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Capital não é apenas sobre dinheiro – 18/11/2024 – Michael França
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2 anos atrásem
A democratização do acesso ao ensino superior foi muito mais do que apenas oferecer melhores possibilidades de avanço para aqueles que vieram de baixo. Ela também proporcionou uma oportunidade para aqueles que estão por cima aprenderem mais sobre o Brasil.
Por gerações, parte de nossas elites viveu sem conhecer o próprio país em que nasceram. Viveram sem ver o Brasil em sua essência. Com as universidades mais diversas, seus filhos tiveram, talvez pela primeira vez, a chance de se conectar com um Brasil real, de sentir e entender a realidade de uma nação muito mais complexa do que imaginavam.
No entanto, diante do susto de ver seus filhos obtendo o mesmo diploma que jovens de baixa renda, alguns pais começaram a buscar alternativas no exterior. Enviar seus filhos para obter credenciais em universidades renomadas fora do país tornou-se uma prática relativamente comum.
Essas instituições passaram a ser vistas como refúgios para preservar suas posições de status que, até então, pareciam inatingíveis dentro das fronteiras nacionais. E tais posições não são apenas um reflexo da riqueza inicial. A posse e a transmissão de capital vão muito além do dinheiro.
Como o sociólogo francês Pierre Bourdieu destacou, o capital também inclui os conhecimentos, os modos de comportamento, as conexões interpessoais e os gostos que são socialmente valorizados.
Quando um estudante branco de baixa renda chega a uma universidade, ele pode até trazer consigo talento e vontade, mas logo percebe que muitos dos colegas cresceram rodeados de livros, viagens e conversas que ele nunca teve. Ele não tem menos capacidade, mas terá que correr atrás de experiências que outros já possuem. E essa diferença, que parece pequena, cria uma dinâmica que exigirá dele muito mais esforço para alcançar os mesmos resultados.
Quando um negro da periferia tenta entender certas referências ou piadas no ambiente de trabalho, ele percebe que muitos ao seu redor compartilham experiências culturais ou gostos que nunca fizeram parte de sua realidade. Para ele, isso significa se adaptar a códigos sociais já estabelecidos, onde precisa ler o contexto e encontrar maneiras de se inserir, enquanto outros estão naturalmente à vontade.
Quando uma garota da favela decide sonhar grande, ela logo percebe que, ao contrário de tantos outros, não tem conexões que abrem portas. Ela tem talento. Ela tem determinação. Mas, enquanto alguns conseguem oportunidades por quem conhecem, ela precisa lutar ainda mais para ser, ao menos, notada.
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Essas disparidades de vivências cristalizam o fato de que o capital não se resume ao dinheiro. Ele engloba tudo aquilo que contribui para solidificar a posição de um indivíduo na sociedade, moldando o acesso a oportunidades e o nível de influência que a pessoa exerce.
Frequentemente, outras formas de capital determinam os caminhos de maneira tão poderosa quanto o capital financeiro. Entretanto, suas diferentes manifestações estão interligadas em uma dinâmica em que cada uma reforça a outra, criando uma teia de poder e privilégio que se perpetua entre gerações.
O texto é uma homenagem à música “Cidadão”, composta por Lucio Barbosa, interpretada por Zé Ramalho.
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Estudo indica limitações de conhecimento sobre leishmaniose — Universidade Federal do Acre
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5 dias atrásem
17 de junho de 2026A Ufac é parceira em pesquisa desenvolvida no município de Sena Madureira (AC), a qual identificou limitações no conhecimento sobre a leishmaniose cutânea entre pacientes e profissionais da saúde, além de barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce em áreas rurais endêmicas.
Os resultados do estudo foram publicados, em maio, na revista eletrônica “Acervo Saúde”, vol. 26(5), com o título “Leishmaniose Cutânea na Amazônia Ocidental: Lacunas no Conhecimento e Barreiras de Acesso Assistencial em Áreas Endêmicas”. O artigo tem coautoria de pesquisadores da Ufac.
A pesquisa foi realizada com 50 pacientes com suspeita clínica de leishmaniose cutânea e 51 agentes de saúde, sendo 63% agentes comunitários de saúde e 37% agentes de combate às endemias.
“Em nosso trabalho, identificamos que tanto os profissionais da saúde quanto os pacientes possuem informações limitadas sobre a doença. Conhecer as limitações para acesso ao diagnóstico e tratamento precoce é uma das principais estratégias para a implementação de programas de controle e de educação em saúde que contemplem o perfil epidemiológico e social das populações de áreas endêmicas”, disse o autor do estudo, Leandro Siqueira de Souza, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC).
A região Norte é responsável por mais da metade dos casos da doença no Brasil; o Acre conta com mais de 11 mil casos notificados na última década. Em 2025, os municípios acreanos de Xapuri, Marechal Thaumaturgo, Assis Brasil, Sena Madureira e Brasileia foram classificados pelo Ministério da Saúde como áreas de risco intenso para transmissão da doença.
“A região amazônica é uma área endêmica para a leishmaniose cutânea, uma doença negligenciada que afeta principalmente populações de comunidades tradicionais”, contou o pesquisador Reginaldo Peçanha Brazil, do IOC. “Conhecer as limitações no conhecimento tanto dos pacientes como de profissionais da saúde de áreas endêmicas é fundamental para o sistema de saúde do Estado do Acre e para o controle mais efetivo da doença.”
A investigação integra um projeto de pesquisa coordenado por Brazil. Além da Ufac, são parceiros na pesquisa a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade de Brasília, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Secretaria de Estado de Saúde do Acre.
Pela Ufac, são coautores do artigo os pesquisadores Andréia Luísa Peixinho da Silva Guimarães, Francisca Alana Costa de Souza, Marcos Bruno Zacarias Campelo, Breno Kalyl Freitas Nascimento, Andreia Fernandes Brilhante e Francisco Glauco de Araújo Santos. Os estudos contam com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e apoio de instituições parceiras.
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Ufac e TCE-AC apresentam pesquisa de vitimização em Rio Branco — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
16 de junho de 2026
A Ufac e o Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) realizaram o Seminário de Apresentação da Pesquisa de Vitimização na Cidade de Rio Branco. O evento, que ocorreu nesta terça-feira, 16, no Plenário do TCE-AC, consistiu em exposições e debate no sentido de contribuir para um diagnóstico da segurança pública e para o aprimoramento das políticas voltadas à população.
A pesquisa foi apoiada por emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), destinada em 2025 à Ufac. “Quero agradecer a disponibilidade do senador em ajudar a universidade sempre com emendas necessárias para o desenvolvimento da educação e da pesquisa, com retorno garantido para a sociedade acreana”, disse a reitora Guida Aquino.
O seminário teve como público-alvo a comunidade acadêmica, servidores do TCE-AC e do Ministério Público de Contas do Acre, servidores públicos em geral, gestores da área de segurança pública, justiça criminal e direitos humanos e sociedade civil. A pesquisa buscou compreender como a população percebe a segurança, quais situações de violência e criminalidade afetam os cidadãos e como os serviços de segurança pública são avaliados pelas pessoas.
O trabalho provém do grupo de pesquisa Sujeitos, Ações e Percepções: Estudos em Violência e Conflitualidade, coordenado pelo professor da Ufac, Ermício Sena. Ele informou que os produtos da pesquisa foram banco de dados, mapas descritivos de Rio Branco, relatórios de campo, geral e sintético/executivo.
Em seu discurso, Sena agradeceu aos envolvidos na realização da pesquisa e a Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária no Acre, que foi a intermediária para contratação do Instituto de Opinião Pública para execução da pesquisa.
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Ufac e Fiocruz fazem oficina sobre leishmaniose em Sena Madureira — Universidade Federal do Acre
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6 dias atrásem
16 de junho de 2026A Ufac e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram a oficina Epidemiologia, Vigilância e Controle da Leishmaniose Cutânea. O evento ocorreu em 1 de junho, no auditório do Instituto Federal do Acre, em Sena Madureira (AC), reunindo 110 agentes comunitários de saúde e 20 agentes de combate às endemias.
A programação contou com palestras e discussões sobre aspectos epidemiológicos, clínicos e diagnósticos da doença, abordando ciclos de transmissão, vetores e reservatórios envolvidos na manutenção da chamada “ferida brava”, nome popular da leishmaniose cutânea. Além disso, foram realizadas atividades práticas com o uso de lupas e microscópios, permitindo aos profissionais a observação de características dos vetores e compreensão dos métodos laboratoriais utilizados no diagnóstico da doença.
Com mais de 11 mil casos registrados na última década, o Acre ocupa posição de destaque no cenário nacional da doença. Em 2025, o município de Sena Madureira foi classificado pelo Ministério da Saúde como área de risco intenso para transmissão da leishmaniose cutânea, apresentando média anual de 64 casos.
A oficina integra as atividades do projeto de ensino, pesquisa e extensão EpiLeish-Acre, que na Ufac é coordenado pelo professor Francisco Glauco de Araujo Santos, do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza. Para o pesquisador Leandro Siqueira, do Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz, ações educativas para enfrentar a doença são fundamentais. “Profissionais bem capacitados conseguem orientar de forma mais eficaz a população, contribuindo para o diagnóstico e tratamento precoce”, ressaltou.
O secretário municipal de Saúde de Sena Madureira, Willisson Viana, destacou a relevância das parcerias institucionais. “Buscamos fortalecer parcerias com instituições de referência, como a Fiocruz e a Ufac, que contribuem significativamente para o desenvolvimento técnico das nossas equipes.”
O diretor da Vigilância em Saúde de Sena Madureira, Serginey Amorim, disse que a capacitação fortalece ações de saúde pública. “Com conhecimento atualizado e capacitação contínua, ampliamos a prevenção, melhoramos o diagnóstico precoce e fortalecemos as ações de controle da doença em nosso município.”
A iniciativa foi organizada pelos Laboratórios de Patologia e Biologia Parasitária e de Entomologia Médica, da Ufac, e pelo Laboratório de Pesquisa Clínica e Vigilância em Leishmanioses, da Fiocruz.
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