NOSSAS REDES

ACRE

A importância de não olhar só para a metade vazia do copo – 08/11/2024 – Poder

PUBLICADO

em

Não podemos nos iludir nem nos conformar. O Brasil é um país com sérios problemas estruturais e desafios conjunturais que precisam ser enfrentados. Há uma enorme desigualdade de renda e de oportunidades. Onde faltam água, energia, gás e saneamento básico, sobram violência urbana, trânsito e poluição. Os sistemas públicos de saúde e de educação não dão conta da demanda.

Admito que é difícil enxergar o copo meio cheio em algumas questões.

Não estamos gerando respostas capazes de deter a expansão e a institucionalização do crime organizado. Outro exemplo: até para restabelecer a credibilidade do Judiciário, é imperativo acelerar a retomada responsável da agenda anticorrupção.

Mas eu gostaria de fazer aqui uma provocação, deixando uma visão menos negativa sobre a realidade e o porvir.

Primeiro, porque o desânimo não faz justiça à maior parte da nossa população, que é esperançosa e se desdobra para construir um futuro melhor.

Segundo, porque o pessimismo fica a um passo da prostração, e isso interessa somente àqueles que não desejam que as coisas melhorem.

Terceiro, quem se acostuma a enxergar o copo meio vazio para de enxergar o copo todo. Daí a saltar para conclusões precipitadas, enviesadas e inconsistentes é um palito.

Peguemos a política como exemplo, mais especificamente as eleições municipais, que ainda estão fresquinhas na memória coletiva.

Durante boa parte do ano, prevaleceu a narrativa sombria e fatalista segundo a qual o pleito seria palco de uma batalha de rejeições e o apogeu do voto negativo, do voto “do contra”. E, no entanto, as urnas apontaram o contrário.

Houve um recorde histórico de prefeitos reeleitos —dos que tentaram, mais de 80% conseguiram. Uns dirão que as emendas parlamentares aumentaram o “custo de entrada” na disputa, atrapalhando a renovação. Mas esta foi a eleição mais vitoriosa de movimentos de oxigenação da política como o RenovaBR. E os extremistas “antissistema”? Quase todos sucumbiram.

Também foi dito que a polarização Lula vs. Bolsonaro estava irremediavelmente sedimentada na sociedade brasileira e que ela pautaria os resultados das eleições. De novo esqueceram de combinar com os eleitores.

Nem ocupando a Presidência a esquerda conseguiu crescer. E a direita, que conseguiu, saiu das urnas menos dependente de Bolsonaro, confirmando que o antipetismo é forte, mas explicitando que ele não tem dono.

Alguém pedirá aparte para apontar que também foram mal neste ano os partidos que desafiaram os dois polos e orbitaram em torno de uma alternativa (a “terceira via”) nas eleições anteriores.

De fato, se computarmos as maiores cidades (com mais de 200 mil eleitores), todas essas legendas diminuíram —do PSDB ao PDT, do PSB ao MDB inclusive. Mas os votos delas correram majoritariamente para siglas-pêndulo, sem ligação umbilical com nenhum dos dois polos. Essas siglas-pêndulo nunca estiveram tão fortes. As condições para um voo independente estão mais do que dadas.

Para não ficarmos apenas na política, tomemos a questão climática e os desastres ambientais que afligiram o país neste ano, das enchentes no Rio Grande do Sul às queimadas do Pantanal.

Alguém poderá lamentar o claro despreparo e/ou a inação do poder público para lidar com essas tragédias. Mas não é oportuno lembrar que foi por iniciativa do Brasil que a maior conferência mundial sobre o clima acontecerá, pela primeira vez, em solo brasileiro? E na Amazônia!

Alguém ressalvará que o governo federal não tem um plano estratégico para levar a essa COP, que ele hesita em fazer as lições de casa necessárias, que continua refém do dilema entre explorar ou não as reservas de combustíveis fósseis, que se perde olhando para o retrovisor em vez de mirar o que o para-brisa está mostrando.

Em contrapartida, a sociedade civil como um todo está respondendo à altura. Lideranças empresariais, num gesto inédito, se ofereceram para ajudar. Ciente dos riscos de uma crise hídrica, o agronegócio sentou à mesa para construir soluções. O debate da transição energética ganhou tração.

Nunca mobilizamos tanta tecnologia a serviço do monitoramento ambiental. E brasileiros que são referência no tema têm rodado o país e o mundo fazendo alertas consequentes. Um progresso: o negacionismo murchou, e quase ninguém mais refuta a importância dessa questão.

Àqueles que, corretamente, reclamam do dólar e dos juros altos, não vale uma contextualização histórica?

Em crises de confiança anteriores, o ataque especulativo ao real veio de fora. Não desta vez. Assim como o problema nasceu aqui no país, a solução está em nossas mãos.

Até as pedras sabem que, para o mercado se aquietar, basta o Planalto dar uma guinada e firmar um compromisso de responsabilidade fiscal. Os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet já deram a senha para isso. Merecem reconhecimento e apoio.

Aliás, há oito anos e três gestões diferentes, os times econômicos têm deixado um legado virtuoso e transformador.

A reforma trabalhista contribuiu para vermos hoje, ao mesmo tempo, um recorde de empregos de carteira assinada e um movimento dinâmico da economia empreendedora. Imaginem o rombo do caixa se a reforma da Previdência não houvesse sido aprovada.

A reforma tributária vem aí, para simplificar e tornar mais justa a cobrança de impostos. E tivemos o Pix, o maior programa de inclusão financeira do mundo —e, intuo, o maior programa de redistribuição de renda do país desde o Bolsa Família, ao isentar milhões de brasileiros de tarifas bancárias.

Como perder de vista esses e tantos outros avanços? E como não se inspirar neles para avançar ainda mais? Faz sentido ficar falando mal o tempo todo? No Brasil, o não conformismo é construtivo e otimista.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas-c.jpg

A Brinquedoteca da Ufac, inaugurada em 11 de fevereiro de 2016, localizada no Bloco Multidisciplinar, campus-sede, funciona como um Laboratório Pedagógico de Ensino, Pesquisa e Extensão para os cursos de licenciatura da instituição, tendo o jogo e as brincadeiras como elementos centrais do desenvolvimento infantil.

Atendendo crianças de 3 a 10 anos, o espaço contempla as comunidades interna e externa. O horário de funcionamento regular é de segunda a sexta-feira, no turno vespertino, das 13h30 às 17h30. No período matutino, o funcionamento depende da programação, que é divulgada previamente.

Entre as atividades desenvolvidas, estão: desenho e pintura (com tinta, lápis de cor e giz de cera); jogos teatrais e de tabuleiro; dança e confecção de brinquedos; contação de histórias e sessões de cinema com pipoca. Durante os eventos, o uso de smartphones é proibido.

Desde 2025, o espaço conta com o projeto de extensão Brincarte, coordenado pela professora Giane Lucélia Grotti, visando desenvolver, no Laboratório da Brinquedoteca, um ambiente de interação e socialização, estimulando habilidades sociais e culturais por meio de atividades lúdicas, e contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

O campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, também conta com uma brinquedoteca, inaugurada em 2025 e coordenada pela professora Adma de Oliveira Martins, com funcionamento de manhã e à tarde, atendendo crianças de 4 a 11 anos.

Confira mais informações sobre a Brinquedoteca da Ufac

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS