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Atacado por Bolsonaro, Cacique Raoni contra-ataca anunciando aliança com movimento extrativista do Acre e outros

Folha de São Paulo, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Líderes indígenas dizem temer genocídio e apoiam cacique Raoni, atacado por Bolsonaro.

Manifesto lido ao fim de encontro em Mato Grosso condena políticas do governo e rechaça projeto de lei que permite mineração em terras protegidas.

Foto de capa: O líder indígena Raoni durante manifestações de estudantes pelo clima, em Bruxelas, na Bélgica.

Rubens ValenteBruno Santos
TERRA INDÍGENA CAPOTO-JARINA (MT)

Rodeado por caciques caiapós, Raoni estica a borduna na “casa dos guerreiros”, uma construção de madeira com telhado de palha e chão batido na aldeia Piaraçu, na Terra Indígena Capoto-Jarina, em Mato Grosso.

Ele discursa ao microfone: “Homem que se chama Bolsonaro, aproveita seu mandato porque minha luta é de uma vida inteira”.

Nesta semana, o cacique reuniu por cinco dias cerca de 600 indígenas de 45 etnias diferentes na aldeia caiapó, perto do rio Xingu, para defender a união do movimento indígena contra as políticas de Bolsonaro.

Indígenas participam nesta sexta (17) do último dia de encontro com lideranças na aldeia de Piraçu, às margens do rio Xingu, em Mato Grosso
Indígenas participam nesta sexta (17) do último dia de encontro com lideranças na aldeia de Piraçu, às margens do rio Xingu, em Mato Grosso – Bruno Santos/Folhapress.
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Em manifesto lido nesta sexta-feira (17) ao final do evento, os indígenas afirmaram que está em curso “um projeto político do governo brasileiro de genocídio, etnocídio e ecocídio” e rechaçaram projeto de lei formatado pelo governo para permitir mineração e outros empreendimentos mesmo sem a aprovação dos indígenas —o texto ainda será enviado ao Congresso Nacional.

Bolsonaro conversa com índios Makuxi da reserva Raposa Serra do Sol (RR), ao sair do Palácio da Alvorada. Presidente defende a exploração de terras indígenas e tem interesse no terreno em RR, especialmente pelo seu potencial mineral. Pesquisa Datafolha, no entanto, mostra que a maioria absoluta dos brasileiros é contrária a essa política

Bolsonaro conversa com índios Makuxi da reserva Raposa Serra do Sol (RR), ao sair do Palácio da Alvorada. Presidente defende a exploração de terras indígenas e tem interesse no terreno em RR, especialmente pelo seu potencial mineral. Pesquisa Datafolha, no entanto, mostra que a maioria absoluta dos brasileiros é contrária a essa política

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“Nós não aceitamos garimpo, mineração e arrendamento em nossas terras, não aceitamos madeireiros, pescadores ilegais, hidrelétricas, somos contra tudo aquilo que destrói nossas florestas e nossos rios. Escrevemos esse documento como um grito, para que nós povos indígenas possamos ser escutados pelos três Poderes da República, pela sociedade e pela comunidade internacional”, diz o manifesto lido no evento.

O encontro também foi uma demonstração de força de Raoni, várias vezes citado por lideranças jovens e idosas como o mais importante representante dos indígenas do país.

Bolsonaro afirmou que Raoni não representa os índios do país e passou a inflar outros nomes sem histórico no movimento indígena.

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Ao mesmo tempo, o governo esvazia, segundo os índios, a saúde indígena e a Funai (Fundação Nacional do Índio).

Na aldeia Piaraçu, as lideranças indígenas reunidas por Raoni – incluindo Sônia Guajajara, Célia Xakriabá e Alessandra Munduruku– discutiram uma reação à política bolsonarista.

Coube ao sobrinho de Raoni, Megaron Txucarramãe, dar o tom dos próximos passos dos caiapós.

“Nós temos que reforçar, temos que impedir esse projeto [da mineração]. […] Preparar flecha, vamos preparar porque ele [Bolsonaro] vai querer botar Força Nacional, vai querer botar Polícia Federal, vai botar polícia para jogar pimenta na nossa cara. Mas temos que ir preparados.”

O enáuenê-nauê Kawaili Koll exortou a plateia: “Vamos nos preparar, vamos fazer flechas, bordunas. Ele, Bolsonaro, acha que índio é criança”.

Em uma entrevista coletiva, contudo, Raoni procurou abrandar o discurso.

“Esse encontro não é para planejar uma guerra, um conflito. Estamos aqui para defender nosso povo, nossa causa, nossa terra. Eu quero pedir mais uma vez que o ‘homem branco’ nos deixe viver em paz, sem conflito, sem problema. Eu nunca faria um encontro para atacar alguém. Estamos nos reunidos aqui para nos defender”, disse o caiapó, em tradução de Megaron.

“Vamos pedir para Bolsonaro respeitar nossos direitos. Se não respeitar, vamos pedir para os países da Europa e outros países para nos ajudar. É isso que temos que fazer”, disse Megaron.

Na quarta-feira (15), durante o encontro, Raoni anunciou uma aliança com o movimento extrativista do Acre, posando para imagens ao lado de uma das filhas do líder ambientalista Chico Mendes, assassinado em 1989, Ângela Mendes, e de Sônia Guajajara, da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

O cacique Raoni (de cocar amarelo), a líder indígena Sonia Guajajara (de cocar azul) e Ângela Mendes (de branco), filha de Chico Mendes, posam para foto durante encontro nas margens do rio Xingu, em Mato Grosso – Bruno SantosFolhapress.

 

Em oposição a Raoni, a presidência da Funai, ocupada hoje por um delegado da Polícia Federal, decidiu desprezar o evento, ao não enviar nenhum representante e depois dizer, numa rede social, que o encontro era uma iniciativa “totalmente privada”, sem esclarecer que o governo comparece a vários fóruns de agropecuaristas, empresários e industriais.

À Folha Raoni disse que procurou pessoalmente, em Brasília, o órgão responsável pela política indigenista: “Eu tentei falar com o presidente da Funai e, como era período de recesso, então eu não consegui e fui ter contato com o assessor substituto dele para que comparecesse aqui nesse evento. Mas até agora não tive resposta e não tive presença dele nesse evento”.

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Cinco réus acusados de matar casal em Rio Branco são ouvidos em audiência de instrução

G1AC, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Audiência de instrução que ocorre na 1ª Vara do Juri, na manhã desta sexta-feira (7).

capa: Casal foi morto em janeiro deste ano em bairro de Rio Branco — Foto: Arquivo pessoal.

Os cinco réus acusados do assassinato do casal de namorados Tereza da Silva Santos, de 64 anos, e Cosmo Ribeiro Moura, de 43, no dia 16 janeiro deste ano são ouvidos em audiência de instrução que ocorre na 1ª Vara do Juri, na manhã desta sexta-feira (7).

A informação foi confirmada pela vara e também pelo advogado Armyson Lee, que representa Marciano de Melo Marinho. O advogado preferiu não comentar o caso e apenas afirmou que acredita da impronúncia do cliente dele.

A audiência começou por volta das 10 horas desta sexta e ocorre por meio de vídeoconferência.

Além de Marciano Marinho, os outros acusados são Antonio Eliel de Sousa Gomes, Jefersson Almeida da Silva, Alisson Souza de Olinda e Francisco Almeida da Silva. O processo está em segredo de Justiça e G1 não conseguiu contato com os advogados dos réus até última atualização desta reportagem.

Relembre o caso

A casa das vítimas, no bairro Belo Jardim, região do Segundo Distrito de Rio Branco, foi invadida e os dois foram assassinados a tiros e golpes de facão. O duplo homicídio foi descoberto quando o vizinho viu o carro do casal em cima da calçada, foi olhar, encontrou as vítimas e acionou a polícia.

Tereza era sogra da ex-secretária da Fazenda do Acre Semírames Plácido Dias. Na época do crime, o governo do Acre chegou a publicar uma nota lamentando a morte do casal e afirmou que os órgãos de segurança estariam empenhados para prender os suspeitos.

Motivação do crime

Após quase três meses de investigações, a Polícia Civil concluiu o inquérito da morte do casal.

Em entrevista exclusiva ao G1 em abril deste ano, o delegado responsável pelo caso, Martin Hessel, afirmou que a motivação do crime foi porque a vítima Cosmo Ribeiro Moura confrontava a facção que atuava no bairro por não aceitar as determinações da organização criminosa.

Inicialmente, a polícia suspeitou que o crime tinha ocorrido durante uma tentativa de assalto e que teria sido um latrocínio. Mas, essa hipótese foi descartada e ficou confirmado que o casal foi vítima de uma execução.

Suspeitos

Ao todo, seis suspeitos foram indiciados pelo crime de duplo homicídio com as qualificadoras: motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e pelo crime de integração a organização criminosa.

Entre os seis indiciados, segundo o delegado, um seria o mentor do crime, o outro teria autorizado e os outros quatro foram os executores. Cinco suspeitos estão presos e um segue foragido.

Um sétimo suspeito também estava na lista dos que seriam indiciados pelo crime, mas, ele foi morto durante uma tentativa de assalto a uma chácara no último dia 25 de março.

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Sítios arqueológicos são aterrados em fazenda de presidente da Federação da Agricultura do Acre

G1AC, via Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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Patrimônios culturais, geoglifos foram aterrados para plantio de grãos. Iphan acionou MPF e a Justiça Federal para apurar o caso. Proprietário da fazenda afirmou que o aterro foi um ‘acidente’.

capa: Antes e depois dos geoglifos serem aterrados — Foto: Arte G1.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acionou o Ministério Público Federal e a Justiça Federal após descobrir que sítios arqueológicos, onde estão três geoglifos , na Fazenda Crixa II, na cidade de Capixaba, interior do Acre, foi aterrado durante o processo de plantio de grãos. A propriedade pertence ao presidente da Federação da Agricultura do Acre, Assuero Veronez.

Os geoglifos são estruturas milenares escavadas no chão com formas geométricas que surpreendem pela precisão e são protegidos por lei federal. Apenas no Acre já foram descobertos mais de 800 sítios arqueológicos. O estado é o que tem mais número de geoglifos no país.

Imagens de satélites divulgadas pelo Iphan mostram a área antes e depois do plantio, com os geoglifos aterrados.

À Rede Amazônica Acre, o superintendente do Iphan, Jorge Mardini, explicou que o proprietário da fazenda tinha conhecimento do sítio e foi alertado sobre os cuidados. O órgão descobriu a irregularidade após receber uma denúncia anônima.

“Para nossa surpresa, na pandemia, veio uma denúncia de que o sitio foi alvo de destruição pelo processo de aragem do solo para plantação de milho. A gente está com uma portaria impedindo de fazer fiscalização, então, tivemos que acionar Brasília. A presidente do órgão teve que mandar uma carta para o ministro, que liberou em caráter de urgência para a gente fazer a fiscalização e agora estamos em processo de fazer o embargo da obra”, destacou.

‘Acidente’

Ao G1, o dono da fazenda Crixa II, Assuero Veronez, justificou que o aterro foi um ‘acidente’ no processo de aragem para o plantio. Segundo ele, os tratoristas não observaram a estrutura no chão e fizeram o aterro.

“Quando cheguei lá já tinha acontecido. O Iphan identificou e estou me colocando à disposição para ver o que pode fazer em uma situação dessa. Se houver a possibilidade de reparar o dano, restaurar não sei se é possível, mas vou ficar sob o comando `s orientação dele. Foi um acidente, fugiu do meu controle”, argumentou.

O empresário afirmou que chegou a alertar a equipe responsável pelo trabalho sobre a existência do geoglifo, mas que a informação foi esquecida na hora do processo. Nesta sexta-feira (7), Veronez disse que vai até a fazenda com equipes do Iphan para uma fiscalização.

“O processo foi feito há um ano, mais ou menos. Sei da importância e do significado que tem o patrimônio arqueológico, embora o Acre tenha mais de 800 formações e muito material para ser pesquisado, mas a lei é a lei e não é porque tem 800 que se pode destruir algum. Não posso fazer nada fora da lei”, alegou.

Obra é embargada

Além de pedir o embargo da obra, a superintendência do Iphan afirmou que vai também elaborar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o empresário.

“Depois do embargo tem as sanções descritas na lei. Vamos fazer o embargo porque tem que paralisar, vai ter que fazer um termo de ajustamento de conduta, tem toda uma formalidade que vamos ter que fazer”, concluiu Mardini.

Colaborou Quésia Melo, da Rede Amazônica Acre.

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