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Bancos querem limite maior para emprestar ao setor público – 17/03/2025 – Mercado
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2 anos atrásem
Idiana Tomazelli
Bancos públicos querem ampliar o limite para conceder empréstimos a estados e municípios, num momento em que esse tipo de crédito tem registrado forte expansão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Instituições financeiras como a Caixa Econômica Federal estão próximas do limite de exposição ao setor público, determinado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para evitar riscos ao sistema financeiro nacional.
A resolução 4.995 de 2022 prevê que as instituições observem o limite de 45% do chamado patrimônio de referência para o montante de operações de crédito com o setor público. Os contratos com garantia formal da União em caso de inadimplência ficam fora do cálculo.
Ao encostar no teto, o banco tem duas opções: parar de emprestar a esse público ou destacar uma parte equivalente de seu patrimônio para fazer frente à operação. Essa última é pouco atrativa, pois tira capacidade de alavancar um volume maior de financiamentos para outras categorias de clientes, em modalidades diversas.
A Caixa informou à Folha que os empréstimos concedidos pelo banco ao setor público representavam, em dezembro, 41,49% do seu patrimônio de referência —patamar já próximo do limite.
Folha Mercado
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A instituição não indicou o tamanho do espaço ainda disponível para novas concessões de financiamento a esse público. Mas, considerando o patrimônio de referência de R$ 136,2 bilhões apurado em 31 de dezembro de 2024, segundo as demonstrações financeiras do banco, é possível estimar uma margem de cerca de R$ 4,8 bilhões.
“O percentual apresentado pela Caixa encontra-se dentro dos limites regulatórios e é considerado adequado, permitindo a continuidade de seus negócios junto ao setor público”, disse em nota.
No ano passado, a Caixa puxou o freio na concessão de financiamentos a entes públicos sem garantia da União. Após liberar R$ 6,3 bilhões a municípios nessa modalidade em 2022 e outros R$ 10,4 bilhões em 2023, as contratações ficaram em apenas R$ 215,3 milhões em 2024, segundo dados informados ao Banco Central.
O pleito de flexibilização do limite é capitaneado pela ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento), entidade que representa os integrantes do Sistema Nacional de Fomento.
O diretor-executivo da ABDE, André Godoy, afirmou que o tema já foi discutido com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e seus secretários, com representantes do Banco Central e também com o Ministério do Planejamento e Orçamento. Os três órgãos têm assento no CMN. A reunião mais recente, com o BC, ocorreu na terça-feira (11), ainda sem uma resposta formal sobre o tema.
Segundo Godoy, há vários modelos possíveis para flexibilizar a norma, como aumentar o percentual de 45% ou afastar a aplicação do limite em caso de operações carimbadas para fins específicos, como ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
O Ministério do Planejamento disse não comentar eventuais pautas do CMN. A Fazenda afirmou que as perguntas sobre o tema deveriam ser direcionadas ao Banco Central. Procurado, o BC não respondeu à reportagem.
Segundo a ABDE, outras instituições também seriam beneficiadas pela ampliação do limite, como o BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerias) e o BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul).
“Algumas instituições chegaram no limite. Banco do Brasil não, porque retomou isso [operações com o setor público] com força agora. BNDES tampouco. Agora, Caixa sim, o BDMG sim, o BRDE. Todos os outros, se não estão perto, estão administrando [suas margens para novas operações]”, afirmou Godoy.
Segundo ele, a flexibilização nesses casos seria ainda mais relevante, pois são instituições que operam linhas acessadas por pequenos municípios, que têm menores condições de estruturar projetos e firmar contratos com grandes bancos.
“Os municípios menores vão ficando em situação mais fragilizada, por assim dizer. Quem toma crédito tem mais capacidade de financiamento, até mesmo pelos regramentos do Tesouro, aí tem o IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] mais alto, é um ciclo perverso”, disse.
Para o executivo, ampliar o limite ou permitir exceções seria crucial para manter a operação de instituições com maior capilaridade e que atendem aos municípios considerados mais frágeis.
O pedido de flexibilização, porém, é visto com reservas por representantes do mercado financeiro. Além de significar maior exposição dos bancos a um mesmo perfil de cliente, a medida permitiria a continuidade do novo ciclo de forte liberação de crédito a estados e municípios, que já injetou cerca de R$ 100 bilhões nos dois primeiros anos da atual gestão de Lula.
Godoy afirmou que a mudança não representaria riscos adicionais às instituições, uma vez que as operações continuariam sujeitas às políticas de crédito de cada banco. “É um crédito super-responsável, até porque essa é a carteira mais sólida dos bancos, com menos risco, com menos default [não pagamento]”, disse.
Procurado, o BDMG informou que as operações do órgão com o setor público representam cerca de 75% do limite estipulado. “O BDMG entende que, em função das políticas de crédito bem delineadas e da robustez dos limites prudenciais praticados, tem potencial de ampliar sua atuação junto ao setor público”, disse.
“As prefeituras recorrem aos bancos de desenvolvimento para financiar projetos estratégicos, e, neste contexto, há uma demanda crescente por esse tipo de atuação”, acrescentou. A instituição tem forte atuação em cidades mineiras e afirmou ser o único agente financeiro a operar em 300 pequenos municípios do estado.
O BRDE informou que sua carteira com o setor público (R$ 1,25 bilhão) equivale a 27,4% de seu patrimônio de referência e que há um espaço adicional em torno de R$ 800 milhões para novas operações.
“Independentemente da situação atual em termos de espaço para ampliar a carteira de operações com o setor público, o BRDE deverá acompanhar, por uma questão institucional, a posição da ABDE sobre o tema”, disse a instituição.
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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
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9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
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8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
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2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
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