OPINIÃO
As pernas do Covid-19 e as lições da Itália
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6 anos atrásem
Por Mario Girasole*
O novo coronavírus não tem pernas; somos nós as pernas do vírus. A relação parece intuitiva, mas as consequências para evitar drasticamente o contágio das pessoas e tratar os doentes exigem aprendizado rápido, aplicação assertiva dessas lições e disciplina de todos em seguir as orientações das autoridades de Saúde.
Meu país, a Itália, está aprendendo a lidar com a doença, pagando ainda um preço altíssimo de centenas de mortes por dia e um sistema de saúde à beira do colapso. Cerca de 10% dos afetados são médicos e enfermeiros, um tributo enorme dessas categorias. O que de mais valioso podemos dividir com o mundo segue a comunidade científica: o máximo isolamento é o maior instrumento de combate ao vírus.
A pandemia expõe a fragilidade sanitária do mundo globalizado. Mas a doença, além de viajar no espaço, viaja também no tempo. Estarmos, no Brasil, a algumas semanas do que ocorre hoje na Itália. E isso é uma oportunidade de aprendizado para limitar o potencial impacto em milhões de vidas. Podemos mudar o futuro!
A comunicação pública não pode ultrapassar o equilíbrio entre informação, conscientização e pânico. Este mês, vazou um comunicado sobre o fechamento da Lombardia, a região na Itália Setentrional mais atingida, o que provocou corrida noturna aos trens para sair da área. Ou seja, um erro de comunicação gerou aglomeração e deslocamento em massa, efeito contrário ao desejado.
O combate à doença exige diálogo e coordenação entre ações do Governo e de poderes locais. A Itália não é um país federal e, mesmo assim, num primeiro momento, a desarticulação entre regiões e estado central criou desorientação da população. O Brasil tem que tomar ainda mais cuidado nesse sentido.
No Brasil, medidas importantes, como restrições a comércio, escolas, transportes e entretenimento, estão sendo definidas em um estágio muito anterior ao que aconteceu na Itália, o que é crucial para o controle futuro do contágio. Porém, as medidas serão eficazes somente com a disciplina da população em limitar movimentos e deslocamentos.
Nessa crise, as tecnologias e as telecomunicações são suporte fundamental para a manutenção das relações profissionais, de estudo e de trabalho. Na Itália e no Brasil, as operadoras se movimentaram para garantir a estabilidade da conectividade, a difusão eficaz das informações, a produtividade do trabalho remoto e a continuidade profícua dos estudos.
As redes de telecomunicações móveis permitem a análise dos fluxos agregados e anônimos de deslocamento de pessoas para o transporte público ou grandes eventos. Assim como ocorre na Itália, seria importante adaptar, no Brasil, essas ferramentas para estudar a resposta de taxa de movimentação do fluxo de pessoas às medidas restritivas adotadas pelos governos.
A certeza que temos é que essa crise passará e deixará legados importantes nas relações pessoais, de trabalho e de estudo. Além da vacina do Covid-19, teremos novos anticorpos de consciência coletiva do impacto das nossas ações individuais e para o uso racional de recursos escassos, a começar pelo do nosso tempo. Os meios digitais são os aliados fundamentais dessa evolução.
Mario Girasole, italiano e brasileiro, é vice-presidente da TIM Brasil*
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OPINIÃO
Opinião: Uma parlamentar trans como presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara Federal
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3 semanas atrásem
28 de março de 2026O caso da deputada federal trans Erika Hilton (SP), eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara Federal e contestada por algumas parlamentares de origem biológica feminina, merece reflexão.
Há distinção entre condição biológica e identidade de gênero. O sexo biológico refere-se a características naturais como cromossomos, órgãos reprodutivos e hormônios. Já a identidade de gênero diz respeito à forma como a pessoa se reconhece e se apresenta socialmente.
No campo jurídico, o Brasil assegura às pessoas trans o direito de serem tratadas conforme sua autopercepção de gênero. Isso significa que, legalmente, uma mulher trans é reconhecida como mulher — embora essa definição não corresponda à esfera biológica.
É legítimo — e não proibido — que algumas pessoas não se sintam representadas por indivíduos trans, como demonstrou a deputada federal Chris Tonietto (RJ).
O bom senso sugere que cargos de representação feminina sejam ocupados por mulheres de origem biológica feminina, e o mesmo princípio poderia valer para os homens. A identidade de gênero, embora deva ser respeitada, não pode se sobrepor à maioria formada por homens e mulheres em sua essência biológica.
A sociedade avançou ou retrocedeu ao acolher pessoas trans em espaços de destaque? Eis a questão. É fato que hoje há maior visibilidade de indivíduos trans, mas isso ainda constitui uma situação particular, não uma regra. Por outro lado, é compreensível que muitas mulheres se sintam desconfortáveis em dividir espaços íntimos, como banheiros, com pessoas trans.
Representantes do movimento LGBTQIA+ afirmam que os seres humanos são complexos. Outros, porém, questionam se não seria mais complexo o pensamento de quem rejeita sua própria condição biológica. É evidente que psicologicamente ninguém é igual.
A sociedade brasileira, composta por mais de 221 milhões de habitantes, não foi consultada sobre o reconhecimento das mulheres trans. O que existe é uma construção jurídica que garante seus direitos. Trata-se, portanto, de uma minoria socialmente reconhecida.
Se alguém se identificar psicologicamente como uma loba, por exemplo, não há obrigação de aceitarmos essa identidade no convívio social. O argumento filosófico de que “tudo muda”, inspirado em Heráclito, é apenas uma perspectiva entre tantas. Ou seja, um ponto de vista.
Mudanças de paradigmas sociais não podem ignorar o equilíbrio e a natureza humana: para muitos, homem continua sendo homem e mulher continua sendo mulher. Ou seja, a base biológica deve ser considerada.
Filosofar como se houvesse obrigação de aceitar todas as transformações comportamentais propostas por grupos minoritários é um equívoco diante da maioria que se posiciona contrária à equiparação plena das pessoas trans.
Não se trata de nostalgia por tecnologias antigas, como a máquina de escrever, visto que ela permanece útil quando falta energia elétrica, mas de rejeitar a ideia de que uma exceção possa ser transformada em regra.
Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC
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A votação dessas duas propostas foi definida na reunião de líderes feita na manhã desta terça-feira, 3, e passou também pela aprovação de outro projeto que cria institutos federais de ensino – um deles em Patos (PB), cidade de nascimento e reduto eleitoral de Hugo Motta (Republicanos-PB).
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