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Opinião

Bolsonaro e os índios isolados

Editorial do Acre.com.br - Da Amazônia para o Mundo!

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       Sinais dados até agora ameaçam gerar conflitos

Foto de capa: Funai (Fundação Nacional do Índio) filma com drone grupo de índios isolados na Amazônia, na região do vale do Javari. – Adam Mol – acervo/ funai (2017)

 

As notícias que antecedem a posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro, jogam um clima de insegurança sobre a preservação do meio ambiente amazônico, a questão indígena em geral e especialmente sobre a situação dos índios isolados. O eleito parece estar ainda em clima de campanha.

Passada a eleição, é hora de acalmar ânimos. Não cabe ao presidente provocar insegurança jurídica, como está ocorrendo neste momento na Amazônia e particularmente naquelas áreas do Acre e do Amazonas onde se concentra o maior número de referências a índios isolados do Brasil e do mundo.

As declarações de que vai suspender todos os processos de demarcação de terras indígenas e alterar o status constitucional da Funai, de órgão de defesa do direito indígena para uma instituição subordinada ao interesse agrícola, criaram grave instabilidade em um sistema que já é frágil.

Os sinais dados até agora ameaçam gerar conflitos como os que marcaram o passado recente do Brasil, com muitas mortes e até um caso de genocídio.

Já desde que o candidato do PSL foi se revelando viável na campanha eleitoral, iniciou-se uma grande onda de desmatamento. Os levantamentos oficiais feitos por satélites mostram que a queimada de florestas atingiu níveis anteriores a 2008.

No chão, funcionários do Estado brasileiro, Exército, Ibama, Funai e polícias federal e estaduais têm se surpreendido com a velocidade do corte de florestas, ataques a indígenas e às estruturas físicas do Estado. 

Um dado é sintomático da pressa em criar fatos consumados, para servir de base a processos de grilagem: no sul do Amazonas, até mesmo castanhais foram derrubados e queimados, dentro de terras da União. Castanheiras são como cadernetas de poupança da selva, produzindo dinheiro certo a cada estação. Quem corta castanhais revela pressa e desconhecimento da floresta que está destruindo.

O Brasil tem atualmente 114 registros de povos indígenas isolados, com 28 confirmações de suas existências. Essas etnias, todos os estudos apontam, vivem longe de contatos por opção, geralmente por traumas de massacres anteriores.

Por isso, desde 1987, a Funai, como órgão do Estado brasileiro, adotou a chamada “política do não contato”: estabelecimento de bases de vigilância e proteção para que os isolados possam viver em seus territórios sem serem forçados ao convívio que recusam.

Mas, nos últimos anos, o governo brasileiro enfraqueceu a proteção desses grupos. Consequentemente, as áreas de perambulação dos índios, mesmo quando demarcadas, não são eficazes. Pior ainda é a situação dos grupos em terras que ainda não foram demarcadas ou homologadas.

Alguns exemplos:

No ano passado, o noticiário internacional deu conta de um possível massacre de uma tribo, que alguns chamam flecheiros, cometida por garimpeiros ilegais. O fato teria ocorrido no vale do Javari (AM), minha terra, como consequência direta da redução dos orçamentos destinados à proteção, o que provocou fechamento de bases de vigilância na Amazônia.

De acordo com o líder ianomâmi Davi Kopenawa, sua terra vem passando pelo momento mais difícil de sua história recente. Mais de 5.000 garimpeiros a invadiram. Também ali pode ter havido ataque a um grupo isolado.

Um alívio aconteceu desde o último mês de agosto, graças a uma ação efetiva do Exército e o órgão indigenista oficial. Também em Rondônia, invasões à terra Uru-Eu-Wau-Wau, com apoio de políticos locais, ameaçam grupos sem contato com a sociedade envolvente.

Por isso, em abril passado, em Nova York, pedimos ao Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas que nos ajude nos diálogos oficiais com nosso governo como apoio ao esforço para a proteção dos povos isolados.

É urgente que a opinião pública brasileira mostre ao presidente Bolsonaro que é preciso pacificar o campo e respeitar aquelas etnias que ao longo da história não cansam de mostrar o desejo de viver de forma autônoma. Somos um raro país no planeta que pode ter essa oportunidade. Não podemos desperdiçá-la em nome da ambição de uns poucos oportunistas.

Beto Marubo, Folha SP.

Índio da etnia marubo e membro da organização Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari)

Acreanidades

Ex-governador Nabor vem ao Acre e lançará livro autobiográfico em Tarauacá

Blog do Evandro Cordeiro, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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O ex-governador, ex-senador, ex-deputado federal e ex-deputado estadual Nabor Teles da Rocha Júnior, 89 anos, desembarca no Acre dia 31 deste mês de agosto. O homem da carreira política mais longeva no Estado mora em Brasília há mais de duas décadas e vem aqui lançar sua autobiografia. Dia 4 o lançamento da obra será em Tarauacá, sua terra natal, em local e data ainda a confirmar. No dia 6 ele lança em Rio Branco em evento já pré-marcado para a sede da Fieac. Nabor tem uma das carreiras políticas mais promissoras e um dos nomes mais limpos da história do Acre e para o lançamento de sua biografia ele conta com apoio total do MDB local, seu único partido. O deputado federal Flaviano Melo, atual comandante do MDB, vai acompanhar o ex-governador durante toda sua estada no Acre. Amanhã mais detalhe do livro.

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Opinião

Vice-prefeito é acusado de fazer empréstimo para comprar gado em nome de amigo e não pagar

Notícias da Hora, via Acrenoticias.com - Da Amazônia para o Mundo!

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Na mira

O PSB decidiu instaurar processo contra os 11deputados federais que contrariaram o partido na votação da reforma da Previdência. Na próxima quarta-feira será a vez do PDT.

Único

Como o Acre não tem deputado federal pelo PSB (partido da prefeita Socorro Néri), é normal que todas as atenções se voltem para o deputado Jesus Sérgio ( PDT), único parlamentar do Acre que está nesse rolo.

De olho

O PSB não descarta a expulsão de seus infiéis e o PDT está de olho na decisão do PSB para replicá-la.

De olho II

Os dois partidos, entretanto devem esperar o resultado do segundo turno da votação que será em agosto, para tomar a decisão final. Essa também é uma forma de pressionar os parlamentares a seguir as determinações dos partidos pelo menos no segundo turno.

De olho III

Se os deputados do PSB e os do PDT estão sob a observação dos partidos, as siglas por sua vez estão sob a pressão da sociedade. No caso do PDT a incompatibilidade entre a aprovação dessas reformas e as ideias de seus principais expoentes como Leonel Brizola e Darcy Ribeiro é gritante.

Inferno …

Aliás o deputado Jesus Sérgio deve estar atravessando o inferno astral. Além dos problemas com o partido, ainda tem os familiares. 
Hoje o tio dele, Chico Batista de Tarauacá teria uma audiência pesada na justiça.

…astral

Chico Batista, vice-prefeito de Tarauacá, é acusado de ter feito financiamento em nome de Francisco Gomes para comprar gado. Ficou com o rebanho e Gomes com as dívidas e nome sujo em todos os cantos. Até na polícia federal.

Revolta

O caso revoltou e movimentou Tarauacá. Eu conversei por telefone com o senhor Francisco Gomes, que mesmo doente mantém a família e ele me disse que ao contrário de muita gente em Tarauacá, não tem ódio de Chico Batista, só não quer cruzar com ele. Então tá.

Religioso

Seu Francisco Gomes é religioso. Diz que não deseja o mal, mas quer justiça.

Chico

Chico Batista por sua vez, diz que o processo é uma chance de Francisco Gomes se explicar, uma vez que o vice-prefeito o acusou de roubo de gado.

Testemunha

Para a testemunha, Quirino, basta ver quem se deu bem e quem está sem nada, para saber quem foi o enganado.

Sem juiz

A audiência entre os Chicos 😮 Gomes e o Batista, foi adiada para setembro porque não tinha juiz em Tarauacá. Como assim não tinha juiz? Com 8% do orçamento do estado ainda falta juiz? Depois reclamam do apoio popular que tem a Defensoria Pública. Por Angélica Paiva, do Notícias da Hora. 

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