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Artesão faz decoração incrível de jardim com ‘bichos’ de lendas amazônicas
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6 anos atrásem
Jardim reúne 10 esculturas de lendas amazônicas em Casa Mapinguari em Rio Branco. Enock Tavares diz que é importante preservar lendas nortistas.
Foto de capa: Artesão decora jardim com lendas amazônicas: ‘Eram os super-heróis da minha infância’ — Foto: Tácita Muniz/G1.
A Amazônia é uma área que reúne um vasto mundo de águas e florestas, mas também esconde uma coleção de lendas que povoam o imaginário. A lenda mais conhecida é do boto cor-de-rosa, que se transforma em um belo homem e atrai as mulheres.
Seringueiros e indígenas propagaram, durante longos anos, por meio da narrativa, outros personagens comuns dentro da floresta amazônica. Quem é do Norte, provavelmente já ouviu falar em curupira, cobra grande, matinta perera, Iara e, claro, o mapinguari.
São personagens tidos como defensores da floresta, que puniam e guardavam o território para preservá-lo, segundo os mais antigos. Natural do estado do Pará, o artesão Enock Tavares, hoje com 69 anos, sempre foi embalado na infância com essas histórias das lendas amazônicas, ao ponto de se tornar um apaixonado pela “mitologia amazônica”, como ele gosta de chamar.
Morando no Acre há 12 anos, ele fez questão de transformar o quintal de casa em um verdadeiro museu desses personagens das histórias que ouvia na infância.
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Personagens ficam espalhados pelo quintal de Enock — Foto: Tácita Muniz/G1.
Ao todo, atualmente ele coleciona 10 esculturas lendárias no espaço que ele batizou de “Casa Mapinguari”. O espaço fica na Vila Custódio Freire, em Rio Branco, e chama a atenção de quem por ali passa.
Logo na entrada, o Mapinguari gigante, com 5 metros de concreto, ícone do estado acreano, dá as boas-vindas para quem quer conhecer mais sobre esse mundo e histórias que sobreviveram ao passar dos anos.
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Enock Pessoa quis fazer museu no quintal de casa para preservar lendas amazônicas — Foto: Tácita Muniz/G1.
“Com 12 e 15 anos, eu convivi com caçador, seringueiros, índios e caboclos que contavam essas histórias como se fossem verdades mesmo. Isso fazia parte da vida deles. Então, cresci com esse sonho e deu certo”, conta.
Nos caminhos do jardim, você consegue passar pela vitória-régia, saci pererê. Ao lado do muro, uma fonte jorra água para amparar a sereia Iara e o boto cor de rosa. Quintal adentro, você também encontra um mapinguari menor, de mais ou menos 2,5 metros. Ao lado da sereia Iara, curupira também aparece para compor o elenco.
Matinta Perera, com o apito de osso, está logo mais a frente. Alguns galhos a deixam quase imperceptível no primeiro olhar. Chegando mais perto, é possível ver a senhora de cabelos brancos que, pela lenda, é dona de um assobio estridente e que traria notícias sobrenaturais.
Visitas
Aposentado, o artesão mantém as esculturas abertas ao público sem nenhuma ajuda do poder público e não cobra pelas visitas ao espaço ao céu aberto. As esculturas são feitas pra aguentar as mudanças do tempo, como sol e chuva.
“Vem muita gente. Uma média de cinco pessoas passam por aqui diariamente, mas no domingo sempre vem mais. Muitas creches vêm e visitam. Às vezes as professoras contam as histórias de cada personagem, às vezes eu mesmo conto”, explica empolgado.
Claro que o que chama mais atenção entre os pequenos é o gigante Mapinguari, oponente na entrada da casa, ele deriva de uma lenda dos índios da região amazônica.
Os caboclos contam que dentro da floresta vive o Mapinguari, um gigante peludo com um olho na testa e a boca no umbigo. Para uns, ele é realmente coberto de pelos, porém, usa uma armadura feita do casco da tartaruga, para outros, a sua pele é igual ao couro de jacaré.
Ao longo do tempo, ele foi tomando a forma em que aparece hoje. Um gigante peludo e olho no umbigo.
Vitória-régia
Outra história do folclore brasileiro é a da vitória-régia, também nascida na região Norte, ela explica que a planta, encontrada nos rios da Amazônia, na verdade, era uma índia que se afogou ao tentar beijar a lua, se transformando assim na planta aquática que é símbolo da Amazônia.
Artesão explica a lenda amazônica do curupira
Curupira
Anão, ágil e de pés para trás. Assim seria a figura do curupira, conhecido como defensor da floresta. A história conta que os pés virados para trás é uma forma de enganar alguém que pretenda segui-lo olhando para suas pegadas. Muitos o apontam como “demônio da floresta” e o tem como persona non grata devido às travessuras.
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Enock ao lado da escultura que representa matinta perera — Foto: Tácita Muniz/G1.
‘Mitologia amazônica’
Filho de pais adventistas, Enock conta que quando começou a fazer os primeiros projetos dos personagens folclóricos chegou a ser advertido pelo pai. “Mas, assim que comecei a fazer, procurei o significado de lenda e vi que lendas eram coisas que não ofendiam. Mostrei pra meu pai e depois disso ele não achou mais ruim”, relembra.
Além das esculturas que decoram seu jardim, o artesão também recicla e transforma lixo em personagens da mitologia amazônica, como gosta de chamar. Ele também faz biojóias e transforma papelão e papel machê em miniesculturas que são levadas para escolas também.
Das encomendas, ele consegue tirar cerca de R$ 500 por semana. Porém, nem sempre há demanda. “Tenho pouca encomenda porque essa questão do artesanato ainda está engatinhando no estado. Minha satisfação é virem aqui, tirarem foto e divulgarem meu nome. Até porque o artista só valorizam depois que morre”, acredita.
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Mapinguari de 5 metros dá boas vindas ao quintal do artesão em Rio Branco — Foto: Tácita Muniz/G1.
‘Eram nossos heróis’
Enock diz que, independente de religião, as lendas amazônicas precisam ser preservadas, não só pelos povos tradicionais, mas também porque ouviu as histórias e hoje pode contar as narrativas daquela época.
Ele destaca que quando criança ouvia com encanto e curiosidade as histórias do povo da mata. “Essas histórias sempre existiram e vão existir pra sempre. Na nossa época, não tinha esses heróis de hoje. Esses das lendas eram os nossos super-heróis daquela época. É como se fosse a nossa mitologia, assim como tem a mitologia grega. Isso eram os nossos semideuses. O caboclo, longe da civilização, o índio, tinham a certeza de que alguém protegia aquilo [floresta]”, finaliza.
Está entre os planos de Enock reabrir a pequena oficina que montou entre as lendas para ensinar a arte de esculpir às crianças da comunidade. Ele chegou a dar aulas em alguns anos, mas por falta de incentivo acabou dando uma pausa no projeto. “Mas, pretendo continuar ensinando assim que puder voltar”, se compromete.
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Passeio em jardim retrata a história de lendas amazônicas — Foto: Tácita Muniz/G1.

Conheça a história da Iara, sereia dos rios amazônicos.
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Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais — Universidade Federal do Acre
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1 semana atrásem
23 de dezembro de 2025Notícias
publicado:
23/12/2025 07h31,
última modificação:
23/12/2025 07h32
Confira a nota na integra no link: Nota Andifes
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Ufac entrega equipamentos ao Centro de Referência Paralímpico — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Ufac, a Associação Paradesportiva Acreana (APA) e a Secretaria Extraordinária de Esporte e Lazer realizaram, nessa quarta-feira, 17, a entrega dos equipamentos de halterofilismo e musculação no Centro de Referência Paralímpico, localizado no bloco de Educação Física, campus-sede. A iniciativa fortalece as ações voltadas ao esporte paraolímpico e amplia as condições de treinamento e preparação dos atletas atendidos pelo centro, contribuindo para o desenvolvimento esportivo e a inclusão de pessoas com deficiência.
Os equipamentos foram adquiridos por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Eduardo Ribeiro (PSD), em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro, com o objetivo de fortalecer a preparação esportiva e garantir melhores condições de treino aos atletas do Centro de Referência Paralímpico da Ufac.
Durante a solenidade, a reitora da Ufac, Guida Aquino, destacou a importância da atuação conjunta entre as instituições. “Sozinho não fazemos nada, mas juntos somos mais fortes. É por isso que esse centro está dando certo.”
A presidente da APA, Rakel Thompson Abud, relembrou a trajetória de construção do projeto. “Estamos dentro da Ufac realizando esse trabalho há muitos anos e hoje vemos esse resultado, que é o Centro de Referência Paralímpico.”
O coordenador do centro e do curso de Educação Física, Jader Bezerra, ressaltou o compromisso das instituições envolvidas. “Este momento é de agradecimento. Tudo o que fizemos é em prol dessa comunidade. Agradeço a todas as instituições envolvidas e reforço que estaremos sempre aqui para receber os atletas com a melhor estrutura possível.”

O atleta paralímpico Mazinho Silva, representando os demais atletas, agradeceu o apoio recebido. “Hoje é um momento de gratidão a todos os envolvidos. Precisamos avançar cada vez mais e somos muito gratos por tudo o que está sendo feito.”
A vice-governadora do Estado do Acre, Mailza Assis da Silva, também destacou o trabalho desenvolvido no centro e o talento dos atletas. “Estou reconhecendo o excelente trabalho de toda a equipe, mas, acima de tudo, o talento de cada um de nossos atletas.”
Já o assessor do deputado estadual Eduardo Ribeiro, Jeferson Barroso, enfatizou a finalidade social da emenda. “O deputado Eduardo fica muito feliz em ver que o recurso está sendo bem gerenciado, garantindo direitos, igualdade e representatividade.”
Também compuseram o dispositivo de honra a pró-reitora de Inovação, Almecina Balbino, e um dos coordenadores do Centro de Referência Paralímpico, Antônio Clodoaldo Melo de Castro.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)
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Orquestra de Câmara da Ufac apresenta-se no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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2 semanas atrásem
18 de dezembro de 2025A Orquestra de Câmara da Ufac realizou, nesta quarta-feira, 17, uma apresentação musical no auditório do E-Amazônia, no campus-sede. Sob a coordenação e regência do professor Romualdo Medeiros, o concerto integrou a programação cultural da instituição e evidenciou a importância da música instrumental na formação artística, cultural e acadêmica da comunidade universitária.
A reitora Guida Aquino ressaltou a relevância da iniciativa. “Fico encantada. A cultura e a arte são fundamentais para a nossa universidade.” Durante o evento, o pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, destacou o papel social da arte. “Sem arte, sem cultura e sem música, a sociedade sofre mais. A arte, a cultura e a música são direitos humanos.”
Também compôs o dispositivo de honra a professora Lya Januária Vasconcelos.
(Camila Barbosa, estagiária Ascom/Ufac)