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“Aqui só há angústia”

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” Não! » (“Ataque Aéreo!”). O alerta é feito oralmente nos corredores do primeiro andar do hospital Rayak. A detonação, seguida por uma nuvem de fumaça cinza em forma de cogumelo visível da janela de um consultório no departamento de medicina de emergência, colocou instantaneamente os cuidadores em alerta na manhã de quinta-feira, 10 de outubro. O dia promete ser cansativo.

Embora as aldeias do sul do país, palco dos primeiros combates terrestres ao longo da fronteira israelo-libanesa, tenham sido o centro das atenções desde o início do conflito, os bombardeamentos intensivos e diários no Vale do Bekaa contam uma história de outra guerra, esta aérea, liderada por Israel no leste do país. É de Rayak, em direção à antiga cidade de Baalbek, famosa pelos seus templos, ruínas e propileus da era greco-romana, que começa o Bekaa Oriental. A planície, emoldurada a oeste pelo Monte Líbano e a leste pelo Anti-Líbano, é um reduto histórico do Hezbollah e um corredor estratégico que o liga aos seus aliados na Síria, no Iraque e no Irão.

Há poucos sinais de vida na via expressa que atravessa a planície, utilizada por poucos veículos que trafegam em alta velocidade. Cortinas abaixadas, as lojas estão todas fechadas; Os postos de controle do exército libanês foram abandonados pelos soldados. Nas aldeias, abandonadas pelos seus habitantes, os únicos olhares encontrados são os dos “mártires”, combatentes mortos por Israel, cujos retratos são exibidos em cada entrada e saída, as bandeiras amarelas do Hezbollah tremulam ao vento pelas ruas. O mundo só conseguiu atravessar algumas destas localidades acompanhado por membros do grupo, o movimento xiita restringe a circulação numa parte deste território que controla de facto.

Os escombros de uma casa atingida por um ataque israelense, em Al-Khodor, no Vale do Bekaa (Líbano), 9 de outubro de 2024.

Os vestígios dos bombardeamentos são omnipresentes. Em todas as aldeias, blocos de concreto espalhados e lajes de concreto desmoronadas se acumulam onde antes existiam casas ou lojas. Crateras marcam os campos, olivais e vinhas, postes de electricidade estão do outro lado da estrada…

“Greves selvagens”

Uma grande cidade agrícola, Al-Khodor, está congelada de dor na quarta-feira, 9 de outubro. No dia anterior, cinco dos seus habitantes morreram num bombardeamento. Uma pequena e tensa multidão retira um corpo de uma ambulância do Comitê Islâmico de Saúde, o serviço de resgate do Hezbollah, sob gritos de“Alá é ótimo”. A oração, realizada no piso térreo de um edifício inacabado, na presença de cerca de 200 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, é breve. “De qualquer forma, é melhor evitar aglomerações por muito tempo e no mesmo lugar”, escorrega Suhail, um agricultor que veio como vizinho, enquanto um drone israelense circula no céu. “É dia 17e míssil que cai sobre a nossa aldeia; 20 mortes desde 23 de setembro. Ataques selvagens, sem aviso prévio. Existem apenas agricultores em Al-Khodor. Cultivamos batatas. Durante semanas, não houve nada além de angústia aqui”, Suhail diz, mostrando mulheres chorando enquanto uma pequena multidão de 200 pessoas se dirige ao cemitério próximo. Onde serão enterradas três das vítimas do dia anterior.

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

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Educação Física homenageia Norma Tinoco por pioneirismo na dança — Universidade Federal do Acre

 Os professores Jhonatan Gomes Gadelha e Shirley Regina de Almeida Batista, do curso de Educação Física da Ufac, realizaram a mostra de dança NT: Sementes de uma Pioneira, em homenagem à professora aposentada Norma Tinoco, reunindo turmas de bacharelado e licenciatura, escolas de dança e artistas independentes. O evento ocorreu na noite de 25 de março, no Teatro Universitário, campus-sede, visando celebrar a trajetória da homenageada pela inserção e legitimação da dança no curso.

Norma recebeu uma placa comemorativa pelos serviços prestados à universidade. Os alunos do curso, André Albuquerque (bacharelado) e Matheus Cavalcante (licenciatura) fizeram a entrega solene. Segundo os organizadores, os anos de dedicação da professora ao curso e seu pioneirismo jamais serão esquecidos.

“A ideia, que ganhou corpo e emoção ao longo de quatro atos, nasceu do coração de quem viveu de perto a influência da homenageada”, disse Jhonatan Gomes Gadelha, que foi aluno de Norma na graduação. Ele contou que a mostra surgiu de uma entrevista feita com ela por ocasião do trabalho dele de conclusão de curso, em 2015. “As falas, os ensinamentos e as memórias compartilhadas por Norma naquele momento foram resgatadas e transformadas em movimento”, lembrou.

Gadelha explicou que as músicas que embalaram as coreografias autorais foram criadas com o auxílio de inteligência artificial. “Um encontro simbólico entre a tradição plantada pela pioneira e as ferramentas do futuro. O resultado foi uma apresentação carregada de bagagem emocional, autenticidade e reverência à história que se contava no palco.”

Mostra em 4 atos

A professora de Educação Física, Franciely Gomes Gonçalves, também ex-aluna de Norma, foi a mestre de cerimônias e guiou o público por uma narrativa que comparava a trajetória da homenageada ao crescimento de uma árvore: “A Pioneira: A Raiz (ato I), “A Transformadora: O Tronco” (ato II), “O Legado: Os Frutos” (ato III) e “Homenagem Final: O reconhecimento” (ato IV).

O ato I trouxe depoimentos em vídeo e ao vivo, além de coreografias como “Homem com H” (com os 2º períodos de bacharelado e licenciatura) e “K Dance”, que homenageou os anos 1970. O ex-bolsista Kelvin Wesley subiu ao palco para saudar a professora. A escola de dança Adorai também marcou presença com as variações de Letícia e Rayelle Bianca, coreografadas por Caline Teodoro, e o carimbó foi apresentado pelo professor Jhon e pela aluna Kethelen.

O ato II contou com o depoimento ao vivo de Jhon Gomes, ex-aluno que seguiu carreira artística e acadêmica, narrando um momento específico que mudou sua trajetória. Ele também apresentou um solo de dança, seguido por coreografias da turma de licenciatura e uma performance de ginástica acrobática do 4º período.

No ato III foi exibido um vídeo em que os atuais alunos do curso de Educação Física refletiram sobre o que a dança significa em suas formações. As apresentações incluíram o Atelier Escola de Dança com “Entre o que Fica e o que Parte” (Ana Fonseca e Elias Daniel), o Estúdio de Artes Balancé com “Estrelas” (coreografia de Lucas Souza) e a Cia. de Dança Jhon Gomes, com outra versão de “Estrelas”. A escola Adorai retornou com “Sarça Ardente”, coreografada por Lívia Teodoro; os alunos do 2º período de bacharelado encerraram o ato.

No ato IV, após o ministério de dança Plenitude apresentar “Raridade”, música de Anderson Freire, a professora Shirley Regina subiu ao palco para oferecer palavras à homenageada. Em seguida, a mestre de cerimônias convidou Norma Tinoco a entrar em cena. Ao som de “Muda Tudo”, os alunos formaram um círculo ao redor da professora, cantando o refrão em coro.

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

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I FÓRUM ESTADUAL "Autismo, Cultura, Mercado de Trabalho e Políticas Públicas no Acre."

09 e 10 de ABRIL
Local: Teatro Universitário da UFAC
11 de ABRIL
Local: Anfiteatro Garibaldi Brasil UFAC

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