NOSSAS REDES

ACRE

Aniversário de SP: cidade tem 3 obras de cientistas – 25/01/2025 – Ciência

PUBLICADO

em

Ana Bottallo

Na capital paulista, estão espalhadas 390 obras em ruas, avenidas e praças. São estátuas, bustos e placas em referência, por exemplo, a marcos históricos e personalidades. Mas, entre os personagens homenageados, cientistas são minoria: três, e só um deles é brasileiro.

Na relação do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura, constam o farmacologista escocês Alexander Fleming (1881-1955) —responsável pela descoberta da penicilina, em 1928—, o americano Thomas Edison (1847-1931), inventor da lâmpada incandescente, e o brasileiro Luiz Pereira Barreto (1840-1923).

Fleming é homenageado com uma cabeça feita de bronze e concreto, de autoria desconhecida. A obra foi colocada em 1969 na praça Alexandre Fleming, na Mooca, zona leste. De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura,

Edison, por sua vez, é homenageado com uma placa metálica, criada por João Valente Filho, em 1980. Esta fica na esquina da rua Consolação com a avenida Paulista, na região central.

A estátua em homenagem a Barreto também está localizada na região central, na praça Marechal Deodoro. A obra foi instalada em 1929.

A reportagem também consultou a Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas estadual para verificar se a pasta tinha notícia de mais alguma obra em homenagem a cientistas. A secretaria disse que fez uma pesquisa no banco de dados dos museus estaduais e não localizou.

A cidade de São Paulo é considerada um berço da produção científica nacional. Foi aqui que nasceram, viveram ou estudaram alguns dos maiores nomes de pesquisada no país, como Adolfo Lutz (1855-1940), considerado o pai da medicina tropical, e Vital Brazil (1865-1950), fundador do Instituto Butantan. Este último é homenageado com uma estátua, mas que fica dentro do Parque da Ciência.

Para Helena Nader, presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências), há uma carência de espaços para discutir a ciência com a sociedade. “Eu acho que perde a cidade de São Paulo e perdem os paulistanos. Ter espaços para homenagear e discutir ciência na cidade, que tem mais de 11 milhões de habitantes, é fundamental. E vemos que há uma demanda, porque existem espaços que as pessoas visitam para aprender ciência que dão super certo.”

Para ela, a falta de mais estátuas em alusão a cientistas brasileiros em vias públicas reflete uma falta de identidade da própria população com a figura do cientista. “Temos museus voltados para a divulgação científica, como o Catavento, que é adorado por crianças, o Museu Biológico, do Butantan, e até mesmo na Escola Paulista de Medicina temos um museu para falar da saúde indígena, criado na década de 1970, mas são espaços dentro de universidades ou instituições, sejam elas públicas ou privadas. É totalmente diferente do Estado, da gestão municipal, pensando na ciência como parte da cultura popular”, disse.

O físico e historiador da ciência Olival Freire Jr., diretor-científico do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), avalia que a falta de mais estátuas homenageando cientistas brasileiros reflete também como pensa a sociedade sobre a ciência.

“Quem decide quem vai ser homenageado em vias públicas é a Câmara [de Vereadores] e a prefeitura, então é um problema mais profundo de quem são as figuras que merecem ser homenageadas. E não me refiro apenas a cientistas, mas também a gestores que tiveram papel fundamental na pesquisa, como a USP [Universidade de São Paulo] e a própria Fapesp [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo], que é mérito do governador Carvalho Pinto.”

Em sua disciplina sobre história da ciência, Freire cita resultados da série histórica do inquérito sobre percepção pública da ciência, organizado pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), apontando que certos nomes, como César Lattes, vem desaparecendo do imaginário popular. “Isso mostra que a memória sobre a ciência e a própria história precisam ser constantemente reconstituídas e reforçadas, como forma de criar uma cultura, uma identidade mesmo, com a figura do cientista.”

A pandemia da Covid, ainda segundo o docente, teria ajudado a valorizar a ciência no país em decorrência da produção das vacinas contra o vírus. “Foi um marco histórico, o papel importante que algumas instituições tiveram, como o Butantan e a Fiocruz, e isso pode ajudar a recuperar a percepção do público sobre ciência.”

Nader acrescenta que é papel também das próprias universidades e instituições públicas criarem parcerias com as secretarias de cultura estaduais e municipais. “Está na hora de ter uma conscientização maior sobre o espaço da ciência também na cultura. Nós, pesquisadores, fazemos um trabalho de divulgação, vamos em escolas, trabalhamos exposições, mas precisa de mais.”



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Seminário na Ufac tematiza planejamento e governança pública — Universidade Federal do Acre

O programa de pós-graduação em Planejamento e Governança Pública, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no âmbito do mestrado interinstitucional para técnico-administrativos da Ufac e do Instituto Federal do Acre (Ifac), realiza o 12º Seminário de Boas Práticas em Planejamento e Governança Pública, de 14 a 16 de julho, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede da Ufac. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 16 de julho, por meio online.

O evento será transmitido pelo YouTube e terá como tema “Governança, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios Estruturais para o Acre”, propondo um debate sobre questões territoriais, sociais, ambientais, urbanas, institucionais e econômicas que atravessam a realidade amazônica e acreana.

A programação científica será organizada em quatro eixos temáticos: governança urbana, mobilidade e direito à cidade na Amazônia; infraestrutura, saneamento e resiliência em contextos de enchentes e queimadas; governança ambiental, desenvolvimento sustentável e capacidade estatal na Amazônia; e educação e empreendedorismo na Amazônia.

O seminário tem como público-alvo a comunidade universitária e gestores públicos, contando com a participação de autoridades locais, pesquisadores da UTFPR, docentes da Ufac e do Ifac, bem como especialistas convidados de diferentes áreas.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose-interna.jpg

A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS