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Adolescente que teria matado bebê após ouvir voz no AC limpava arma no momento do crime

G1AC, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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O adolescente de 12 anos que matou a pequena Meline Ramalho, de 1 ano, com um tiro no rosto após ouvir a voz de um homem foi ouvido pela Polícia Civil nesta terça-feira (26), em Tarauacá, interior do Acre.

No depoimento, o menor confessou que limpava a arma do pai no momento que viu um homem vestido de preto na porta ordenando que matasse a criança. Ele contou que se negou, mas ao levantar da cadeira a arma teria disparado e acertado a menina.

O delegado responsável pelo caso, Valdinei Soares, leu parte do depoimento do menor sobre o crime.

“Estava sentado em um banco na sala limpando a espingarda quando a vítima veio se arrastando e ficou sentada bem próximo brincando com um objeto de plástico. Não prestou atenção se a arma estava municiada, que olhou pra porta de entrada e viu um homem em pé vestido de preto com o rosto coberto por um pano preto e pediu que matasse [a bebê], pois não poderia viver nesse mundo. Que ficou sem fala, mas depois conseguiu dizer que não faria aquilo e quando foi levantando a espingarda disparou e a jogou [menina] no chão”, relatou no depoimento.

Após perceber que a prima estava no chão ferida, o adolescente pediu socorro para uma irmã dele. Ele detalhou ainda que o homem sumiu após o disparo.

O crime ocorreu no último dia 13, em uma comunidade da zona rural de Tarauacá. O menor e os pais foram ouvidos na delegacia do município.

Versão

Ainda no depoimento, o adolescente afirmou que estava arrependido e que não tinha a intenção de atirar na menina. Porém, o delegado diz que não está totalmente convencido da versão.

“Falou aquilo mesmo, só o que mudou foi que não tinha intenção de atirar, mas não acreditei muito. Confessou que ouviu a voz, viu o homem, mas só quis dizer que não teve a intenção de atirar”, pontuou.

Soares acrescentou que não vai pedir avaliações psicológicas para o menor.

“Não tem distúrbio, conversei com ele, com o pai e a mãe e não tem problemas psicológicos. A única coisa que o pai disse foi que o menor tinha acesso fácil a espingarda, usava para caçar na comunidade”, afirmou.

Indiciamento pai

O delegado contou ainda que indiciou o pai do menor por porte ilegal e omissão de arma de fogo, já que o menino tinha livre acesso ao armamento. A família foi liberada e aguarda a conclusão das investigação em casa.

“O pai permitia que ele limpasse a arma e caçasse com ela. Então, tinha costume de ficar com essa arma nas mãos”, confirmou.

Soares afirmou que deve concluir as investigações na próxima semana, e que vai pedir a internação do menor. Segundo ele, o menino é calmo, só responde o que é perguntado e demonstrou arrependimento.

“Vou esperar o laudo do instituto de criminalística da arma, esperar alguma foto [da criança], que não trouxeram ainda. Vai ser pedido uma medida socioeducativa para ele. Vai ser imputado a ele o ato infracional de homicídio simples”, concluiu.

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