NOSSAS REDES

ACRE

Acre celebra 121 anos do Tratado de Petrópolis como marco de luta, memória e identidade na história do estado

PUBLICADO

em

Samuel Bryan

Em 17 de novembro de 1903 o Brasil ganhava um território que sonhava ser brasileiro, que lutou por sua soberania e que se tornaria um dos maiores símbolos de resistência nacional: o Acre. Celebrando 121 anos do Tratado de Petrópolis, o governo do Estado do Acre resgata com orgulho e emoção a trajetória de um povo que, contra todas as adversidades, conquistou o direito de ser parte da nação brasileira.

Tratado de Petrópolis fez o Acre ser brasileiro em 17 de novembro de 1903. Foto: Marcos Rocha/Sete

Assinado entre o Brasil e a Bolívia, o Tratado de Petrópolis selou o fim de disputas territoriais e trouxe para o Brasil uma região rica em recursos naturais e valores culturais únicos. Em meio à floresta amazônica – onde o seringalismo impulsionava a economia e despertava interesse internacional – brasileiros migrantes e seringueiros estabeleceram-se em terras oficialmente bolivianas. Essa ocupação não foi fácil nem sem embates: os acreanos, guiados por líderes como Plácido de Castro, protagonizaram a Revolução Acreana e insistiram em ser reconhecidos como brasileiros.

Com a mediação habilidosa do Barão do Rio Branco, o Tratado de Petrópolis garantiu que esse desejo se tornasse realidade, consolidando o Acre como parte do território nacional.

Barão de Rio Branco e signatários do Tratado de Petrópolis. Foto: Arquivo Histórico

Para o governador Gladson Cameli, lembrar essa história é essencial, não apenas por suas conquistas, mas também pelo compromisso de preservar a memória cultural e histórica para as gerações presentes e futuras.

“O Acre lutou para ser brasileiro e, hoje, nosso dever é contar essa história, manter viva a nossa identidade e honrar a coragem dos nossos antepassados”, declarou Cameli.

Governador Gladson Cameli celebra a memória da história acreana e fortalece espaços culturais. Foto: José Caminha/Secom

Museus, memória e cultura fortalecem legado da história acreana

Nos últimos anos, o governo do Estado empreendeu esforços para revitalizar os espaços que narram toda a história acreana, contribuindo para o fortalecimento do patrimônio cultural e histórico do estado. O Museu da Borracha, fundado em 1978 e situado no Centro de Rio Branco, é um dos principais símbolos dessa memória.

Com nove salas que remontam a momentos históricos da Revolução Acreana e dos ciclos da borracha, o museu foi revitalizado e, hoje, se apresenta como um ponto de encontro para o povo acreano, onde memórias e objetos da história são preservados e exibidos ao público.

Visitantes podem conhecer detalhes da casa de um seringueiro no Museu da Borracha. Foto: Cristian Raphael/FEM

“Este museu conta uma parte muito importante da nossa formação histórica, e as portas estão abertas para receber a população e visitantes”, afirma Minoru Kinpara, presidente da Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour (FEM).

Outro local emblemático é o Memorial dos Autonomistas, também no Centro de Rio Branco, que celebra a luta pela elevação do Acre à condição de Estado em 1962. O espaço abriga um mausoléu onde estão os restos mortais de José Guiomard dos Santos, o “Pai da Autonomia Acreana”, e sua esposa Lydia Hammes, reverenciando as articulações e movimentos políticos que permitiram ao Acre assumir sua identidade de estado.

Memorial dos Autonomistas guarda os restos mortais de José Guiomard dos Santos, o “Pai da Autonomia Acreana”. Foto: Ascom/FEM

Em cada detalhe do Memorial, a história e o orgulho acreano são mantidos vivos, lembrando aos visitantes que o Acre é o único estado brasileiro que conquistou o direito de ser parte do Brasil a partir de luta territorial.

O Museu dos Povos Acreanos e a memória viva de um povo

Há pouco mais de um ano, o governo do Acre entregou a primeira fase da revitalização do Museu dos Povos Acreanos, um projeto de grande importância cultural e turística para a região. Com um investimento de mais de R$ 16 milhões, viabilizado com recursos próprios e do Banco Mundial, o prédio histórico do antigo Colégio Meta foi transformado em um museu multifacetado e interativo, que reúne acervos etnográficos, arqueológicos e históricos do estado.

Há pouco mais de um ano, o governo do Acre entregou a primeira fase da revitalização do Museu dos Povos Acreanos. Foto: Pedro Devani/Secom

No Museu dos Povos Acreanos, a memória do estado é celebrada em diversos ambientes, como a Sala Chico Mendes e a Sala Floresta Acreana, que retratam o universo do seringueiro e a luta ambientalista, eternizando a imagem do mártir da floresta. A Sala das Personalidades, a Sala Interativa e outros espaços tecnológicos foram pensados para engajar o público e preservar o rico legado acreano.

“Esse é um ponto turístico que remete à nossa história e identidade. O museu é um presente para o povo acreano, uma homenagem ao que somos e ao que queremos preservar para o futuro”, destacou o governador Gladson Cameli.

Governador Gladson Cameli celebra tradição e cultura na inauguração do Museu dos Povos Acreanos. Foto: Diego Gurgel/Secom

O museu também conta com uma área de café, um auditório e uma praça interna, onde são realizadas apresentações artísticas e culturais, além de uma loja de artesanato, a Bem Acreano, que oferece produtos locais que valorizam a marca do Acre, como biojoias, itens de borracha, cerâmicas e souvenires que conquistam visitantes de todo o país.

Uma história milhares de anos antes que também faz sucesso

Muito antes do Tratado de Petrópolis e da Revolução Acreana, as terras acreanas já abrigavam civilizações antigas que deixaram marcas impressionantes na paisagem amazônica. Os geoglifos, misteriosas figuras geométricas escavadas no solo da região, são um testemunho da presença de povos indígenas que viviam no Acre muito antes da chegada dos europeus ao continente.

Pesquisador Graham Hancock, na série que mostra os geoglifos acreanos. Foto: Divulgação Netflix

Provando o quanto a história do Acre é fascinante em momentos diferenciados, em 2024, esses monumentos pré-históricos ganharam destaque mundial ao aparecerem na série Ancient Apocalypse, da Netflix, que apresenta o ator Keanu Reeves e o pesquisador Graham Hancock discutindo a importância dessas estruturas para a compreensão da história humana na Amazônia.

Para a arqueóloga do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Antonia Damasceno, o potencial de transformar os geoglifos acreanos em Patrimônio da Humanidade é imenso, mas requer comprometimento coletivo e conscientização. “Temos uma herança cultural e arqueológica de valor inestimável, mas precisamos nos apropriar dela. Isso significa educar as pessoas sobre a importância desses sítios e assegurar sua preservação para que possam se tornar um patrimônio da humanidade”, destacou Damasceno.

O fotojornalista Diego Gurgel, que contribuiu com fotografias nas pesquisas sobre os geoglifos e teve imagens creditadas no episódio da série, lembrou do convite do professor Alceu Ranzi e Denise Schaan para participar das pesquisas e fotografar os sítios arqueológicos encontrados no Acre.

Geoglifos ancestrais foram descobertos na região do Acre. Foto: Diego Gurgel/Secom

“A gente tem um potencial enorme, inclusive, estou escrevendo um livro para falar sobre as vantagens de ser um profissional de comunicação, de imagem, aqui na Amazônia. Mas esse potencial serve para todas as áreas, porque somos daqui e temos propriedade para guiar o turista aqui”, conta Gurgel.

A inclusão dos geoglifos na lista de Patrimônios Mundiais traria reconhecimento internacional e contribuiria para a proteção desses locais, além de atrair turistas e pesquisadores interessados em desvendar os mistérios da ocupação humana na Amazônia pré-colombiana. Essas formações são símbolos de um passado distante e misterioso, que continua a moldar a identidade do Acre e enriquecer a história do Brasil e do mundo.

A preservação da memória para as próximas gerações

Comemorar o Tratado de Petrópolis é, para o Acre, honrar uma história de luta e uma identidade única, que foi forjada com suor, coragem e sangue. Nesta data, o governo acreano se empenha para que o legado de nossos antepassados permaneça vivo, preservando o patrimônio cultural, recuperando espaços de memória e criando novas oportunidades de turismo e conhecimento histórico.

Visitas guiadas estão disponíveis nos museus. Foto: Neto Lucena/Secom

A cada visita ao Museu da Borracha, ao Memorial dos Autonomistas e ao Museu dos Povos Acreanos, além de tantos outros espaços culturais espalhados por todo o estado, acreanos e turistas têm a chance de reviver uma história que mostra ao mundo que o Acre não apenas é brasileiro: ele escolheu, lutou e conquistou o direito de ser Brasil.

Aos 121 anos do Tratado de Petrópolis, o Acre reforça seu papel na história nacional, mantendo viva a chama de um povo que, com orgulho e determinação, forjou sua identidade e sua luta em defesa da Amazônia e do Brasil.

Serviço

Museu dos Povos Acreanos
Avenida Epaminondas Jácome, Centro – Rio Branco
Funcionamento: de quarta a sexta, das 9h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h.

Museu da Borracha
Av. Ceará, n° 1144, Centro – Rio Branco
Funcionamento: de quarta a sexta, das 8h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.

Memorial dos Autonomistas
Avenida Getúlio Vargas, n° 309, Centro – Rio Branco
Funcionamento: De quarta a sexta, das 9h às 17h. Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.

Visualizações: 13



Leia Mais: Agência do Acre

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Brinquedoteca da Ufac oferece atividades lúdico-pedagógicas-c.jpg

A Brinquedoteca da Ufac, inaugurada em 11 de fevereiro de 2016, localizada no Bloco Multidisciplinar, campus-sede, funciona como um Laboratório Pedagógico de Ensino, Pesquisa e Extensão para os cursos de licenciatura da instituição, tendo o jogo e as brincadeiras como elementos centrais do desenvolvimento infantil.

Atendendo crianças de 3 a 10 anos, o espaço contempla as comunidades interna e externa. O horário de funcionamento regular é de segunda a sexta-feira, no turno vespertino, das 13h30 às 17h30. No período matutino, o funcionamento depende da programação, que é divulgada previamente.

Entre as atividades desenvolvidas, estão: desenho e pintura (com tinta, lápis de cor e giz de cera); jogos teatrais e de tabuleiro; dança e confecção de brinquedos; contação de histórias e sessões de cinema com pipoca. Durante os eventos, o uso de smartphones é proibido.

Desde 2025, o espaço conta com o projeto de extensão Brincarte, coordenado pela professora Giane Lucélia Grotti, visando desenvolver, no Laboratório da Brinquedoteca, um ambiente de interação e socialização, estimulando habilidades sociais e culturais por meio de atividades lúdicas, e contribuir para o desenvolvimento integral da criança.

O campus Floresta, em Cruzeiro do Sul, também conta com uma brinquedoteca, inaugurada em 2025 e coordenada pela professora Adma de Oliveira Martins, com funcionamento de manhã e à tarde, atendendo crianças de 4 a 11 anos.

Confira mais informações sobre a Brinquedoteca da Ufac

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Artigo de pesquisadores do Pavic-Lab aborda fidelidade de imagens — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Artigo de pesquisadores do Pavic-Lab aborda fidelidade de imagens-2.jpg

Pesquisadores do laboratório Pesquisas Aplicadas em Visão e Inteligência Computacional (Pavic-Lab), da Ufac, e do Laboratório Institucional de Pesquisa, Empreendedorismo e Inovação em Sistemas de Controle Automático, Automação e Robótica (Liecar), da Universidade Nacional de San Antonio Abad de Cusco, publicaram, em inglês, artigo na revista “Computers & Graphics” (vol. 139).

O artigo trata do problema da reconstrução de imagens de Alta Faixa Dinâmica (HDR) a partir de uma única imagem de Baixa Faixa Dinâmica (LDR) e propõe o SAFHDR, uma arquitetura baseada em U-Net composta pela DAMU-Net — que incorpora convoluções deformáveis ​​guiadas pelo Bloco de Atenção Otimizado e processamento multiescala eficiente via Bloco de Características Residuais Leve — e pelo Módulo de Agregação de Informações, dedicado a preservar a estrutura global da cena.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac realiza reunião final da comissão de transição para Reitoria — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac realiza reunião final da comissão de transição para Reitoria — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a reunião final da comissão de transição entre as gestões. O encontro, que ocorreu nesta segunda-feira, 10, na Reitoria, campus sede, foi marcado pela entrega simbólica das chaves da Reitoria pela reitora Guida Aquino ao reitor eleito para o quadriênio 2026-2030, Josimar Ferreira, e por uma mensagem de boa sorte à nova administração superior. Ele assume oficialmente a Reitoria da Ufac nesta quarta-feira, 12.

Guida desejou êxito ao reitor eleito e à equipe que estará à frente da universidade pelos próximos quatro anos. Como não poderá participar da transmissão de cargo, prevista para o dia 21, a reitora decidiu realizar a entrega simbólica das chaves durante a reunião.

Josimar Ferreira agradeceu e destacou sua trajetória de aprendizado na gestão universitária. Para ele, a continuidade do trabalho desenvolvido pelas diferentes administrações contribui para o fortalecimento institucional da universidade. “A Ufac é maior, nós somos o mesmo projeto”, disse. “A Ufac tem um papel muito forte com a sociedade acreana, de transformar vidas.” Segundo ele, a nova gestão trabalhará para colocar a universidade ainda mais à frente nos próximos quatro anos.

Também participaram da reunião a vice-reitora eleita e presidente da comissão de transição pela gestão atual, Almecina Balbino; o presidente da comissão de transição pela gestão vencedora, Marco Amaro; além de pró-reitores e membros da administração superior.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS