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AL: Mineração da Braskem causa demolição de 9.796 imóveis – 23/12/2024 – Cotidiano

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Josué Seixas

Hélder Quirino, 50, demorou três anos para abrir os álbuns que guardavam as fotos de sua casa no bairro do Pinheiro, em Maceió. Com mais de 700 m², a residência é um dos 9.796 imóveis já demolidos na capital de Alagoas em decorrência do afundamento do solo causado pela mineração da Braskem.

No total, 14.576 estabelecimentos residenciais ou comerciais foram condenados, com cinco bairros atingidos e mais de 40 mil pessoas realocadas.

“Hoje, a gente vive só da lembrança. Tive um câncer e me curei dentro dessa casa que era o meu projeto de vida, meu sonho de criança. Construí para viver esse sonho e nunca imaginei que fosse perdê-la desse jeito”, contou Quirino à Folha.

O apartamento de três quatros e varanda em que ele reside é aquém da casa que recebia mais de cem pessoas em épocas de festa, com piscina e churrasqueira, e na qual cuidava de sete cachorros de grande porte. Teve de se desfazer de tudo, exceto o maquinário que utiliza para fazer peças artesanais.

“Acho que o que mais me dói é nesta época de Natal. Colocamos uma árvore, algumas lembrancinhas, para não passar em branco, mas não tem festa e nem brilho. Rever essas fotos é sentir a tristeza de reconhecer que nunca mais vou viver na casa dos meus sonhos”, lamentou.

Quirino, professor de espanhol aposentado por causa das intercorrências do câncer, afirmou ter sido o responsável por todo o projeto da casa. A piscina, em formato de B, era uma homenagem à sua filha Blanca.

“Quando tivemos de sair, ela me perguntou: ‘Pai, e como fica o meu presente?’ E eu tive de dizer a ela que ele precisaria ficar. Outra vez, passamos pela nossa rua e vimos que não restava nada da casa. Olhei pelo retrovisor e vi que ela estava chorando, e isso acabou comigo”.

Somente no bairro do Pinheiro, onde surgiram os primeiros tremores de terra em 2018, foram demolidos 4.272 imóveis. Em Bebedouro, 2.035; no Bom Parto, 1.992; no Mutange, 1.057; e no Farol, 440.

Veja comparativo entre imagens após realocação de pessoas e demolição de imóveis

Imagem deste ano mostra que restam somente terrenos e vegetação onde antes havia casas

Com cinco bairros afetados pela mineração, Maceió já teve quase 10 mil imóveis demolidos

Itawi Albuquerque – 17.out.21 e 12.dez.24/Folhapress

Priscilla Barros, uma das pessoas retiradas de casa há pouco mais de um ano por causa do risco de colapso de uma das minas de exploração, nem sequer teve forças para voltar ao antigo imóvel. “Desenvolvi um transtorno de ansiedade com tudo isso. Foram cinco anos lutando. Não sou mais a mesma pessoa. Espero que daqui um tempo eu consiga voltar a ser a mulher forte que eu era.”

Segundo a Defesa Civil de Maceió, as demolições preventivas são realizadas em toda a área afetada pelo afundamento do solo, em imóveis que apresentam rachaduras que põem em risco a integridade estrutural. O processo é contínuo, mediante vistorias que identificam os riscos e, em seguida, já é iniciado o processo de demolição.

“Quando nossa equipe identifica patologias que possam levar a um colapso da identificação, essa demolição é feita de forma preventiva, para mitigar riscos”, afirmou o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre.

A reportagem acompanhou parte da demolição do edifício Albarello, que necessita de maquinário específico devido ao risco de colapso. Os prédios em geral, por exemplo, não podem ser implodidos. O processo começa dos andares mais altos até chegar ao chão e leva semanas.

A advogada Andréa Karla Cardoso Amaral, personagem de reportagem da Folha sobre a pressão exercida pela Braskem em fechar acordos com os moradores considerados “resistentes”, soube da demolição de sua residência ao ser questionada sobre como estava sua situação.

No fim de novembro, ela recebeu email de uma terceirizada da petroquímica para que retirasse os pertences do imóvel, embora afirme que um processo judicial impedia a demolição —a derrubada aconteceu em 5 de dezembro e Andréa soube uma semana depois.

“Houve um depósito judicial sem recebimento. Inclusive, o valor do depósito está impugnado por uma planilha irregular juntada pela empresa. Não se sabe quando isso será resolvido, porque o processo está no Recife, podendo ainda ir para Brasília, e essa é a realidade. Não fiz acordo, não recebi indenização, então a Braskem não é dona da minha casa. Eu sou a dona”, afirmou a advogada.

Veja avanço da vegetação onde antes havia imóveis

Imagem aérea de 2021 mostra imóveis que ficaram nas proximidades da lagoa Mundaú

Atualmente, vegetação tomou conta de quase todo o terreno

Comparativo de área nas proximidades da lagoa Mundaú, com muitos imóveis demolidos

Itawi Albuquerque – 17.out.21 e 12.dez.24/Folhapress

A Defesa Civil de Maceió disse que a solicitação da demolição emergencial da residência de Andréa aconteceu porque ela apresentava patologias e por segurança, uma vez que estava próxima do raio de influência da demolição do edifício Albarello. O órgão salientou que as demolições são parte das ações realizadas dentro da área 00 (de realocação) do Mapa de Linhas de Ações Prioritárias (versão 5).

A Braskem afirmou que a demolição emergencial de imóveis com danos estruturais é determinada pela Defesa Civil de Maceió.

“O imóvel em questão foi periciado judicialmente, o valor determinado pelo perito teve a concordância de todas as partes, foi homologado pelo Juízo e está depositado nos autos do processo. A demolição determinada pelo órgão não afeta o processo judicial em andamento, em que outras questões estão sendo discutidas, não o valor do imóvel”, declarou a petroquímica, em nota.

A empresa também ressaltou que, sobre a retirada de itens pessoais, foi oferecido o serviço de guarda-volumes do PCF (Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação) e que foi preservado o direito de acesso ao imóvel, desde que autorizado pela Defesa Civil.

O MPF (Ministério Público Federal) e o Ministério Público do Estado de Alagoas expediram recomendação conjunta à Defesa Civil de Maceió e à Braskem para que haja maior controle e transparência na realização de demolições emergenciais nas áreas atingidas pelo afundamento. No texto, é pedido que seja apresentado parecer técnico sobre a área de risco, que deve ser submetido ao “prévio e expresso aval dos Ministérios Públicos”.

“O documento deve incluir a relação das ruas afetadas, a quantidade de imóveis envolvidos e a delimitação do perímetro em mapa”, diz a nota. Para a Braskem, além dessa recomendação, é necessário que sejam repassadas informações sobre imóveis que devem ser preservados ou cuja indenização ainda esteja em discussão judicial ou extrajudicial.



Leia Mais: Folha

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Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital — Universidade Federal do Acre

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A reitora da Ufac, Guida Aquino, participou da solenidade de inauguração da nova sede da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre (Fundape), da qual ela é presidente do Conselho Curador. O evento ocorreu nesta sexta-feira, 26, no campus-sede, local em que se localiza o espaço administrativo e operacional da fundação.

Guida destacou a importância da Fundape para a Ufac e para outras instituições da Região Norte. Para ela, a fundação passou por um processo de fortalecimento nos últimos anos. “A Fundape hoje nos faz realizar, na verdade, todas as parcerias de formação de docentes, de ensino, de pesquisa, de extensão, de inovação”, afirmou.

Segundo a reitora, a fundação ampliou sua atuação para além do Acre, atendendo também instituições de Rondônia, Amapá e Roraima. “Olha a grandeza disso. E nós, enquanto Universidade Federal do Acre, temos que nos orgulhar”, pontuou.

O diretor-presidente da Fundape, Ismar Bernardo de Araújo, disse que a inauguração da sede própria representa uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe e visão de futuro. “Hoje não celebramos apenas a abertura de um novo espaço físico; celebramos uma conquista construída com dedicação, trabalho em equipe, visão de futuro e confiança.”

Ismar lembrou que a Fundape foi instituída em 22 de junho de 1998 e completa 28 anos em 2026. Atualmente, a fundação conta com 38 colaboradores, representa quatro universidades federais, três institutos federais e um hospital universitário, estando presente em quatro Estados da região Norte.

Membro fundador da Fundape e pró-reitor de Planejamento da Ufac, Alexandre Hid, relembrou a criação da fundação e os desafios enfrentados ao longo da trajetória institucional. “Hoje a fundação está aí forte e firme para maiores e melhores desafios.”

Fundape tem nova sede inaugurada no campus da Ufac na capital-interna-2.jpg

Também participaram da solenidade a reitora da Unir, Marília Pimentel; o procurador-geral adjunto para Assuntos Administrativos e Institucionais do MP-AC, Carlos Roberto da Silva Maia, representando o procurador-geral Oswaldo Lima Neto; o diretor técnico da Fundape, Camilo Gouveia; o diretor administrativo-financeiro da Fundape, Dionel de Araújo; Gemil Júnior, suplente do senador Alan Rick (Republicanos-AC); a pró-reitora de Inovação, Pesquisa e Pós-Graduação do Ifac, Alana Chocorosqui, representando o reitor Fábio Storch; o ex-reitor da Ufac, Minoru Kinpara; além de dirigentes, coordenadores de projetos, colaboradores e representantes de instituições parceiras.

 



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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

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Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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