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Adulto se comportando mal é o que mais tem – 10/12/2024 – Joanna Moura

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Era 11h de domingo quando nos sentamos em família para um brunch num restaurante perto de casa. À mesa, quatro adultos e duas crianças, meus filhos, de cinco e dois anos.

O restaurante era grande e, àquela hora, ainda não estava lotado como costuma ficar lá pelo meio-dia, quando os jovens acordam de suas ressacas com sede de café orgânico com leite de aveia e torradas de fermentação natural com abacate e ovo poché. Havia, portanto, uma distância segura de pelo menos duas mesas entre nós e nossos vizinhos madrugadores de brunch mais próximos.

Mesmo assim, antevendo possíveis irritações diante de um programa tão imóvel logo no início do dia (quando a energia acumulada nas 10 horas de sono ainda não foi gasta), saquei imediatamente meu arsenal de livros de colorir e pedi a comida deles primeiro para aquietar os estômagos antes que se irritassem e resolvessem comandar o cérebro que, por enquanto, se ocupava com as já mencionadas distrações.

Comemos, rimos, conversamos. Os dois participavam vez ou outra, se metendo na conversa, ou interrompendo o assunto para pedir mais suco ou reclamar do garfo que havia ido ao chão.

Ao final da refeição, nossa paz foi de súbito interrompida por uma barulheira vinda do lado esquerdo do restaurante. Nossos olhos curiosos procuraram a origem da balbúrdia e encontraram um grupo a quatro mesas de distância. Formado por três moças e quatro rapazes, todos na faixa dos 30 anos, o grupo falava alto, ria alto, e zombava alto da garçonete.

“Pessoal mal-educado”, comentamos entre nós. Ao levantar para ir embora, passamos pelo grupo lhes oferecendo olhares de reprovação.

Não era a primeira, nem a centésima vez que eu presenciava adultos se comportando mal. Adulto se comportando mal, aliás, é o que mais tem. No som alto na madrugada, na furada de fila no banheiro da balada, no destratar do atendente da companhia aérea, na prepotência com o porteiro, no buzinar desnecessário, na cantada de mau gosto, no “você sabe com quem está falando?”.

Mas engraçado que nas muitas situações cotidianas que nos deparamos com adultos mal-educados, não vejo ninguém rotulando toda a categoria “adultos” de “monstrinhos”.

A verdade é que tem gente mal-educada de todas as idades, mas nada como um menino de quatro anos chorando num avião (e uma mãe que, ao contrário do que o tribunal da internet correu para concluir, respeitou a decisão da passageira que não quis trocar de assento) para fazer sair da toca todo o desprezo que sentimos por crianças e, claro, mães.

“Restaurante não é lugar de criança! Museu não é lugar de criança! Avião não é lugar de criança!”, eles bradam de boca cheia.

Me choca a naturalidade com que essas pessoas se sentem livres para destilar seu ódio contra um grupo específico de seres humanos, como se estivéssemos falando de animais (que, aliás, são alvo de bem menos maldizer). E se isso não te choca sugiro o simples exercício de voltar nas frases acima e substituir “criança” por qualquer outra minoria. Pois é, o nome disso é preconceito.

Falta a esse povo —além de noção— lembrar que adultos que sabem se comportar em público, um dia foram crianças que tiveram a oportunidade de ocupar espaços públicos.

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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