POLÍTICA
Ainda há esperança | VEJA
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11 meses atrásem
rprangel2004@gmail.com (Ricardo Rangel)
“Eu vou ser um problema para eles, preso ou morto”, disse Jair Bolsonaro em Copacabana no domingo.
É cedo para saber se Bolsonaro preso será um problema para “eles” (sejam quem forem). O que se sabe é que Bolsonaro solto é um problema para o Brasil: deixar golpista impune é a certeza de que novos golpes serão tentados.
O comício, travestido de defesa da anistia para o 8 de Janeiro, era parte do esforço para deixar Bolsonaro impune. Seu fracasso — só quem acha que a manifestação foi sucesso é a PM do governador bolsonarista Claudio Castro (cuja habilidade com números é tão ruim quanto sua habilidade no combate ao crime) — reduziu ainda mais as já pífias chances de o projeto dar certo.
“A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E se me deixarem solto, viro presidente de novo”, disse Lula em 2016.
Não foi morto nem virou mártir; foi preso, mas só virou herói para quem já era fã. Virou presidente em 2022, mas apenas porque a alternativa era ainda pior (mesmo assim, quase perdeu).
É interessante como Lula e Bolsonaro, que representam coisas bem diferentes, manejem a mesma gramática populista, do vitimismo, da autoglorificação, do uso dos sujeitos indeterminados para se referir a inimigos ocultos, da predestinação.
Além de populistas, são arcaicos. Lula pertence a uma esquerda desenvolvimentista superada há mais de 50 anos; Bolsonaro finge pertencer à direita troglodita da época da ditadura, mas na verdade pertence a uma direita troglodita do século XVII.
Ambos têm uma visão preconceituosa contra minorias que volta e meia reaparece: de maneira exuberante no caso de Bolsonaro; de maneira inadvertida (como na semana passada em relação a Gleisi Hoffman) no caso de Lula.
Os dois — Lula com a popularidade em queda livre, Bolsonaro às portas da cadeia — estão seus piores momentos até hoje.
Dá até para a gente ter uma esperança, pequena que seja, de eleger em 2026 alguém capaz de dar um pouco de tranquilidade e rumo ao país.
(Por Ricardo Rangel em 17/03/2025)
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POLÍTICA
A articulação para mudar quem define o teto de jur…
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9 meses atrásem
5 de maio de 2025Nicholas Shores
O Ministério da Fazenda e os principais bancos do país trabalham em uma articulação para transferir a definição do teto de juros das linhas de consignado para o Conselho Monetário Nacional (CMN).
A ideia é que o poder de decisão sobre o custo desse tipo de crédito fique com um órgão vocacionado para a análise da conjuntura econômica.
Compõem o CMN os titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento e da presidência do Banco Central – que, atualmente, são Fernando Haddad, Simone Tebet e Gabriel Galípolo.
A oportunidade enxergada pelos defensores da mudança é a MP 1.292 de 2025, do chamado consignado CLT. O Congresso deve instalar a comissão mista que vai analisar a proposta na próxima quarta-feira.
Uma possibilidade seria aprovar uma emenda ao texto para transferir a função ao CMN.
Hoje, o poder de definir o teto de juros das diferentes linhas de empréstimo consignado está espalhado por alguns ministérios.
Cabe ao Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), presidido pelo ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, fixar o juro máximo cobrado no consignado para pensionistas e aposentados do INSS.
A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, é quem decide o teto para os empréstimos consignados contraídos por servidores públicos federais.
Na modalidade do consignado para beneficiários do BPC-Loas, a decisão cabe ao ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias.
Já no consignado de adiantamento do saque-aniversário do FGTS, é o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que tem a palavra final sobre o juro máximo.
Atualmente, o teto de juros no consignado para aposentados do INSS é de 1,85% ao mês. No consignado de servidores públicos federais, o limite está fixado em 1,80% ao mês.
Segundo os defensores da transferência da decisão para o CMN, o teto “achatado” de juros faz com que, a partir de uma modelagem de risco de crédito, os bancos priorizem conceder empréstimos nessas linhas para quem ganha mais e tem menos idade – restringindo o acesso a crédito para uma parcela considerável do público-alvo desses consignados.
Ainda de acordo com essa lógica, com os contratos de juros futuros de dois anos beirando os 15% e a regra do Banco Central que proíbe que qualquer empréstimo consignado tenha rentabilidade negativa, a tendência é que o universo de tomadores elegíveis para os quais os bancos estejam dispostos a emprestar fique cada vez menor.
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