NOSSAS REDES

ACRE

Bunkers de Berlim viram galerias, museus e baladas – 20/11/2024 – Turismo

PUBLICADO

em

Lucila Runnacles

No passado, Berlim chegou a ter mais de mil refúgios antiaéreos —um legado pesado que a Segunda Guerra Mundial deixou na cidade. Quase 80 anos depois do fim desse período da história, os alemães agora ressignificam essas cicatrizes.

Os espaços que um dia serviram para proteger a população das bombas foram transformados e ganharam outras funções. Na capital alemã, centenas de bunkers foram destruídos, outros desativados e alguns reconvertidos em espaços de ócio que viraram monumentos históricos, museus, galerias de arte, bares e até mesmo boates.

Passear pela cosmopolita Berlim é quase como pular para dentro de um livro de história. Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade foi muito bombardeada pelos aliados e cerca de 80% da sua infraestrutura foi destruída. No período, quando as sirenes nas ruas tocavam avisando que um bombardeio estava prestes a começar, as pessoas tinham só 15 minutos para correr até um refúgio.

Galeria de arte

Nas esquinas das ruas Reinhard e Albrecht não há placas ou qualquer sinal que avise que dentro desse edifício de cimento, que um dia foi branco, há dezenas de obras de arte. O Sammlung Boros é um bunker berlinense que virou galeria.

Com cinco andares, sem janelas e uma capacidade para abrigar até 2.000 pessoas em caso de bombardeios, esse refúgio foi construído pelos nazistas. Antes de virar galeria de arte, nos anos 1990 foi também lugar de balada techno, o Club Bunker.

Atualmente, três mil metros quadrados e 80 salas exibem a coleção privada de Karen e Christian Boros. Há cerca de 500 obras de arte contemporânea de artistas como Ai Weiwei, Olafur Eliasson ou Alicja Kwade.

Uma curiosidade é que os Boros moram na cobertura do prédio. As visitas guiadas ao museu acontecem de quinta a domingo e custam cerca de R$ 110 por pessoa.

Restaurante e música eletrônica

No badalado distrito Mitte, embaixo de uma ponte, encontramos uma porta. A entrada que fica bem perto da estação Friedrichstrasse é discreta e ninguém poderia imaginar que lá dentro tem muita festa.

O Tausend é uma mistura de bar e restaurante que se transforma em pista de dança de quinta a domingo até às 5h da manhã. Com pratos que custam cerca de R$ 155, locais e turistas matam a fome e se divertem nesse antigo refúgio antiaéreo com as performances de DJs que comandam baladas ao som de tecno e house.

Museu

Em 1942, um refúgio antibomba foi construído ao lado da estação de metrô Anhalter Bahnhof para que viajantes e trabalhadores pudessem se esconder ali dentro. Inicialmente, o bunker foi feito para proteger 3.500 pessoas, mas no fim da guerra chegou a receber até 12 mil.

Hoje chamado de Berlin Story Bunker reúne muitos objetos, fotos, filmes e a mostra “Hitler: Como Isso Aconteceu?”, que conta em detalhes o que foi o Terceiro Reich.

Esse museu é um lugar para aprender, reviver e refletir sobre um dos piores momentos da história do nacionalismo alemão. A entrada custa cerca de R$ 75 e a visita completa dura em torno de 3 horas.

Tour subterrâneo

Muitos refúgios antiaéreos ficavam na parte de baixo das estações de metrô e, graças a associações como a Berliner Unterwelten, hoje é possível visitar um deles.

Descendo as escadas do metrô Gesundbrunnen, ao atravessar uma pesada porta de metal verde, entramos em um labirinto subterrâneo. Banheiros, enfermarias, muitas salas e uma infinidade de corredores protegiam os moradores enquanto as bombas caíam do lado de fora.

Placas, fotos e objetos vão contando uma parte muito importante da história, e os tours em vários idiomas mostram detalhes e curiosidades de como era a vida de quem passou esses anos com medo.

Caminhando por esse mundo subterrâneo, ficamos sabendo qual era a capacidade de cada sala. Os números pintados nas paredes mostram quantas pessoas podiam ficar ali dentro ao mesmo tempo, já que a ventilação era limitada.

“O que muita gente não sabe é que um bunker tem que ser à prova de bombas; já um refúgio, nem sempre”, diz o guia Christian Lutiral, que comanda essa visita há 15 ano. “Muitos civis entravam dentro de refúgios como este pensando que estariam protegidos, mas a proteção era realmente mínima. Depois dos bombardeios todo mundo tinha que sair.”

No tour podemos ver objetos como um capacete de metal que acabou virando um coador ou uma bomba que foi transformada em estufa —afinal de contas, a época de guerra é um período economicamente difícil para muita gente.

Durante o percurso, vemos vitrines que exibem curiosas máscaras de gás que eram vendidas para a população. Os visitantes mais detalhistas podem ver até mesmo os preços desses itens —uma máscara dessas custava o equivalente a R$ 300, uma quantia alta para a época.

Em outras salas encontramos curiosidades como um objeto que parece uma máquina de escrever mas, na verdade, servia para mandar mensagens secretas a outros militares. Ao teclar um número, do outro lado uma letra era impressa.

A Berliner Unterwelten oferece tours em diversos idiomas, mas por enquanto não há nenhum em português. Eles custam cerca de R$ 100 por pessoa e duram ao redor de 1h30.

O estacionamento mais visitado do mundo

Além dos pedaços que continuam em pé do Muro de Berlim, o ex-refúgio do ditador alemão, o Führerbunker, é um dos locais mais visitados da cidade. É um lugar que a Alemanha gostaria que tivesse caído no esquecimento, mas que ironicamente acabou virando um ponto turístico.

O bunker onde Hitler viveu seus últimos meses de vida e onde se suicidou é hoje apenas um estacionamento. O abrigo antiaéreo que ficava embaixo do jardim da Chancelaria terminou de ser construído em 1944 e, depois da guerra, foi totalmente destruído e hoje é um espaço vazio que tem apenas uma placa e um escuro passado.

A oito metros de profundidade, o esconderijo tinha 540 metros quadrados e cerca de 30 salas. Com paredes supergrossas que chegavam a até quatro metros de espessura, o complexo ficava bem próximo dos ministérios de Assuntos Exteriores e de Propaganda. Na verdade, eram dois bunkers: um para os serviços administrativos e burocráticos do ditador e outro para ele e sua esposa.

O esconderijo contava com várias salas, quartos, cozinha e um sofisticado sistema de ventilação o que permitiu que Hitler vivesse vários meses embaixo da terra.

“O bunker de Hitler tinha ventilação e uma forte proteção para resistir aos impactos das bombas. O espaço também contava com energia elétrica própria e abastecimento de água, o que permitia que ele morasse ali dentro. Bem diferente dos refúgios do resto da população que eram lugares só de passagem”, diz Christian Lutiral.



Leia Mais: Folha

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Podcast da Ufac entrevista novo reitor Josimar Ferreira — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

e9759ed7-c6b3-4fc8-af9a-cc571768d53c.jpeg

O canal UfacTV no YouTube transmitiu ao vivo, na quinta-feira, 13, a estreia da terceira temporada do CapiCast, podcast oficial produzido pela Assessoria de Comunicação da universidade. O episódio inaugural trouxe como convidado o professor Josimar Ferreira, que assumiu a Reitoria da instituição para o quadriênio 2026-2030, em uma entrevista conduzida pela apresentadora e assessora de Comunicação Nattércia Damasceno. A solenidade oficial de transmissão de cargo será na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Com a temática geral “Ufac em Perspectiva: Floresta, Conhecimento, Futuro”, a nova temporada busca debater o papel da universidade na transformação social e no desenvolvimento regional, integrando a produção acadêmica à preservação ambiental e às demandas da comunidade acreana.

Durante a conversa, o novo reitor relembrou sua trajetória acadêmica iniciada em 1997, quando ingressou no curso de Agronomia como filho de produtores rurais e enfrentou os desafios do ensino superior na época, como a escassez de transporte e de bolsas de estudo. “Estar no cargo de reitor me faz refletir isso, porque eu sei de onde vim, como se diz, o chão de fábrica, um filho de um produtor rural que, graças ao processo educacional, chega ao maior posto da sua casa.”

Ao tratar das prioridades para os primeiros cem dias de gestão, Josimar antecipou medidas voltadas à reestruturação de serviços e ao diálogo com a comunidade. O primeiro ato administrativo a ser submetido ao Conselho Universitário (Consu) será a revogação das reuniões virtuais, garantindo o retorno das sessões presenciais dos colegiados.

O plano de ação inicial também inclui a retomada dos serviços de xerox para alunos e docentes, o estudo para implantação de reconhecimento facial nas catracas do Restaurante Universitário e o foco na conclusão de obras pendentes, como a passarela da Medicina Veterinária e as instalações do Colégio de Aplicação.

Outro tema abordado foi o compromisso com a inclusão e a equidade. O gestor anunciou que proporá ao Consu a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade, estrutura planejada para centralizar e fortalecer as políticas voltadas aos estudantes indígenas, ao Núcleo de Apoio à Inclusão e aos observatórios sociais da instituição.

Por fim, o fortalecimento da comunicação pública foi apontado como peça-chave para romper os muros da academia e levar o conhecimento científico diretamente à sociedade.

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Josimar Ferreira inicia gestão de 4 anos como reitor da Ufac-reitor-e-vice.jpg

O reitor da Ufac, Josimar Ferreira, reuniu-se com os novos pró-reitores da administração superior para marcar o início da gestão do quadriênio 2026-2030 e tratar das primeiras ações e prioridades a serem tomadas na universidade. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 12, na Reitoria, campus-sede. A sessão solene pública de transmissão de cargo da Reitoria será realizada na sexta-feira, 21, às 17h, no Teatro Universitário.

Josimar afirmou que a eficiência na aplicação dos recursos e a austeridade estarão entre os princípios da gestão. Hoje ele também se reúne com as equipes das áreas de planejamento e administração para avaliar o orçamento disponível para execução das atividades até o fim do ano. “Esse é um princípio que adotamos desde o primeiro dia”, afirmou.

Entre as primeiras medidas anunciadas está a retomada das reuniões presenciais dos conselhos universitários. Segundo o reitor, a mudança será implementada já nesta primeira semana de gestão.

Outra ação prevista é a criação de uma nova pró-reitoria, voltada a ações afirmativas, equidade, gênero e inclusão. De acordo com Josimar, a proposta é colocar essas políticas no centro da estrutura administrativa da universidade e ampliar sua atuação nas políticas acadêmicas.

A nova gestão também dará continuidade ao processo de realização do vestibular do curso de Medicina. O reitor informou que a Ufac já garantiu recursos e iniciará a fase de contratação da empresa responsável pelo certame. A previsão é que as provas sejam aplicadas nas cinco regionais do Acre, com manutenção do bônus regional.

A interiorização também está entre as prioridades apresentadas. A gestão pretende iniciar discussões sobre a ampliação da presença permanente da universidade no interior, incluindo a regional do Purus, em Sena Madureira, e a região de Tarauacá e Envira.

Josimar destacou ainda a intenção de ampliar a aproximação da Ufac com diferentes setores da sociedade. “Queremos aproximar a relação com a sociedade, com o serviço, com o comércio, com a indústria, e com isso fortalecer o nosso tripé, o ensino, a pesquisa e a extensão.”

Integram a nova administração superior a vice-reitora Almecina Balbino; a pró-reitora de Graduação, Danila Torres; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Dionatas Meneguetti; o pró-reitor de Extensão e Cultura, Marco Amaro; a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Aline Nicolli; o pró-reitor de Planejamento, Edcarlos Souza; o pró-reitor de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Thiago Lima; e o pró-reitor de Administração, Tone Roca.

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Proaes lança plataforma para cadastro da assistência estudantil-i.jpg

A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes), da Ufac, oficializou o lançamento do Cadastro da Assistência Estudantil (Caes) nessa terça-feira, 11. A nova plataforma digital foi desenvolvida para reformular o processo de seleção de bolsas e auxílios financeiros da instituição, com o objetivo de reduzir a burocracia, otimizar o fluxo socioeconômico e ampliar o acesso dos acadêmicos aos programas de permanência universitária.

A plataforma já está disponível para acesso e o preenchimento do cadastro poderá ser realizado ao longo do ano de 2026. A transição completa do fluxo de seleção para o novo ambiente digital será concluída para ter validade nos editais previstos para o ano letivo de 2027.

O sistema apresenta interface que se adapta, permitindo o preenchimento e acompanhamento das etapas diretamente por dispositivos móveis, como celulares e tablets. Outra mudança estrutural do Caes é a otimização do formulário socioeconômico, que teve sua extensão reduzida de 14 para 9 páginas. O documento passa a ser pré-preenchido de forma automática com dados cadastrais já existentes nas bases de dados integradas da Ufac, evitando a inserção repetitiva de informações pessoais pelos discentes.

O modelo operacional introduz a aprovação prévia do cadastro socioeconômico, que terá validade mínima de dois anos. Com a homologação efetuada pela equipe de assistentes sociais da Proaes, o estudante integrará um banco de dados unificado, ficando apto a diferentes modalidades de auxílios e bolsas por meio de uma manifestação de interesse digital, sem a necessidade de reapresentar a documentação completa a cada novo edital lançado. Apenas modalidades específicas que demandem comprovações complementares, como o auxílio-creche, exigirão anexos pontuais.

O desenvolvimento da ferramenta durou aproximadamente dez meses e foi viabilizado por uma cooperação técnica entre a Proaes, o projeto WebAcademy, sob coordenação do professor Daricélio Moreira, o Núcleo de Tecnologia da Informação e o corpo de assistentes sociais da universidade, que atuaram na especificação das regras de negócio do software. Três acadêmicos selecionados via edital atuaram diretamente na programação e construção do sistema.

“O Cadastro da Assistência Estudantil vai trazer uma redução na burocracia e a possibilidade de melhorar o acesso dos estudantes aos benefícios da Proaes”, disse o pró-reitor de Assuntos Estudantis, Isaac Dayan. “Temos vários aspectos que ajudam o estudante a ter uma melhor experiência na hora de concorrer, como uma interface intuitiva e a redução da quantidade de páginas do formulário. Acreditamos que será um grande avanço na política de assistência estudantil.”

(Fhagner Soares, estagiário Ascom/Ufac)

 



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS