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Bicicletas x carros: reação após primeiro-ministro de Ontário ameaça destruir ciclovias em Toronto | Canadá

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Leyland Cecco in Toronto

ÓNa maioria dos dias, a maneira mais lenta de viajar pelo centro da cidade Toronto é de carro. Ciclistas passam e pedestres lançam olhares maldosos para veículos presos nos engarrafamentos da cidade. Para quem está ao volante, qualquer coisa pode provocar frustração e raiva.

No mês passado, Doug Ford, o primeiro-ministro de Ontário, chocou os moradores da maior cidade do Canadá quando prometeu destruir três das ciclovias da cidade “que são absolutamente insanas neste momento”.

A medida, vista como um momento dramático de exagero do governo, provocou uma reação violenta por parte dos ciclistas e das autoridades municipais, e levantou questões mais amplas sobre o futuro dos carros – e das bicicletas – nos grandes centros urbanos.

mapa

O conselho municipal de Toronto votou 21-4 para se opor a um projeto de lei provincial que concederia a Ontário o poder de bloquear ciclovias planejadas que removem uma faixa de trânsito. A província promessa de destruir infraestrutura instalada recentemente custaria US$ 48 milhões (US$ 34 milhões), de acordo com um relatório da cidade esta semana. A cidade também votou 22-3 contra o pagamento de qualquer remoção de ciclovias de acordo com o projeto de lei e está explorando desafios legais.

“Destruir nossas estradas piorará nosso congestionamento, especialmente durante o período em que você estiver destruindo-as. É caro e tornará as nossas estradas menos seguras para os ciclistas”, disse a prefeita de Toronto, Olivia Chow, aos repórteres.

O ministro provincial dos transportes, Prabmeet Sarkaria, afirma que o plano compensará os 11 mil milhões de dólares canadenses que Toronto perde anualmente devido ao congestionamento do tráfego.

Mas os críticos dizem que o governo não produziu quaisquer dados que sugiram que as três faixas – na Bloor Street, na Yonge Street e na University Avenue – estão a causar mais atrasos do que a construção de estradas ou edifícios, que muitas vezes se espalham por ruas movimentadas. Em vez disso, dizem eles, o primeiro-ministro, que desloca Bloor, baseou a controversa política em provas anedóticas.

“Ele está se desviando das falhas e dos escândalos de seu governo”, disse Albert Koehl, advogado ambiental e autor de Wheeling Through Toronto. “Ele e outros estão presos no trânsito porque há muitas pessoas sozinhas em seus carros e eles estão tentando fazer dos ciclistas bodes expiatórios. É um absurdo.”

Christine Hogarth, membro conservador progressista da legislatura da província, apoiou a medida de Ford, dizendo que a oposição às ciclovias em seu distrito eleitoral, que abrange partes ocidentais da Bloor Street, é “diferente de tudo que já vi” em quase três décadas de política .

Hogarth, que admite não ser ciclista, disse que a questão é da competência da Câmara Municipal, que aprovou os projetos por esmagadora maioria.

“É uma questão da cidade. Mas chega um ponto em que não é possível ter tantas pessoas se opondo a alguma coisa. O trânsito em Toronto é ruim e a remoção das faixas para automóveis só piora as coisas. Alguém teve que intervir”, disse ela.

Uma ciclovia em Toronto. Fotografia: RJ Johnston/Toronto Star/Getty Images

Hogarth argumentou que os residentes que desejam se mover rapidamente por ruas de tráfego intenso como Bloor deveriam usar a rede de metrô.

“Não deveríamos criar engarrafamentos adicionais para os motoristas nessas estradas que deveriam movimentar motoristas. Existem estradas vicinais, estradas mais seguras, para as pessoas andarem de bicicleta. A realidade é que deveria haver ciclovias em algumas ruas e talvez não em outras.”

Numa recente manhã de novembro, ambas as faixas de um trecho do centro da Bloor Street estavam congestionadas com veículos de passageiros, enquanto uma série de bicicletas e ciclomotores elétricos passavam em alta velocidade pela ciclovia. Naquela noite, houve uma cena semelhante: os ciclistas moviam-se livremente enquanto os motoristas lutavam por centímetros.

“Nenhuma dessas pessoas que sugerem ruas laterais pode apontar para um mapa e dizer onde seria uma boa ideia mover essas ciclovias maiores”, disse David Shellnutt, advogado que representa ciclistas feridos. “Quando você tira as pessoas das estradas principais, você está pedindo às pessoas – em seus trajetos, no caminho para a escola, no caminho para fazer compras – que sigam a rota panorâmica. E isso simplesmente não vai acontecer.”

Cidades europeias avançaram com a infraestrutura para bicicletascom Paris ostentando 315 km de ciclovias exclusivas em 2021, um número que aumentou desde então. Na América do Norte, as principais cidades dos EUA também avançaram com suas próprias expansões de ciclovias.

Mas Ford defendeu a posição de que o notório congestionamento de Toronto poderia ser atenuado por mais autoestradas e ruas mais largas, e fez deste argumento uma parte fundamental da sua próxima candidatura à reeleição. Entre outros planos, a Ford prometeu, de forma controversa, construir um túnel sob a rede rodoviária mais movimentada da província.

“Se se tratasse realmente de congestionamento, se se tratasse de custos e de manter as pessoas seguras e saudáveis, então todas as evidências estão aí para apoiar as ciclovias. Mas como não há provas reais, podemos ver que é apenas política – e isso funciona muito bem para o primeiro-ministro”, disse Shellnutt. “A reação negativa dos moradores do centro da cidade não lhe custará votos. E vai bem nos subúrbios, por isso é uma situação em que todos ganham.”

Para os ciclistas, os custos do debate são altíssimos: este ano, seis pessoas morreram na cidade. Cinco das mortes ocorreram em ruas sem ciclovias. No sexto, uma jovem morreu quando uma ciclovia foi bloqueada por uma lixeira de construção, forçando-a a entrar no trânsito. A cidade afirma que 28 pessoas foram mortas na última década e 380 pessoas ficaram “gravemente feridas”. Quase 70% das colisões ocorreram em estradas sem infraestrutura cicloviária “segura”.

“As ciclovias são criadas após anos de tomada de decisões baseadas em dados. Eles são instalados porque pessoas morreram”, disse Koehl, ressaltando que grande parte da rede da Bloor Street foi o resultado de quase duas décadas de planejamento e debate. “Para um primeiro-ministro simplesmente chegar e dizer: ‘Não gosto disso. Vou desfazer isso’ – isso é um problema.”

Por vezes, o debate tornou-se desagradável, reflectindo um ressentimento crescente entre os utentes das estradas. Hogarth disse que nunca recebeu tantos e-mails “raivosos e ameaçadores” sobre qualquer assunto.

“As pessoas me dizem que esperam que eu sofra um acidente de carro e morra. Talvez eles não percebam que meu irmão mais novo foi morto por um carro”, disse ela. “Nós também somos pessoas. Queremos apenas que as pessoas estejam seguras.”

Mas os ciclistas temem que as suas vidas estejam em risco quando são empurrados para o trânsito.

“A Ford está alimentando as chamas desta guerra cultural. E tememos que isso se espalhe pelas estradas”, disse Shellnutt. “Você verá um ataque veicular. Você verá incidentes de violência no trânsito. Realmente parece que há um alvo nas costas dos ciclistas nesta cidade. O primeiro-ministro está fazendo política com a nossa segurança.”

Este artigo foi alterado em 18 de novembro de 2024 para corrigir o nome do partido Conservador Progressista.



Leia Mais: The Guardian

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Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

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Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

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Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

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2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



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Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

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Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



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