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POLÍTICA

As duas linhas que se enfrentam dentro do PT

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Matheus Leitão

Existem duas formas de olhar as eleições municipais dentro do Partido dos Trabalhadores. Há uma sob a ótica de que a legenda fracassou retumbantemente. Outra que interpreta o que houve como início de uma recuperação após o fiasco.

O primeiro está sendo imposto pelo ministro das Relações Institucionais do governo Lula, Alexandre Padilha. A segunda pela presidente do PT, Gleisi Hoffmann. Os dois são da mesma corrente do partido, mas iniciaram uma “guerra pública”.

Padilha afirmou que “o PT é o campeão nacional das eleições presidenciais, mas, na minha avaliação, não saiu ainda do Z4 [zona de rebaixamento] que entrou em 2016 nas eleições municipais”.

Gleisi respondeu que “ofender o partido, fazendo graça, e diminuir nosso esforço nacional não contribui para alterar essa correlação de forças”. “Padilha devia focar nas articulações políticas do governo, de sua responsabilidade. Mais respeito com o partido que lutou por Lula Livre e Lula Presidente, quando poucos acreditavam”.

É a nova treta do governo com o partido, já que a própria Gleisi e Haddad trocaram farpas – e não tem muito tempo – sobre a política econômica. Aparentemente, o PT não está muito feliz com alguns aspectos do governo Lula-3.

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Mas também é igualmente muito ruim a forma como foi realizada a crítica do ministro Padilha – especialmente por ele ser o articulador político do terceiro governo Lula e que patina politicamente justamente na relação com o Congresso Nacional.

O problema encontrado pelo PT nas eleições municipais vem justamente do enfraquecimento da relação do governo federal com o parlamento – ou, diga-se de passagem, do estremecimento entre os dois poderes.

Começou mesmo com o orçamento impositivo, que aumentou o poder dos parlamentares para indicar gastos públicos. Para alguns, distorceu o sistema político, algo que se aprofundou quando Arthur Lira assumiu e Bolsonaro entregou o dinheiro para o presidente da Câmara através do aumento das emendas.

O dinheiro hoje não vem do governo federal, mas sim do Congresso Nacional. Quem elege prefeito hoje é deputado, e quem elege deputado é o prefeito. Isso porque o dinheiro do deputado vai para o prefeito, o prefeito faz obras e depois aponta o deputado como responsável. Entenderam?

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Nesse contexto, o PT conseguiu realmente melhorar um pouco. Saiu de 183 para 252 prefeitos eleitos, de 206 para 290 vices (dos quais 223 em chapas com prefeitos de 14 outros partidos) e passou de 2.663 para 3.129 vereadores.

Conseguiu algumas vitórias importantes – e em cidades estratégicas – como Camaçari, Juiz de Fora e Contagem. Apesar de ter conquistado apenas uma capital, venceu em Fortaleza, onde o grupo político dominante, o PDT de Ciro, se aliou a um bolsonarista que nega a existência de feminicídios em um dos países que mais mata mulheres, além de ameaças de morte ao candidato do PT.

Existe muita coisa para preocupar o PT após a disputa eleitoral de 2024. Há erros de estratégia, e uma confessada dificuldade de falar com vários setores da sociedade e de grupos emergentes. Houve, contudo, vitórias de coligações das quais fizeram parte como a do Rio de Janeiro por exemplo, em que houve um forte agradecimento do prefeito reeleito no primeiro turno, Eduardo Paes, ao presidente Lula. Houve derrotas dolorosas, sem dúvida, mas também alguns avanços.

A batalha de Fortaleza mesmo foi muito bonita – transcende a política quando um candidato afirma que vai colocar o adversário na churrasqueira porque ele tem o sobrenome de Leitão.



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OPINIÃO

Opinião: A ciranda troca de partidos e a busca por cargos públicos

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Foto de capa [arquivo pessoal]
Os parlamentares que mudam de partido – como macacos puladores de galho – ou se candidatam a outros cargos no Legislativo e no Executivo apenas para preservar privilégios demonstram desrespeito à República e deveriam sentir vergonha de tal conduta. Essa prática evidencia a ausência de compromisso ideológico e a busca incessante por posições de poder, transmitindo à sociedade a imagem de oportunistas movidos por conveniências pessoais. A política deveria ser encarada como missão cívica, exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno às profissões de origem seria saudável para a oxigenação da vida pública.  
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Infelizmente, o sistema político brasileiro está povoado por aqueles que veem na política não um espaço de serviço público, mas um negócio lucrativo. Como já destacou o jornal El País, ser político no Brasil é um grande negócio, dadas as vantagens conferidas e auferidas — e a constante movimentação de troca de partidos confirma essa percepção.  
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A cada eleição, o jogo se repete: alianças improváveis, trocas de legenda na janela partidária e negociações de bastidores que pouco têm a ver com as necessidades reais da população. Em vez de missão cívica, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses pessoais e cabide de empregos. A busca incessante pela reeleição e por cargos demonstra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um negócio.  
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Convém lembrar aos que se consideram úteis  e insubstituíveis à política que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país.  
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As próximas eleições são a oportunidade para os eleitores moralizarem o Legislativo, elegendo apenas candidatos novos, sem os vícios da velha política, que tenham conduta ilibada e boa formação cultural. Por outro lado, diga não à reeleição política, aos trocadores de partidos, aos que interromperam o mandato para exercer cargos nos governos, e àqueles que já sofreram condenação na Justiça ou punição no Conselho de Ética do Legislativo. 
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Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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POLÍTICA

Frase do dia: Ciro Gomes

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Matheus Leitão

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“Estou muito envergonhado! Isto é uma indignidade inexplicável!” (Ciro Gomes, ex-ministro da Fazenda, usando as redes sociais para reclamar da troca de Carlos Lupi por Wolney Queiroz, seu desafeto no PDT, no comando do Ministério da Previdência Social) 


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