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Brasileiros buscam mais boletos do que investimentos: você é um deles? – 15/10/2024 – De Grão em Grão

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Michael Viriato

Você já percebeu que, para muitas pessoas, pagar um boleto parece mais confortável do que pensar em se aposentar melhor? É como se quitar dívidas fosse mais atrativo do que garantir uma vida tranquila no futuro. Claro, boletos são urgentes, mas será que o futuro também não é? Afinal, viver o presente é importante, mas não é ele quem paga as contas da velhice.

Realizei uma pesquisa no Google Trends sobre o interesse pelos termos: “investimentos”, “financiamento”, “consórcio” e “aposentadoria”. Os resultados foram surpreendentes.

A palavra “aposentadoria” teve uma pontuação média de 37 nos últimos cinco anos, enquanto “investimentos” ficou com 24. Isso já diz muito. As pessoas estão mais preocupadas com o que farão depois de parar de trabalhar do que com o que precisam fazer agora para garantir que esse futuro seja melhor. Estamos sempre pensando no futuro, mas só até certo ponto.

Muitos podem confiar que o INSS vai segurar as pontas, e para alguns isso pode ser suficiente. No entanto, a diferença entre aposentadoria e investimentos é significativa. As pessoas querem se aposentar bem, mas não estão dispostas a pagar o preço agora — o esforço de investir consistentemente. É como querer colher uma fruta sem plantar a árvore. A realidade é que, sem plantar hoje, o fruto do amanhã pode ser bem azedo.

Agora, vamos olhar para “consórcio” e “financiamento”. A pontuação de “consórcio” foi quase igual à de “investimentos”, o que mostra que o brasileiro gosta da ideia de pagar um boleto para adquirir algo, como um carro ou uma casa, mesmo que isso signifique pagar mais caro ao longo do tempo. A lógica aqui é clara: preferimos pagar mais caro por algo palpável e imediato do que por um futuro que parece distante e incerto. Investir é abstrato, e talvez isso afaste as pessoas da ideia de “pagar agora para viver depois”.

E quanto ao financiamento? A pontuação foi mais que o dobro da de investimentos e significativamente maior do que a de aposentadoria. Isso revela uma preferência clara por antecipar sonhos, mesmo que o custo a longo prazo seja alto. A lógica parece ser: “Melhor pagar caro agora e realizar o sonho logo do que esperar e poupar para um futuro incerto”. Quem nunca? Porém, o futuro não se resolve por si só, e essa mentalidade pode comprometer exatamente aquilo que mais desejamos: uma vida tranquila e segura.

Agora, pense comigo: imagine que você tenha a chance de comprar um carro via financiamento hoje ou espere um pouco mais e poupe para comprá-lo à vista. A primeira opção é tentadora, porque te dá a sensação de realização imediata, mas ao final, você terá pago muito mais. O mesmo acontece com a aposentadoria: você pode começar a investir pequenas quantias hoje e garantir tranquilidade lá na frente, ou continuar adiando essa decisão e correr o risco de chegar ao futuro com preocupações e contas para pagar. Olhando nessa perspectiva, o que você escolhe?

Esse comportamento de antecipar sonhos e pagar mais caro no presente reflete o que os dados mostram. Se continuarmos nesse ritmo, muitos podem chegar à aposentadoria sem os recursos necessários, mas com uma longa lista de boletos quitados e bens materiais que custaram mais. O problema é que bens não pagam as contas médicas, não garantem uma boa qualidade de vida na velhice, nem cobrem imprevistos. Pior ainda, esse comportamento pode criar um ciclo de endividamento e estresse financeiro, que afeta tanto o presente quanto o futuro.

Então, o que podemos aprender com esses dados? O dilema é claro: preferimos pagar caro por algo agora ou investir para ter uma vida mais tranquila amanhã? Essa resposta define muito sobre o nosso futuro financeiro. Se o foco está apenas na satisfação imediata, o futuro vai cobrar caro — e sem a possibilidade de parcelar. Mas há uma solução simples: comece a investir pequenas quantias desde já. Pode parecer pouco no início, mas com o tempo, os resultados se acumulam. A aposentadoria tranquila que você sonha não é impossível, ela só exige um pouco de planejamento agora. A decisão está nas suas mãos e seu futuro vai agradecer.

Michael Viriato é assessor de investimentos e sócio fundador da Casa do Investidor.

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Proint realiza atividade sobre trabalho com jovens aprendizes — Universidade Federal do Acre

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Proint realiza atividade sobre trabalho com jovens aprendizes — Universidade Federal do Acre

A Pró-Reitoria de Inovação e Tecnologia (Proint), da Ufac, promoveu um encontro com jovens aprendizes para formação e troca de experiências sobre carreira, tecnologia e inovação. O evento ocorreu em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), em 28 de abril, no espaço de inovação da Ufac, campus-sede.

Os professores Francisco Passos e Marta Adelino conduziram a atividade, compartilhando conhecimentos e experiências com os estudantes, estimulando reflexões sobre o futuro profissional e o papel da inovação na construção de novas oportunidades. A instrutora de aprendizagem do CIEE, Mariza da Silva Santos, também acompanhou os participantes na ação, destacando a relação entre formação acadêmica e experiências no mundo do trabalho.

 



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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

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Professora da Ufac faz visita técnica e conduz conferência em Paris — Universidade Federal do Acre

A professora do campus Floresta, Maria Cristina de Souza, que também é curadora do Herbário em Cruzeiro do Sul, esteve, de 9 a 15 de abril, no Museu de História Natural de Paris, representando a Ufac. Ela conduziu, em francês, conferência sobre a diversidade e a riqueza da região do Alto Juruá e realizou visita técnica, atualizando amostras das coleções de palmeiras (Arecaceae) do gênero Geonoma. As atividades tiveram apoio dos pesquisadores Marc Jeanson, Florent Martos e Marc Pignal.

 



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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

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Artigo aborda previsão de incêndios florestais na Mata Atlântica — Universidade Federal do Acre

O professor Rafael Coll Delgado, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza, da Ufac, participou como coautor do artigo “Interações Clima-Vegetação-Solo na Predição do Risco de Incêndios Florestais: Evidências de Duas Unidades de Conservação da Mata Atlântica, Brasil”, o qual foi publicado, em inglês, na revista “Forests” (vol. 15, n.º 5), cuja dição temática foi voltada aos desafios contemporâneos dos incêndios florestais no contexto das mudanças climáticas.

O estudo também contou com a parceria das Universidades Federais de Viçosa (UFV) e Rural do Rio de Janeiro e foi desenvolvido no âmbito do Centro Integrado de Meteorologia Agrícola e Florestal, da Ufac, como resultado da dissertação da pesquisadora e geógrafa Ana Luisa Ribeiro de Faria, da UFV.

A pesquisa analisa a interação entre clima, solo e vegetação em unidades de conservação da Mata Atlântica, propondo dois novos modelos de índice de incêndio e avaliando sua capacidade preditiva sob diferentes cenários do fenômeno El Niño-Oscilação do Sul. Para tanto, foram integrados dados climáticos diários (2001-2023), índices de vegetação e seca, registros de focos de incêndio e estimativas de umidade do solo, permitindo uma análise dos fatores que influenciam a ocorrência de incêndios.

“O trabalho é fruto de cooperação entre três universidade públicas brasileiras, reforçando o papel estratégico dessas instituições na produção científica e no desenvolvimento de soluções aplicadas à gestão ambiental”, destacou Rafael Coll Delgado.

 



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