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Afinação perfeita: por que ouvir críquete no rádio acalma um mundo que não ouve sentido | Grilo

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Tom Hawking

MMeu pai era um homem de sua geração, o que significava que quando o verão chegou e a temporada de críquete começou, ele insistiu em silenciar a cobertura do Channel Nine e, em vez disso, colocar no máximo os comentários de rádio da ABC.

Nosso relacionamento era complicado, mas uma coisa pela qual serei eternamente grato foi a maneira como meu pai compartilhou comigo seu amor pelo teste de críquete. Eu cresci obcecado por críquete. Meu amor pelo jogo sobreviveu à infância, à adolescência e até mesmo à percepção de que, como eu estava rebatendo o número 11 para os sub-12 do South Melbourne, meu sonho de abrir as rebatidas para a Austrália dificilmente seria realizado.

E embora as razões da aversão de meu pai à atmosfera colegiada dos comentários de Nove permaneçam um mistério, fico feliz que ele tenha insistido nos comentários da ABC, porque isso fez com que o rádio e o críquete se tornassem sinônimos para mim.

Então, corri para o carro quando minha mãe me pegou na escola, desesperada para ligar o rádio – geralmente para ouvir que os grandes times das Índias Ocidentais da década de 1980 haviam mais uma vez devastado a ordem de rebatidas australiana. Ouvi na praia em 1989 enquanto Allan Border virava o jogo nos Windies com seu giro de braço esquerdo, acertando 11 postigos no caminho para uma famosa vitória do SCG. E sintonizei meu Walkman alguns anos depois, quando um garoto gordinho de Sandringham fez sua estreia no teste – e teve suas pernas quebradas por todo o parque.

Aldeões jogam críquete crepuscular em um município 70 km ao sul de Srinagar, capital de verão da Caxemira. Fotografia: Xinhua/REX/Shutterstock

Quando minha vida me tirou da Austrália, sempre foi mais fácil encontrar críquete no rádio do que na TV. Sentei-me em meu quarto em Londres e ouvi com crescente descrença VVS Laxman elaborando sua obra-prima durante a famosa vitória da Índia em Eden Gardens em 2001. Quatro anos depois, enquanto morava na Índia, consegui um stream questionável da BBC para ouça a Inglaterra recuperar as Cinzas.

Sempre que me encontrava em casa durante o verão, aproveitava a oportunidade para visitar o Melbourne Grilo Chão. Aconteça o que acontecer, o segundo dia do teste do Boxing Day sempre foi meu dia no críquete. Mesmo assim, a força de décadas de hábito adquirido significava que eu ligaria o rádio nos outros dias, em vez de tentar descobrir onde encontrar a transmissão da TV.

Henry Blofeld e a equipe especial da partida de teste da rádio BBC na caixa de comentários do Lord’s. Fotografia: Rebecca Naden/PA Archive/PA Images

E agora, duas décadas depois, estou sentado numa nova casa no Brooklyn, olhando para uma rua escura e molhada, imaginando se algum dia nevará novamente e ouvindo o grilo.

A nostalgia é o mais sedutor dos venenos, mas ouvir a Austrália tocar Índia no rádio parece uma ligação pequena, mas vital, com uma época em que o mundo parecia fazer algum sentido. Uma era perdida de dias de preguiça marcados por comentários de críquete no rádio, fundindo-se com o som distante das ondas quebrando e das cigarras que começaram a cantar uma hora antes dos tocos.

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Esses anos parecem impossivelmente distantes no inverno de descontentamento da América. Como muitos neste país, dou comigo a contemplar o fim de um ano difícil e a chegada iminente de um que provavelmente não trará nada melhor. A sensação de possibilidade que uma vez veio com um futuro que parecia não escrito já se foi há muito tempo, substituída por uma sensação incômoda de pavor e um medo de que, se alguma coisa mudar, só mudará para pior.

Tudo muda, até mesmo os comentários sobre o críquete. Com o passar dos anos, o mesmo aconteceu com as vozes no rádio. Os nomes dos jogadores mudaram à medida que as carreiras começaram, floresceram e terminaram. Até os ritmos sutis do próprio jogo evoluíram. Hoje em dia temos Provas decididas em dois dias, algo que seria impensável para o meu pai e para a sua geração. Até a maneira como ouço mudou: o estalo do humilde rádio transistor foi substituído há muito tempo pelo som cristalino de uma transmissão na Internet.

Mas o experiência de escuta permanece: um prazer tranquilo e simples, uma âncora para uma vida peripatética, uma fonte de certeza – ou algo que parece certeza – em um mundo que parece cada vez mais incerto. Aí vem McDermott/ McGrath/ Starc. Três deslizamentos e um barranco. No meio, no meio. Capa, capa extra. Perna quadrada profunda para trás. A multidão ruge.



Leia Mais: The Guardian

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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2026.09.30 Reunião Consu-Ufac (2).JPG

O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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