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Bolsa Família: Nem trabalho formal garante porta de saída – 11/01/2025 – Mercado

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Douglas Gavras

Após ser despedida de um restaurante por estar grávida, Ingrid Evangelista de Lima, 32, não tinha saída. “Fiquei sem emprego, foi bem difícil. Fiquei parada por mais de um ano, e o Bolsa Família era tudo que eu tinha para sustentar a minha filha mais velha e a bebê”, conta.

Quando sua filha mais nova completou sete meses, a moradora de Diadema, na Grande São Paulo, entrou no programa Frente de Trabalho e hoje atua como auxiliar de limpeza em um Cras (Centro de Referência de Assistência Social) com um contrato de dois anos.

O salário mínimo que recebe vai para aluguel, luz, internet e outras despesas da casa, mas o Bolsa Família ainda a ajuda nos gastos com medicamentos e alimentação. “O benefício era a garantia de comprar fraldas para a minha filha, já o emprego atual me abriu a cabeça para muitos outros sonhos. Agora, quero prestar concurso.”

Ainda que estejam trabalhando, 10,06 milhões de brasileiros entre 16 e 59 anos são beneficiários do programa Bolsa Família e se encontram em situação de pobreza ou extrema pobreza, sendo que 1,19 milhão deles têm emprego formal.

O grupo de beneficiários com carteira assinada inclui trabalhadores domésticos formais, aprendizes, estagiários, militares ou servidores públicos.

São 6,86 milhões dos trabalhadores nessa situação que atuam por conta própria, como autônomos ou fazendo bicos. Os demais (2 milhões) são trabalhadores temporários em áreas rurais, domésticos sem carteira e outros informais.

Os dados mais recentes, de novembro de 2024, são do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, e foram compilados pela consultoria Kairós Desenvolvimento Social.

Em todas as categorias, quem não declara trabalho pode pertencer a famílias em que outros membros estejam trabalhando. Também, na mesma família, pode haver mais de uma pessoa trabalhando.

O número de beneficiários em situação de pobreza ou de extrema pobreza que não recebem salário ou sem trabalho declarado era de 16,1 milhões (61,5%).

“O total de trabalhadores corresponde a mais de 38% das pessoas nessa faixa etária que recebem Bolsa Família e estão em situação de pobreza ou extrema pobreza, demonstrando que trabalhar, mesmo com carteira assinada, não é necessariamente uma ‘porta de saída’ do benefício assistencial”, afirma Elvis Cesar Bonassa, diretor da Kairós.

O especialista reforça que não existe uma porta de saída única do programa, já que há um conjunto de questões que provocam a vulnerabilidade.

Especificamente na melhora da geração de renda, é possível encontrar maneiras de tornar o trabalho informal mais rentável, como o empreendedorismo de base comunitária, com cooperativas de uma mesma comunidade em torno de uma atividade econômica viável com apoio de um programa público.

“Um outro caminho é se a gente conseguisse fazer o programa de Aprendizagem funcionar para os mais vulneráveis, o que hoje não acontece plenamente”, entre outras ações, diz.

Ele destaca o número de 1,77 milhão de trabalhadores rurais temporários, que vivem em extrema pobreza ou pobreza e estão em famílias que precisam do benefício. Os dados disponíveis não especificam se esse trabalho temporário é registrado ou não. “E esse é um grupo submetido a uma extrema exploração do trabalho”, diz.

“É uma vida de incertezas, a gente consegue algo durante a safra da cana-de-açúcar, mas depois, tem de se virar com o que aparecer, e os salários que oferecem são sempre baixos”, conta Cleusa Assis, 39, trabalhadora rural em Pernambuco.

Parte do Bolsa Família desde 2015, ela relata que é por meio dele que consegue manter a casa quando os adultos da família ficam parados. “Quem fala mal dele é por nunca ter precisado. É pouco, mas vai continuar nos ajudando até que eu consiga uma ocupação mais segura.”

Nas situações às quais o Bolsa Família é destinado, a de extrema pobreza compreende uma renda familiar mensal por pessoa (ou seja, o total de rendimentos dividido pelo número de membros da família) de até R$ 109; a de pobreza, de R$ 109 a R$ 218.

Além disso, há a “regra de proteção”, em que um inscrito de baixa renda consegue emprego ou se torna empreendedor, mas mesmo assim sua renda familiar per capita fica abaixo de meio salário mínimo (R$ 706, em novembro), e a família continua a receber 50% do valor do benefício por um prazo de até dois anos.

De acordo com a Kairós, no grupo de baixa renda, que ainda configura vulnerabilidade, o número de trabalhadores remunerados é de 2,63 milhões e o trabalho formal chega a 1,91 milhão de pessoas.

Somando todas as categorias, portanto, há 3,1 milhões de pessoas com carteira assinada que não conseguem tirar a família da situação de vulnerabilidade.

“Isso mostra que mesmo o salário no emprego formal não cumpre, para essas pessoas, a garantia prevista na Constituição de prover para si e para a família moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e a Previdência Social”, diz Bonassa.

“O que as empresas não pagam como salário, o governo transfere na forma de auxílio. Não deixa de ser indiretamente um subsídio para as empresas. A elevação do salário mínimo é um componente indispensável para criar uma porta de saída real dos benefícios socioassistenciais”, completa.

Auxiliar de cozinha em um restaurante popular de Guarulhos, Maria Nazareth Garcia, 65, encontrou a sua porta de saída. “O Bolsa Família é uma ajuda para quem precisa mais, a partir da hora em que você está trabalhando e consegue se manter, eles cortam. Mas com o que ganho hoje, dá para viver”, diz.

Ela, que atua em uma unidade ligada à prefeitura que serve mais de 600 refeições todos os dias, começou a receber o benefício em 2020, durante a pandemia, e conta que ele a ajudou em um momento de vulnerabilidade.

“Fez muita diferença, consegui também aquela tarifa de energia mais baixa, ajudou bastante a mim, meu filho e meu neto. Agora, que não preciso mais, quero continuar trabalhando.”



Leia Mais: Folha

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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