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Afeganistão: preso entre as alterações climáticas e a indiferença global | Crise Climática

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O mundo enfrenta uma crise climática e poucas nações sentem o seu impacto de forma mais aguda do que o Afeganistão. Atualmente é ficou em sétimo lugar no Índice de Adaptação Global Notre Dame dos países mais vulneráveis ​​e menos preparados para se adaptarem às alterações climáticas. A população do Afeganistão está envolvida num ciclo vicioso de inundações, secas, ondas de frio e calor e insegurança alimentar. Para um país com 11ª contribuição mais baixa per capita às emissões globais de carbono, a escala das consequências que enfrenta é uma injustiça trágica.

Em 2024, o Afeganistão sofreu graves inundações que devastaram terras agrícolas vitais nas províncias do norte, e centenas de pessoas foram mortas. Antes disso, o país foi assolado pela seca durante três anos consecutivos. As colheitas foram destruídas, deixando milhões de pessoas sem a sua principal fonte de rendimento e alimentação. E, no entanto, apesar do impacto cada vez mais visível das alterações climáticas no povo afegão, o país foi excluído da representação no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) – o principal mecanismo para a cooperação climática global – desde a tomada do poder pelos Taliban em Agosto. 2021. As principais fontes de financiamento para a adaptação climática também foram suspensas.

Na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas COP29, o país é mais uma vez excluído das negociações. Contudo, num passo positivo em direcção à inclusão, a Agência Nacional de Protecção Ambiental do Afeganistão foi convidado como convidado do país anfitrião e esperamos que tenha a oportunidade de apresentar o plano de acção climática actualizado do Afeganistão. O país também é representado por delegados de duas organizações da sociedade civil afegãs acreditadas como observadores.

Reter a assistência climática é punir a população afegã pelos actos dos seus líderes. As consequências são suportadas pelo povo e não pelas autoridades de facto. Está a ser negado ao Afeganistão o acesso ao Fundo Verde para o Clima, uma fonte crucial de financiamento para as nações em desenvolvimento se adaptarem aos efeitos das alterações climáticas. Esta exclusão atinge directamente os mais vulneráveis ​​no Afeganistão e ocorre numa altura em que o apoio internacional ao Afeganistão em geral está a diminuir rapidamente.

A necessidade de intervenção é urgente. Um total 12,4 milhões as pessoas sofrem de insegurança alimentar aguda e quatro milhões de pessoas, incluindo 3,2 milhões de crianças com menos de cinco anos, sofrem de subnutrição aguda, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM). Os agricultores necessitam de sistemas de irrigação sustentáveis ​​e de culturas mais resilientes, e as comunidades necessitam de uma maior preparação para catástrofes. Sem estes investimentos, a pobreza irá agravar-se e milhões de pessoas enfrentarão uma crise humanitária ainda mais grave. As mulheres e crianças que já sofrem o peso da insegurança alimentar serão as que mais sofrerão. A agricultura emprega mais mulheres do que qualquer outro sector económico do país e, ao excluir o Afeganistão do financiamento climático, a comunidade internacional está, na verdade, a punir aqueles que prometeu proteger.

A relutância dos governos predominantemente ocidentais em se envolverem com os talibãs não deve ocorrer à custa do povo afegão. Especialistas e ONG propuseram estratégias concretas para garantir que o financiamento climático chegue ao povo afegão sem legitimar os talibãs, por exemplo, através de parcerias de ONG internacionais e nacionais. A comunidade internacional deve ouvir as suas recomendações e comprometer-se a encontrar estratégias construtivas e de longo prazo para prestar apoio.

A ciência é clara: se nada for feito, os problemas do Afeganistão com secas e inundações só irão piorar. O Afeganistão teve o maior número de crianças deslocadas por condições climáticas extremas em 2023, mais de 700.000, de acordo com o Centro de Monitorização dos Deslocados Internos. Ainda no mês passado, o PMA alertou que a persistência dos padrões climáticos La Nina durante o Inverno de 2024 provavelmente levará a menos chuva e neve no Afeganistão, comprometendo a próxima colheita de trigo e empurrando ainda mais pessoas para a fome.

As alterações climáticas não conhecem fronteiras e a comunidade internacional deve demonstrar solidariedade para com os mais vulneráveis. Não podemos dar-nos ao luxo de virar as costas ao Afeganistão. Cada dia de inacção aprofunda o desastre climático no Afeganistão.

Este artigo foi coautor de:

Abdulhadi Achakzai, ativista climático participante da COP29 e diretor da Organização de Desenvolvimento e Treinamento em Proteção Ambiental

Dr. Assem Mayar, pesquisador de pós-doutorado em mudanças climáticas

Charles Davy, diretor administrativo, Afghanaid

Klaus Lokkegaard, chefe do secretariado, DACAAR

Nasr Muflahi, diretor nacional Afeganistão, Pessoas Necessitadas

As opiniões expressas neste artigo são dos próprios autores e não refletem necessariamente a posição editorial da Al Jazeera.



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PZ e Corpo de Bombeiros fazem curso de combate a incêndio florestal — Universidade Federal do Acre

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O Parque Zoobotânico (PZ), da Ufac, e o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) realizaram o curso Brigada de Incêndio Florestal, ministrado pelo Sargento Filipe Lima. A capacitação ocorreu na quinta-feira, 10, e sexta-feira, 11, no PZ, campus-sede, reunindo 35 participantes de setores da universidade, dos cursos de Engenharia Florestal, Biologia e Geografia, do doutorado da Rede Bionorte e da comunidade externa, que receberão certificado emitido pelo CBM-AC.

O primeiro dia foi de aulas teóricas sobre conceitos fundamentais, como triângulo do fogo, diferentes tipos de incêndio e técnicas de prevenção. No segundo dia ocorreram atividades práticas, com manuseio e manutenção de equipamentos de combate a incêndio, além de exercícios de campo simulando situações reais de combate e prevenção a incêndios florestais.

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O diretor do PZ, Harley Araújo da Silva, destacou que a iniciativa tem relação direta com os mais de 188 hectares de área florestal do campus-sede, tendo o PZ como o maior fragmento de floresta preservada. “Formar brigadistas preparados para atuar na prevenção e no combate a incêndios florestais é parte essencial do cuidado com esse patrimônio ambiental, tanto para a universidade quanto para as comunidades do entorno.”



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V Simpósio de Ciências Ambientais da Amazônia Sul Ocidental e o II Simpósio de Ciências Agrárias do Vale do Juruá

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Livro reúne pesquisas da Ufac sobre teatro e saberes da floresta — Universidade Federal do Acre

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O professor, pesquisador e artista Flavio da Conceição, da Ufac, organizou o livro “Teatro do Oprimido e as Pedagogias das Florestas” (Mundo Contemporâneo; Edufac, 452 p.), que foi lançado na sexta-feira, 11, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

A obra é resultado de cerca de dez anos de pesquisas desenvolvidas na universidade, reunindo experiências que relacionam a metodologia teatral aos conhecimentos tradicionais da Amazônia. “Apresentamos o Acre como produtor de conhecimento e como semente de um pensamento que pode inspirar outros professores e artistas no resto do Brasil e do mundo”, afirmou Flavio.

As pesquisas que deram origem ao livro começaram após a chegada do professor ao Acre e à Ufac, em 2017. O contato com experiências amazônicas, estudantes filhos de seringueiros e indígenas e conhecimentos tradicionais da floresta levou o pesquisador a rever sua prática com o método Teatro do Oprimido, idealizado por Augusto Boal. A partir dessas vivências, os projetos passaram a investigar como a metodologia poderia ser afetada por esses saberes.

Os estudos teóricos e práticos foram desenvolvidos pelo programa de pesquisa e extensão Gesto da Floresta, criado e coordenado por Flavio através de projetos de iniciação científica e extensão. As atividades envolveram comunidades periféricas de Rio Branco, como Calafate e Cidade do Povo, parcerias com comunidades tradicionais hunikuin e shanenawa e experiências relacionadas ao santo-daime, à Barquinha e à ayahuasca.

Estudantes de graduação e pós-graduação participaram dos projetos e das pesquisas e alguns assinam artigos na publicação. O trabalho também contou com a contribuição de parceiros de outras cidades, países e territórios. Para o organizador, os alunos são coautores das experiências que contribuíram para a construção da proposta das pedagogias das florestas.

Antes da programação em São Paulo, o livro foi apresentado em 3 de setembro, no Rio de Janeiro, durante a 12ª Jornada Internacional de Teatro do Oprimido e Universidade. As atividades integram o projeto Gesto Semeando Cidadania, que conta com apoio do Pulitzer Center.



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