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Bolsa Família desincentiva autonomia dos mais pobres – 15/11/2024 – Laura Machado

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A ausência de serviços produtivos que incluam os mais vulneráveis no mercado de trabalho, aliada a uma frágil regulação das bets, tem sido muito danosa para a sociedade brasileira. Infelizmente, o Bolsa Família em vez de premiar quem consegue um trabalho, está punindo e desincentivando a busca pela autonomia dos mais vulneráveis.

No atual desenho do programa, no cenário de uma família composta por um casal de adultos, caso um dos membros do casal encontre um emprego de um salário-mínimo acrescido de 50 centavos, o aceite do emprego novo implica a perda completa do Bolsa Família.

Não existe uma regra de transição gradativa e que incentive os beneficiários a se incluírem no mercado de trabalho de forma amigável e com segurança. Idealmente, gostaríamos que os beneficiários que declaram que querem trabalhar e não estão conseguindo recebam um prêmio real por ter conseguido o emprego novo e que tenham tanto um apoio para a qualificação profissional, orientação para ter bons resultados no trabalho e uma saída segura e gradativa do programa.

Ao retirar o Bolsa Família de quem consegue trabalho geramos insegurança que é reforçada por não termos uma rede de cuidado com o trabalhador: para acesso a microcrédito, qualificá-lo profissionalmente, ensinar a valorizar o seu produto de forma a aumentar o seu valor e favorecer sua comercialização, entre outros.

Hoje, transferimos renda, gerando um alívio da pobreza, mas somos abruptos na saída do programa sem cuidarmos da inserção dos beneficiários no mercado de trabalho através de uma transição gradativa e segura. A consequência desse desenho é termos uma redução da taxa de ocupação dos mais vulneráveis, entre os 10% mais pobres, saímos de uma taxa de ocupação de 54% em 2001 para 24% em 2023, uma gigantesca redução.

Um exemplo anedótico é um motorista que fazia frete com um caminhão, teve problemas financeiros e vendeu o caminhão para pagar suas dívidas. Ao perder o veículo, perdeu a sua fonte de renda e agora vive graças ao Bolsa família. Qual foi a resposta do Estado? Entregar o benefício —um grande primeiro passo. No entanto, não apoiamos a elaboração de um novo plano para a compra de outro veículo ou qualquer outro projeto que apoie as habilidades de trabalho que ele já tem como tornar-se motorista de aplicativo, por exemplo. Nos falta o projeto de (re)ascensão social para a classe mais vulnerável.

Em paralelo a essa ausência de projeto de (re)ascensão social, temos um histórico enorme de combater jogo do bicho, cassinos e outras práticas danosas, como o cigarro e a bebida alcoólica. No verso do cigarro é obrigatório que tenha uma foto nada amigável com uma mensagem explicando as consequências ruins e verdadeiras que podem acontecer com quem optar pelo consumo. Onde está a foto com a explicação para as bets? Na contramão do cigarro, temos diversas propagandas e vídeos no YouTube e Instagram, apresentando esses jogos como um caminho para ascender socialmente.

Talvez, ao jogar, os mais vulneráveis estejam revelando um desejo de ir além da transferência de renda: o de ascender. Infelizmente, acabam sendo vítimas da ausência de regulação do setor, especialmente da ausência de regulação da propaganda. Ainda com o agravante dessa população ter raríssimas oportunidades de lazer. A política adequada seria dar clareza sobre o real caminho para ascender no Brasil e de regular o setor de forma a adequar a mensagem à realidade que se impõe. Afinal, algo que é ruim para o pobre é ruim para todo mundo.


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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre

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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose-interna.jpg

A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.

Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.

A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.

“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).

A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.

“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”

A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.

Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.

 



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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre

 

A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.

A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.

O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.

O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.

Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.

 



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Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre

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A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.

A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.

Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.

A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.

O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”

O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”

A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.

 



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