ACRE
Censura, ajuda com o dever de casa e gatos: usuários do RedNote da China dão as boas-vindas aos ‘refugiados do TikTok’ | Redes sociais
PUBLICADO
2 anos atrásem
Bertin Huynh, Helen Davidson and Amy Hawkins
“É a coisa mais fixe”, diz Huang Ziyan, utilizador de longa data da aplicação de redes sociais chinesa Xiaohongshu, descrevendo a experiência como uma “Torre de Babel do século XXI”.
Huang está se referindo ao influxo de “refugiados TikTok” dos EUA que fogem da proibição iminente e ao resultante intercâmbio intercultural que tem visto os americanos calorosamente recebidos – e às vezes recebendo algumas dicas úteis.
“Eu estava usando esse chapéu verde em um dos meus vídeos e alguns internautas chineses me informaram que em China … é efetivamente um símbolo para transmitir que você é um corno”, diz James Harr, que está entre os que tiveram suas primeiras aulas de chinês logo após mudar do TikTok para o Xiaohongshu.
Harr diz que usar Xiaohongshu foi uma forma de protesto contra o governo dos EUA, mas que “o intercâmbio cultural tem sido incrível de assistir”.
Os usuários também têm ajudado uns aos outros com os deveres de casa, com usuários chineses postando páginas de trabalhos de casa em inglês pedindo ajuda aos novos usuários do aplicativo que falam inglês. Outros pediram aos usuários dos EUA que adicionassem legendas em chinês aos seus vídeos. O aplicativo não possui uma função simples de tradução automática em nenhuma direção.
Depois, há a taxa de entrada exigida dos recém-chegados pelos usuários residentes – fotos de gatos.
O novo usuário ItsNate ofereceu a George Jr, um felino alongado e pendurado, como homenagem, obtendo 100.000 curtidas por seus esforços. “Pagando meu imposto sobre gatos”, disse outro, oferecendo uma foto de seu animal de estimação, além de uma referência irônica às preocupações de segurança de Washington em relação ao TikTok. “Meu espião chinês ainda não entrou em contato comigo, então postei meu gato porque ele deve saber sobre ele.”
Espera-se que o TikTok seja fechado nos EUA no domingo, depois que a empresa chinesa ByteDance foi condenada a vender o aplicativo extremamente popular ou ser banida por motivos de segurança nacional. Em resposta, muitos dos seus 170 milhões de utilizadores nos EUA estão em pânico e à procura de pastagens mais livres.
Ironicamente, muitos acreditam tê-los encontrado no Xiaohongshu, um aplicativo feito, de propriedade e usado principalmente na China, onde está sujeito às restrições rígidas e censuradas do país. Seu nome chinês pode ser traduzido como “livrinho vermelho”, o que lembra o famoso livro de citações do presidente Mao, mas os TikTokkers o apelidaram de RedNote. Em entrevista em 2019, o fundador e CEO de Xiaohongshu, Mao Wenchao, disse que o nome do aplicativo foi inspirado na cor vermelha de sua alma mater, Stanford Business School.
Ao contrário do TikTok, que força os usuários ocidentais a usar a versão internacional de seu aplicativo e mantém seu aplicativo irmão chinês, Douyin, separado, o Xiaohongshu tem uma plataforma para todos usarem, facilitando o encontro online de usuários de diferentes países.
Celebridades também têm migrado para Xiaohongshu, com o mergulhador olímpico britânico Tom Daley e o rapper canadense bbno$ já vistos postando lá. A mãe de Elon Musk, Maye Musk – extremamente popular na China – já era uma usuária com mais de 600 mil seguidores com seu conteúdo de estilo de vida e moda.
As funções de varejo do aplicativo também atraíram criadores de conteúdo como Marcus Robinson, que diz que a proibição iminente o preocupou porque demorou muito para conquistar seguidores no TikTok para sua marca de moda e roupas. Mas ele diz que está “crescendo muito mais rápido” em Xiaohongshu.
‘Eles não descobriram uma maneira de censurar o inglês’
Alguns usuários chineses alertaram os recém-chegados para esperarem que as coisas mudem. As autoridades chinesas da Internet mantêm controlos rigorosos sobre o que pode ser publicado online. Publicar links, nudez, palavrões ou discutir tópicos politicamente sensíveis geralmente resulta na remoção automática do conteúdo ou no banimento do usuário.
“Tudo é uma questão de tempo, dependendo da gravidade das coisas”, alertou Xue Zhao, da província chinesa de Zhejiang. “Sinto que eles ainda não descobriram uma forma de censurar o material em inglês, mas em breve irão alcançá-lo.”
Existem muitos tópicos que habitam uma área cinzenta. Por enquanto ainda existem postagens discutindo notícias falsas, memes sobre espionagem internacional e comparando sistemas de saúde entre a China e a América. Na China de forma mais ampla, as medidas repressivas do governo têm como alvo espaços dedicados a pessoas queer online e na comunidade. O conteúdo relacionado a LGBTQ + é visível em Xiaohongshu, mas houve vários relatos de algumas postagens sendo banidas ou de usuários alertando os recém-chegados para não postarem conteúdo abertamente queer. Feministas na China queixaram-se de que o seu conteúdo foi eliminado da plataforma.
“As plataformas estão preocupadas com a exposição de menores a esse tipo de conteúdo muito cedo, mas proibi-lo completamente não seria justo ou acolhedor para as minorias sexuais”, diz Huang.
Um tipo diferente de aquisição
Embora muitos usuários chineses do Xiaohongshu recebam com satisfação o influxo de usuários não chineses – Huang diz que sua chegada “sem dúvida injetou muita vitalidade e frescor” na comunidade – alguns estão preocupados com a perda de identidade do aplicativo.
Até agora, a base de usuários do Xiaohongshu era predominantemente jovem e feminina, mas a onda de refugiados do TikTok pode mudar isso.
Manjiang, uma criadora de conteúdo chinesa, diz que descobriu que “99% das pessoas são super amigáveis”, mas está preocupada com o 1% que entra no espaço que não é respeitoso, que “espalham estereótipos e nos sexualizam”.
“Recebemos pessoas amigáveis, mas também há uma sensação de que o conteúdo em inglês está dominando”, diz ela.
A tutora de cantonês e criadora de conteúdo, Dra. Candise Lin, diz que Xiaohongshu e sua comunidade não deveriam ter que mudar para acomodar os novos usuários e que muitos – especialmente expatriados – vão para a plataforma para se reconectar com casa.
“Espero que o XHS continue sendo um aplicativo chinês – não há necessidade de falar inglês apenas para que os americanos se sintam confortáveis. Damos as boas-vindas a qualquer pessoa que esteja disposta a falar a nossa língua.”
Relacionado
VOCÊ PODE GOSTAR
ACRE
Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
20 horas atrásem
9 de outubro de 2026Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.
Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.
Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).
Aprendizagem no território
Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.
A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.
Relacionado
ACRE
Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
2 dias atrásem
8 de outubro de 2026A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.
A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.
Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”
O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.
Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.
Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.
A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”
Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.
Relacionado
ACRE
Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre
PUBLICADO
1 semana atrásem
2 de outubro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.
“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.
Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.
A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.
Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48
You must be logged in to post a comment Login