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Assassinato de CEO coloca empresas em xeque – 19/12/2024 – Sou Ciência

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Pedro Arantes, Soraya Smaili, Maria Angélica Pedra Minhoto, Anna Miranda

Digno de um thriller americano, o assassinato de um CEO da maior empresa de seguro-saúde do mundo, a UnitedHealthcare, continua a gerar debates, mesmo após a prisão do principal suspeito, Luigi Mangione. A história de vida do jovem tem animado ainda mais manifestações e memes que o transformaram em uma espécie de herói das vítimas dos seguros, contra as grandes empresas e seus executivos que recebem bônus milionários ao expandir lucros de forma predatória.

É certo que, em termos de acesso à saúde, os americanos se encontram em situação muito mais precária que nós, brasileiros: eles não têm um sistema universal de saúde pública e mais da metade dos adultos estadunidenses têm dívidas de saúde. A despeito de falhas e subfinanciamento, o SUS existe e está em cada canto desse país continental, da primeira vacina para os bebês até os custosos transplantes de órgãos.

Mas é justamente nas lacunas desse sistema unificado que a saúde privada se consolida, com seu modus operandi especializado em transformar a vida e a morte em mercadoria. As disparidades entre os EUA e o Brasil são enormes, mas os paralelos também.

Vencedora do prêmio Pulitzer, uma série de reportagens denunciou como os seguros de saúde americanos têm utilizado algoritmos de inteligência artificial para tomar decisões negando tratamento para idosos e pessoas com doenças graves. Coincidindo com a implementação da IA entre 2020 e 2023, o lucro líquido da UnitedHealth Group aumentou de aproximadamente US$ 15,4 bilhões para US$ 22 bilhões. Ao passo que a taxa de negativas de cobertura para cuidados pós-agudos mais do que dobrou: de 10,9% em 2020 aumentou para 22,7% em 2022.

É provável que planos de saúde brasileiros já estejam utilizando ferramentas de IA, não sabemos. Mas suas práticas abusivas são amplamente conhecidas. As operadoras negam cobertura a terapias essenciais para crianças autistas e promovem o cancelamento unilateral dos planos de idosos com justificativas frágeis. Esses são apenas alguns exemplos da má conduta recorrente, dada a baixa capacidade de regulamentação e controle públicos.

Não por acaso, também no Brasil o setor vive seu melhor momento desde a pandemia de covid-19. Somados, os lucros líquidos das operadoras totalizam R$ 3 bilhões em 2023, valor que saltou para R$ 8,7 bilhões até setembro de 2024, em meio ao crescimento de reclamações e ações judiciais.

Entre janeiro e outubro de 2024, foram registradas 36.525 novas ações judiciais relacionadas a planos de saúde, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Isso representa uma média de 120 processos por dia, um aumento de 65% em relação a 2023. E a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que deveria promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, sofre acusações de omissão, enquanto advoga em favor dos planos.

O assassinato do CEO expôs as tensões sociais relacionadas ao tema e gerou uma catarse coletiva, destacando a urgência de repensar os sistemas de saúde públicos e privados. Mais do que apontar falhas, é preciso uma mobilização social por transparência, regulação e fiscalização eficaz. No Brasil, fortalecer o SUS e exigir que a ANS cumpra seu papel são medidas fundamentais para equilibrar o sistema e proteger os mais vulneráveis, reafirmando a saúde como um direito constitucional de todos.


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Cerimônia do Jaleco marca início de jornada da turma XVII de Nutrição — Universidade Federal do Acre

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No dia 28 de março de 2026, foi realizada a Cerimônia do Jaleco da turma XVII do curso de Nutrição da Universidade Federal do Acre. O evento simbolizou o início da trajetória acadêmica dos estudantes, marcando um momento de compromisso com a ética, a responsabilidade e o cuidado com a saúde.

 

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

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Ufac realiza aula inaugural do MPCIM em Epitaciolândia — Universidade Federal do Acre

A Ufac realizou a aula inaugural da turma especial do mestrado profissional em Ensino de Ciência e Matemática (MPCIM) no município de Epitaciolândia (AC), também atendendo moradores de Brasileia (AC) e Assis Brasil (AC). A oferta dessa turma e outras iniciativas de interiorização contam com apoio de emenda parlamentar da deputada federal Socorro Neri (PP-AC). A solenidade ocorreu na sexta-feira, 27.

O evento reuniu professores, estudantes e representantes da comunidade local. O objetivo da ação é expandir e democratizar o acesso à pós-graduação no interior do Estado, contribuindo para o desenvolvimento regional e promovendo a formação de recursos humanos qualificados, além de fortalecer a universidade para além da capital. 

A pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Lima Carvalho, ressaltou que a oferta da turma nasceu de histórias, compromissos e valores ao longo do tempo. “Hoje não estamos apenas abrindo uma turma. Estamos abrindo caminhos, sonhos e futuros para o interior do Acre, porque quando o compromisso atravessa gerações, ele se transforma em legado. E o legado transforma vidas.”

 



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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

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Ufac recebe visita da RFB para apresentação do projeto NAF — Universidade Federal do Acre

A Ufac recebeu, nesta quarta-feira, 25, no gabinete da Reitoria, representantes da Receita Federal do Brasil (RFB) para a apresentação do projeto Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF). A reunião contou com a participação da Coordenação do curso de Ciências Contábeis e teve como foco a proposta de implantação do núcleo na universidade.
O reitor em exercício e pró-reitor de Planejamento, Alexandre Hid, destacou a importância da iniciativa para os estudantes e sua relação com a curricularização da extensão. Segundo ele, a proposta representa uma oportunidade para os alunos e pode fortalecer ações extensionistas da universidade.

A analista tributária da RFB e representante de Cidadania Fiscal, Marta Furtado, explicou que o NAF é um projeto nacional voltado à qualificação de acadêmicos do curso de Ciências Contábeis, com foco em normas tributárias, legislação e obrigações acessórias. Segundo ela, o núcleo é direcionado ao atendimento de contribuintes de baixa renda e microempreendedores, além de aproximar os estudantes da prática profissional.

Durante a reunião, foi informada a futura assinatura de acordo de cooperação técnica entre a universidade e a RFB. Pelo modelo apresentado, a Ufac disponibilizará espaço para funcionamento do núcleo, enquanto a receita oferecerá plataforma de treinamento, cursos de capacitação e apoio permanente às atividades desenvolvidas.

Como encaminhamento, a RFB entregou o documento referencial do NAF, com orientações para montagem do espaço e definição dos equipamentos necessários. O processo será enviado para a Assessoria de Cooperação Institucional da Ufac. A expectativa apresentada na reunião é de que o núcleo seja integrado às ações de extensão universitária.

Também participaram da reunião o professor de Ciências Contábeis e vice-coordenador do curso, Cícero Guerra; e o auditor fiscal e delegado da RFB em Rio Branco, Claudenir Franklin da Silveira.



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