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Arca de Noé: Nem Vinicius de Moraes salva filme brasileiro – 06/11/2024 – Ilustrada

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Bruno Molinero

Sérgio Machado e Alois Di Leo tinham um desafio do tamanho do próprio monte Ararat quando decidiram fazer a animação “Arca de Noé”. Se produzir qualquer filme 3D no Brasil já é um sufoco de proporções bíblicas, os dois diretores resolveram aumentar a dificuldade.

A produção, que estreia na quinta, dia 7, cria uma ficção inspirada em “A Arca de Noé”, o clássico conjunto de poemas escritos por Vinicius de Moraes para crianças. Os versos foram musicados e lançados na década de 1980 em dois discos, que logo se tornaram um monumento para o público infantil.

Além de reunir nomes como Toquinho, Elis Regina, Chico Buarque e Milton Nascimento, os álbuns têm faixas que hoje são patrimônios brasileiros —entre elas, “A Casa”, aquela muito engraçada que não tinha teto, e “O Pato”, que pata aqui, pata acolá.

A animação “Arca de Noé” mexe com esse universo e tenta repetir o grande elenco nos créditos. Entre dubladores e músicos, participam do filme uma tempestade de vozes conhecidas. Estão lá Lázaro Ramos, Alice Braga, Gregorio Duvivier, Adriana Calcanhotto, Céu, Heloisa Périssé, além de Marcelo Adnet e Rodrigo Santoro, que dublam Vini e Tom, os ratinhos músicos protagonistas, numa homenagem a Vinicius e Tom Jobim.

Mas nem isso consegue salvar o longa. Como é possível imaginar, a história parte do dilúvio bíblico e do pedido de Deus para que Noé construa uma arca e reúna nela dois animais de cada espécie. Vencido o desafio de entrar clandestinamente no barco, Vini e Tom conhecem lá dentro a ratinha Nina e se veem diante de um leão tirano, egoísta, violento e sem escrúpulos, que decide pegar toda a comida para si e sua turma.

A trama é tão velha e esquemática quanto o Antigo Testamento. O vilão é sempre mau, a personagem feminina é forte, os bravos heróis são íntegros e determinados, os coadjuvantes servem de escada para o cômico. Tudo é previsível e preestabelecido, a ponto de dar a sensação de que já vimos esse filme antes. Quantas histórias já não usaram no cinema a ideia de Davi contra Golias, em que os mais fracos vencem os gigantes trogloditas?

É exatamente o que ocorre na animação. Cabe aos ratos, insetos e pequenos animais a função de questionar a autoridade leonina na arca. Para isso, eles organizam um concurso de música, que serve de deixa para as canções de Vinicius pipocarem pela tela. Nem é preciso dizer, mas o leão acaba desmascarado na competição, numa reencenação daquele conto clássico em que o rei aparece nu diante de seus súditos.

“Arca de Noé” tenta soprar um pouco de novidade ao empilhar piadinhas fáceis e piscadelas para o público, na esperança de cativar a infância sem perder o adulto. Há de tudo um pouco —referências ao TikTok e ao WhatsApp, imitação do Silvio Santos, sugestão de que a arca é heteronormativa por não contemplar os LGBTQIA+, insetos gratiluz que falam de ecovilas agroflorestais veganas. No fim, esse bololô de sacadinhas acaba lembrando aquele tio do pavê que tenta ser engraçado para se enturmar com a criançada no Natal.

Nada disso pode ser mais distante da proposta original de Vinicius. Em “A Arca de Noé”, o poetinha demonstra profundo respeito pela inteligência e pela sensibilidade da infância. Nos seus versos, ele emprega o mesmo cuidado estético, a mesma costura poética e o mesmo trabalho de linguagem que sempre utilizou em sua poesia para adultos. Literatura e música se unem de forma complexa, subvertem o senso comum e jamais subestimam a criança.

Não à toa, os álbuns se tornaram clássicos e continuam fazendo parte das infâncias brasileiras há quase 45 anos. Já a animação “Arca de Noé” opta pelo caminho oposto. O filme prefere o entretenimento fast food, de absorção rápida. Enquanto Vinicius cria perguntas na cabeça de meninos e meninas, o longa se contenta em entregar respostas.

É claro que as canções acabam funcionando no cinema como boias e coletes salva-vidas. Mas nem elas conseguem salvar a arca do naufrágio. Até porque, se a ideia for mesmo ouvir as faixas, o melhor é botar os discos para tocar.



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V SIMECO — Universidade Federal do Acre

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Egressa de mestrado em CZS obtém prêmio de pós-graduação — Universidade Federal do Acre

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A engenheira agrônoma Mirian Soares de Amorim, aluna egressa do curso de Agronomia e do mestrado em Ciências Ambientais, do campus Floresta da Ufac, em Cruzeiro do Sul, obteve o 2º lugar na categoria Pós-Graduação do 5º Prêmio Margarida Alves de Estudos sobre Ruralidades e Feminismos, cujo resultado final foi divulgado em 17 de março. O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.

O estudo destaca a articulação entre a transição agroecológica e a igualdade de gênero, enfatizando o papel central das mulheres rurais, ribeirinhas e agricultoras na preservação da agrobiodiversidade e na soberania alimentar na Amazônia. No mestrado, sob orientação do professor Kleber Andolfato de Oliveira, Mirian também aprofundou investigações sobre o desenvolvimento sustentável e o papel das populações rurais no manejo dos ecossistemas amazônicos.



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Ufac consolida criação do curso de Farmácia com 50 vagas — Universidade Federal do Acre

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Curso de Farmácia-entrega de Menção Honrosa (2).jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com membros da comissão responsável pela proposta de criação do curso de Farmácia. O encontro ocorreu nesta segunda-feira, 31, na sala de reuniões da Reitoria, visando consolidar o Projeto Político-Pedagógico da nova graduação, além de homenagear, com a entrega, pela Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), de Menção Honrosa ao reitor e a pessoas cujo empenho culminou na abertura do curso.

A iniciativa faz parte do programa Universidades Transformadoras, pactuada com o Ministério da Educação (MEC). O curso prevê a oferta de 50 vagas para estudantes e liberação de 11 códigos de vagas para professores. A aula inaugural e início das atividades acadêmicas estão previstos entre 2028 e 2029.

“Esse é um curso que se assenta fortemente na demanda de conhecer os bioativos da floresta amazônica e transformar esse conhecimento em riqueza, patentes, inovação e qualidade de vida para a sociedade”, disse Josimar Ferreira. Além disso, ele ressaltou a necessidade de conectar o novo curso às estruturas já consolidadas da Ufac, otimizando disciplinas e espaços curriculares em conjunto com as áreas de saúde e química.

A presidente da comissão de criação do curso, Andréia Andrade, lembrou que o projeto começou em 2011. “Hoje nos reunimos com a perspectiva de viabilizar a abertura do curso diante do que já temos na instituição. Nosso objetivo é ofertar uma formação generalista, com investimento otimizado na estrutura existente e com forte inserção na pesquisa e extensão, aproveitando a nossa biodiversidade e criando caminho para futuros programas de pós-graduação.”

Também participaram da reunião representantes externos da categoria profissional, como a ex-conselheira federal, membro da comissão e diretora de Relações Institucionais da Fenafar, Isabela de Oliveira Sobrinho. “Acompanhei a busca por esse projeto pedagógico desde o início e ver essa etapa final é um avanço enorme”, pontuou. “É um trabalho a muitas mãos para trazer o melhor para a Ufac. Trata-se de um curso de grande magnitude, focado em tecnologias de medicamentos e em pesquisas com nossas plantas nativas para gerar qualidade de vida à população.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



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