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Amizade capitalista – 26/12/2024 – Praça do Leitor
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2 anos atrásem
Bob Friandes
Na sexta-feira à noite, liguei para a minha mãe, aquele momento básico de catarse semanal. Entre desabafos sobre a minha vida, que agora eu chamaria de modesta, mas, na verdade, é uma ode à humilhação, percebi que deixei de fazer metade das coisas que gostava porque a outra metade já virou uma utopia financeira, mesmo na época em que eu ainda podia. Só que agora eu não posso. E, mesmo que pudesse, talvez nem quisesse. Mentira, queria sim.
Sinto falta dos amigos que não sentem a minha. Claro, passei tanto tempo fora do radar que minha ausência virou uma vaga no mercado, e eu perdi a seleção. Nos feeds de Instagram, vejo novos jantares com novos amigos, aqueles das cadeiras giratórias que agora fazem roadtrips pela Califórnia. E tem os colegas que mal conseguiam cumprimentar no corredor, mas que agora aparecem em fotos com taças de vinho e pratos de cerâmica sob o tampo de mármore de uma mesa saarinen, com uma espontaneidade milimetricamente calculada para ficar bem no feed.
Os que ainda lembram da minha existência me convidam para os clássicos: festas de aniversário que custam o PIB de um país pequeno, happy hour no boteco (mas, sério, até boteco tá caro), lançamento de coleção de verão 2025, soirées, cafés corporativos que não servem café decente.
Minhas desculpas variam conforme a intimidade. Para alguns, sou o filho dedicado que vai para a casa dos pais todo sábado. Para outros, estou na casa dos pais mesmo (mentira!). E, para os mais próximos, solto um “estou segurando grana, gente”, quando, na real, não há grana para segurar. O dinheiro evaporou. Estou em casa, no máximo comendo passatempo e assistindo “Emily em Paris”, sonhando com uma vida que já nem lembro se tive.
Em uma dessas conversas com a minha mãe, ela soltou: “Amigos só fazem coisas que custam dinheiro. Ninguém te chama para jantar em casa?”. Na hora, achei que ela estava delirando na falta de amigos. Depois, me peguei pensando: quem é que quer fritar bife e lavar louça no dia seguinte, quando pode postar uma selfie num restaurante caro? Talvez estejam certos. Talvez eu tenha amigos errados no meu momento incerto. Ou talvez eu seja o errado no momento certo deles.
O mais curioso é ver como o saldo da conta afeta as amizades. Ninguém me chama para o Masp na terça (grátis, hein!) ou para a Pinacoteca no sábado (também na faixa!). Ou para uma volta no Minhocão, que virou parque e que nem está mais tão na moda. Nem para sentar no sofá de casa e jogar conversa fora. Sentar na grama da praça Buenos Aires? Pff, como se aproveitar uma boa companhia sem gastar fosse uma possibilidade real nesse nosso pequeno teatro capitalista.
No final das contas, talvez a moral da história seja que a gente paga pelas amizades tanto quanto paga pelo dry martini no bar da moda. Ou vai ver que a amizade, assim como o cartão de crédito, tem seu limite. E quando o limite estoura, não há cashback emocional que resolva. Porque a verdade é que, nesse grande mercado de relações, amizade sem dinheiro é igual happy hour sem álcool: todo mundo finge que é legal, mas, no fundo, sabe que não vai durar. Então, se tem uma coisa que aprendi com essa modesta vida de ex-bon vivant é que, na selva do capitalismo emocional, quem não gasta, não participa.
Bob Friandes é publicitário com formação em artes visuais pela Belas Artes de São Paulo e pós-graduado em cultura material e consumo sob perspectivas semiopsicanalíticas pela ECA/USP. Escreve crônicas autoficcionais como forma de exorcizar a si mesmo e delapidar a sociedade que o cerca
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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2 dias atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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3 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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