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África ainda é um continente desconhecido para brasileiros – 15/12/2024 – Bianca Santana

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“De um reino distante eu vim, Nigéria, Congo, Benin, do fundo de um porão escuro atravessei o negro oceano sem fim. Tudo que eu tinha deixei, em Porto Novo embarquei, sete voltas na árvore do esquecimento eu dei”. Quem já viu a abertura do carnaval de São Paulo, na sexta-feira, já ouviu Negro Mar, do Ilú Obá de Min.

As centenas de mulheres, em uma tradição de blocos afro inaugurada pelo baiano Ilê Aiyê, espalham com seus tambores um conhecimento que, antes da lei 10.639, de 2003, dificilmente se encontrava nas escolas. Ainda hoje, a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira é um desafio que não se pode enfrentar somente no 20 de novembro.

Há cada vez mais obras literárias, recursos didáticos e formação de professores para apoiar o compromisso legal das escolas e redes de ensino. Materiais que também podem nutrir a defasagem de quem já saiu da escola —como eu e você.

Uma obra importante, mas que tive dificuldade de saber por onde começar a leitura, é a coleção História Geral da África— seus oito volumes—, publicada pela Unesco e impressa no Brasil pelo MEC (Ministério da Educação) em 2010, disponível para download e consulta gratuitas na Internet. Cada volume trata de um período histórico de todo o continente. E mesmo que eu tenha tentado ler sobre as revoluções africanas, por exemplo, um país seguido do outro, eu não conseguia aprender.

Até que, antes de uma viagem, encarei todos os volumes em sequência, nos capítulos que tratavam da Etiópia. Além de ter aprendido o básico, coletei as referências que me permitiram aprofundar em determinados aspectos da história do chifre africano e do único país do continente que não foi colonizado.

Ano passado, comecei a leitura dos capítulos que tratavam do norte da África, e este ano dei atenção especial ao Saara e à Argélia.

Os diferentes povos originários do norte da África são chamados amazigh —pessoas livres e nobres. Bérbere, de bárbaro, não civilizado, é a forma pejorativa repetida desde o fim do Império Romano.

Amazigh é também uma língua, na verdade um tronco linguístico, onde está o Tamazight, um dos idiomas oficiais da Argélia desde 2016, além do árabe e do francês. Edifícios públicos, laterais de ônibus e algumas lojas apresentam caracteres dos três alfabetos.

Os árabes se espalharam pelo norte da África, com sua língua e a religião islâmica, no século oito. E enfrentaram resistência.

Ao pesquisar essa resistência, me deparei com Kahena, rainha amazigh. Por anos, ela liderou tropas que resistiram à dominação árabe. Kahena significa feiticeira, afinal, o que mais poderia explicar a vitória bélica de uma mulher? Diziam que ela se comunicava com os pássaros e deles tinha as informações de como os inimigos se movimentavam. Há uma estátua que a celebra em meio ao deserto do Saara.

Kahena se soma à lista de rainhas africanas que conheço, também, graças ao Ilú Obá de Min: “Rainha Makeda, Etiopia”. Rainha Nzinga, de Angola. Rainha Yaa Asantewaa, do Reino Ashanti de Gana”.

Na livraria do aeroporto de Argel, um livro do ano 2000 sobre Kahena pulou no meu colo. A edição bilíngue, em francês e tamazight, foi escrita por Moh Cherbi e Thierry Deslot, ilustrada por Tarik Bellahcene. Fiquei tão eufórica, que o livreiro celebrou comigo, cobrando menos dinares que o anunciado.

Como parte da iniciativa Todas, a Folha presenteia mulheres com três meses de assinatura digital grátis.


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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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Consu aprova comissão para destinar cotas a pessoas transgênero — Universidade Federal do Acre

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O Conselho Universitário (Consu) da Ufac aprovou a criação de uma comissão para elaborar a proposta de cotas de acesso à graduação para pessoas transgênero, que é uma pauta da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), recentemente criada com o objetivo de expandir políticas de inclusão na universidade. A aprovação ocorreu nessa quarta-feira, 30, na 5ª Reunião Ordinária do Consu, realizada no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, campus-sede.

A Ufac já possui regulamentação que garante o acesso por cotas à comunidade transgênero na pós-graduação desde 2023. A proposta aprovada pelo Consu busca ampliar esse direito para a graduação, assegurando não apenas a entrada, mas também o acompanhamento para permanência de estudantes até a conclusão dos cursos.

A comissão terá prazo de 90 dias para realizar os estudos e apresentar a minuta final do projeto. O grupo terá formação intersetorial, reunindo representantes das três categorias acadêmicas: docentes, técnico-administrativos e discentes, além de representantes de entidades e movimentos sociais da sociedade civil voltados aos direitos da população transgênero no Acre.

“Reafirmamos nosso compromisso ao instituir a comissão que vai deliberar sobre as cotas trans”, disser o reitor Josimar Ferreira. “Trata-se de uma ação demandada pela sociedade para incluir populações historicamente invisibilizadas, garantindo que as ações afirmativas façam parte da história do nosso conselho.”

Segundo a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Letícia Mamed, a política visa transformar a realidade de um dos grupos mais marginalizados socialmente. “Precisamos atentar para a garantia de acesso, permanência e dignidade para que essa comunidade possa construir seus projetos de vida com mais oportunidades”, comentou. “No Brasil, cerca de 30 universidades já adotam políticas semelhantes, e a Ufac dá um passo essencial para consolidar essa transformação.”

Integrante do Consu, a professora Raquel Ishii ressaltou que a comissão foi criada para ir além da gestão superior da universidade. “Considero essa aprovação uma grande vitória para a sociedade civil e para a universidade. A comissão amplia o debate da pós-graduação para a graduação. Trata-se de um grupo bem amplo, constituído não só pela gestão, mas com convites abertos ao Diretório Central dos Estudantes e a movimentos sociais externos à universidade.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

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SAE-CZS — Universidade Federal do Acre

A Diretoria Geral do Campus Floresta (DG-Camp), por meio do Setor de Assistência Estudantil (SAE-CZS), comunica a suspensão do Restaurante Universitário nesta segunda-feira, 28, para o Campus Floresta, em decorrência do ponto facultativo decretado pela Reitoria por meio da Portaria n.º 3.914, de 24/09/2026, em virtude da celebração do Aniversário do município de Cruzeiro do Sul (AC).
Contamos com a compreensão de toda a comunidade acadêmica.

 



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