privativas de liberdade foi observada em todo o espectro de atividades criminosas.

Os crimes contra a propriedade registaram uma diminuição de 44% nas penas de prisão, os crimes violentos e os crimes sexuais registaram uma queda nas taxas de encarceramento de 39% e, nos crimes relacionados com drogas, a queda chegou a 49%. O número de pessoas encarceradas por não pagarem multa imposta pela Justiça diminuiu 38%.

Os Países Baixos também registam uma duração média invulgarmente baixa da pena privativa de liberdade. Os criminologistas da Universidade de Leiden observaram no seu estudo que metade de todos os que foram mandados para a prisão foram novamente libertados no espaço de um mês.

Em contrapartida, segundo um relatório da Universidade de Lausanne que analisou as taxas de detenção dos 46 membros do Conselho Europeu, apenas 5,2% dos reclusos passam menos de seis meses na prisão e cerca de 21,3% cumprem entre 12 meses e três anos.

Taxas mais baixas de prisão preventiva e queda na taxa de criminalidade

Outro factor importante nos Países Baixos é a diminuição do número de pessoas mantidas em prisão preventiva. O estudo mostra que 21.029 estiveram em prisão preventiva em prisões holandesas em 2005, tendo esse número caído para 13.350 em 2016 – uma diminuição de 37%.

No mesmo período — 2005 a 2016 — o número de crimes registados nos Países Baixos caiu de 1,35 milhões para 930 mil. Os crimes contra a propriedade diminuíram em 216 mil (-27%) e houve menos 32 mil crimes violentos (-26%).

Policial holandês
As taxas de criminalidade parecem estar a cair nos Países BaixosImagem: Remko de Waal/ANP/aliança de imagens

Mas as maiores quedas registaram-se no vandalismo e crimes contra a ordem pública (-50%) e nos crimes relacionados com drogas (-31%).

A taxa de criminalidade atingiu um mínimo histórico em 2018, com 770 mil crimes registados. Esse número aumentou novamente desde então, mas apenas ligeiramente – atingindo 798.000 em 2022.

Mais opções para promotores

Desde 2006, os procuradores públicos nos Países Baixos podem tratar de alguns casos sem o envolvimento de um juiz e até impor penas não privativas de liberdade, como multas ou serviços comunitários. É uma mudança que foi introduzida para agilizar o processo judicial e reduzir a carga de trabalho dos juízes.

A reforma significou que menos casos terminaram em tribunal, onde os suspeitos teriam de enfrentar uma possível pena de prisão. Isto, por sua vez, contribuiu para a queda geral no número de prisioneiros.

Investigações mais longas

Uma investigação dos criminologistas Judith van Valkenhoef e Edward van der Torre, publicada em 2017, levantou algumas dúvidas sobre até que ponto estas estatísticas representam uma história de sucesso para o sistema judicial holandês. O seu estudo aponta para outras questões, como investigações policiais ineficientes e falhas dos procuradores estaduais em levar os criminosos à justiça.

Argumentam que os Países Baixos se tornaram um importante centro para o mercado de drogas sintéticas e é provável que assim continuem sem acção política.

Para o professor Francis Pakes, da Universidade de Portsmouth, co-autor do relatório acima mencionado, as estatísticas não contam toda a história e o declínio geral da população prisional não é apenas o resultado de menos crimes cometidos. O estudo sugere que existem outros factores em jogo, como o menor número de casos processados ​​ou mesmo investigados. Ele cita a crescente influência da máfia das drogas nos Países Baixos como prova deste desenvolvimento.

Este artigo foi publicado originalmente em alemão.



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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

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Startup Day-2026 ocorre na Ufac em 21/03 no Centro de Convivência — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint) da Ufac e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Acre (Sebrae-AC) realizam o Startup Day-2026, em 21 de março, das 8h às 12h, no espaço Sebrae-Lab, Centro de Convivência do campus-sede. O evento é dedicado à inovação e ao empreendedorismo, oferecendo oportunidades para transformar projetos em negócios de impacto real. As inscrições são gratuitas e estão abertas por meio online.

O Startup Day-2026 visa fortalecer o ecossistema, promover a troca de experiências, produzir e compartilhar conhecimento, gerar inovação e fomentar novos negócios. A programação conta com show de acolhimento e encerramento, apresentações, painel e palestra, além de atividades paralelas: carreta game do Hospital de Amor de Rio Branco, participação de startups de game em tempo real, oficina para crianças, exposição de grafiteiros e de projetos de pesquisadores da Ufac.

 



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A lógica de valor da Thryqenon (TRYQN) é apoiar a evolução da economia verde por meio de sua infraestrutura digital de energia

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Com a aceleração da transição para uma economia de baixo carbono e a reestruturação do setor elétrico em diversos países, cresce a discussão sobre como a infraestrutura digital pode sustentar, no longo prazo, a evolução da economia verde. Nesse contexto, a plataforma de energia baseada em blockchain Thryqenon (TRYQN) vem ganhando atenção por propor uma estrutura integrada que combina negociação de energia, gestão de carbono e confiabilidade de dados.

A proposta da Thryqenon vai além da simples comercialização de energia renovável. Seu objetivo é construir uma base digital para geração distribuída, redução de emissões e uso colaborativo de energia. À medida que metas de neutralidade de carbono se tornam compromissos regulatórios, critérios como origem comprovada da energia, transparência nos registros e liquidação segura das transações deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos obrigatórios. A plataforma utiliza registro descentralizado em blockchain, correspondência horária de energia limpa e contratos inteligentes para viabilizar uma infraestrutura verificável e auditável.

A economia verde ainda enfrenta obstáculos importantes. Existe descompasso entre o local e o momento de geração da energia renovável e seu consumo final. A apuração de emissões costuma ocorrer de forma anual, dificultando monitoramento em tempo real. Além disso, a baixa rastreabilidade de dados limita a criação de incentivos eficientes no mercado. A Thryqenon busca enfrentar essas lacunas por meio de uma estrutura digital que integra coleta, validação e liquidação de informações energéticas.

Na arquitetura da plataforma, há conexão direta com medidores inteligentes, inversores solares e dispositivos de monitoramento, permitindo registro detalhado da geração e do consumo. Na camada de transações, o sistema possibilita verificação automatizada e liquidação hora a hora de energia e créditos de carbono, garantindo rastreabilidade. Já na integração do ecossistema, empresas, distribuidoras, comercializadoras e consumidores podem interagir por meio de interfaces abertas, promovendo coordenação entre diferentes agentes do setor elétrico.

O potencial de longo prazo da Thryqenon não está apenas no crescimento de usuários ou no volume de negociações, mas em sua capacidade de se posicionar como infraestrutura de suporte à governança energética e ao mercado de carbono. Com o avanço de normas baseadas em dados e reconhecimento internacional de créditos ambientais, plataformas transparentes e auditáveis tendem a ter papel relevante na transição energética e no financiamento sustentável.

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

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Bancos vermelhos na Ufac simbolizam luta contra feminicídio — Universidade Federal do Acre

A Ufac inaugurou a campanha internacional Banco Vermelho, símbolo de conscientização sobre o feminicídio. A ação integra iniciativas inspiradas na lei n.º 14.942/2024 e contempla a instalação, nos campi da instituição, de três bancos pintados de vermelho, que representa o sangue derramado pelas vítimas. A inauguração ocorreu nesta segunda-feira, 9, no hall da Reitoria.

São dois bancos no campus-sede (um no hall da Reitoria e outro no bloco Jorge Kalume), além de um no campus Floresta, em Cruzeiro do Sul. A reitora Guida Aquino destacou que a instalação dos bancos reforça o papel da universidade na promoção de campanhas e políticas de conscientização sobre a violência contra a mulher. “A violência não se caracteriza apenas em matar, também se caracteriza em gestos, em fala, em atitudes.”

A secretária de Estado da Mulher, Márdhia El-Shawwa, ressaltou a importância de a Ufac incorporar o debate sobre o feminicídio em seus espaços institucionais e defendeu a atuação conjunta entre universidade, governo e sociedade. Segundo ela, a violência contra a mulher não pode ser naturalizada e a conscientização precisa alcançar também a formação de crianças e adolescentes.

A inauguração do Banco Vermelho também ocorre no contexto da aprovação da resolução do Conselho Universitário n.º 266, de 21/01/2026, que institui normas para a efetividade da política de prevenção e combate ao assédio moral, sexual, discriminações e outras violências, principalmente no que se refere a mulheres, população negra, indígena, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ no âmbito da Ufac em local físico ou virtual relacionado.

No campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, a inauguração do Banco Vermelho contou com a participação da coordenadora do Centro de Referência Brasileiro da Mulher, Anequele Monteiro.

Participaram da solenidade, no campus-sede, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Filomena Maria Cruz; a pró-reitora de Graduação, Ednaceli Damasceno; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; a coordenadora do projeto de extensão Infância Segura, Alcione Groff; o secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal; a defensora pública e chefe do Núcleo de Promoção da Defesa dos Direitos Humanos da Mulher, Diversidade Sexual e Gênero da DPE-AC, Clara Rúbia Roque; e o chefe do Centro de Apoio Operacional de Proteção à Mulher do MP-AC, Victor Augusto Silva.

 



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