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Christian Slater: Como ator passou de ‘bad boy’ a bom pai – 27/12/2024 – Cinema e Séries

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Alexis Soloski


The New York Times

Em uma manhã de julho, o ator Christian Slater, 55, estava sentado em um banco na marina de Long Beach, fazendo caretas sob o sol da Califórnia. Ele suspirava, franzia a testa, gemia. Parecia um homem enfrentando um terrível dilema moral. Ou como um homem com uma indigestão severa.

Slater estava filmando uma cena para “Dexter: Original Sin”, a mais recente extensão da série de serial killers da Showtime que estreou em 2006 (“Dexter: New Blood” estreou em 2021; “Dexter: Resurrection” será exibido no próximo ano). “Original Sin”, que estreou no Paramount+ em 13 de dezembro, se passa principalmente no início dos anos 1990 e descreve o início da carreira de Dexter Morgan, um analista forense em Miami que elimina serial killers que a polícia não consegue capturar.

Apresenta os mesmos personagens centrais do programa original, embora agora interpretados por atores diferentes e mais jovens, incluindo Slater.

Não é surpresa que Slater tenha se juntado ao universo de “Dexter”. Seu currículo inclui vários assassinos, alguns acidentais e outros absolutamente psicopatas. No final dos anos 1980 e 1990, ele se especializou em papéis sombrios, interpretando personagens anárquicos e irresistíveis em filmes como “Atração Mortal” (dirigido por Michael Lehmann, um dos diretores de “Original Sin”), “Amor à Queima Roupa” e “Um Som Diferente”.

Naquela época, Slater não sabia como se separar de seus personagens. “Eu não tinha uma identidade própria suficiente para realmente ser capaz de separar ou diferenciar entre os dois”, disse ele. “Eu estava me agarrando a qualquer tipo de personalidade que pudesse encontrar.”

Então, essa escuridão também invadiu sua vida pessoal. Houve prisões por acusações de agressão, dirigir embriagado, tentar embarcar em um voo com uma arma na bagagem. A revista Interview uma vez o chamou de “o último bad boy analógico”.

Mas Slater está sóbrio há 19 anos e, na última década, ressurgiu como um ator confiável de televisão (ele até largou a nicotina recentemente, após se encontrar com um hipnotizador que o comediante John Mulaney recomendou). Às vezes, como em um episódio de “Curb Your Enthusiasm”, ele interpreta versões levemente paródicas de si mesmo. Em “Mr. Robot“, “Dr. Death” e agora em “Original Sin”, ele abraçou um novo tipo —o mentor mais sábio e mais velho encontrando uma nova geração de agentes do caos. A angústia moral lhe cai bem.

Slater não interpreta um assassino em “Original Sin”. Ele aparece como Harry Morgan, um policial veterano que tenta manter os impulsos homicidas de seu filho sob controle. Que Slater tenha se transformado de bad boy em bom pai, pelo menos em seu trabalho, é um arco de redenção que levou anos para se concretizar. Slater convence.

“Demora um pouco para virar esse navio”, disse ele meditativamente. “Quanto à forma como a indústria te percebe, isso leva tempo.”

Conheci Slater em Nova York, em uma manhã de outono, cerca de quatro meses após me juntar a ele no set de “Original Sin”. Ele sugeriu um lugar para café da manhã perto de seu apartamento no Upper West Side e, se você é fã de seus primeiros papéis, também teria apreciado o surrealismo gentil de vê-lo conversar com uma garçonete sobre as opções de smoothie e mostrar fotos de seus filhos pequenos (Slater é casado com Brittany Lopez. Ele também tem dois filhos adultos de um casamento anterior, com Ryan Haddon).

No café, ele parecia muito com um pai abastado de Manhattan, mas o suficiente como seu eu mais jovem para que os transeuntes o olhassem através do vidro. Ele tem o mesmo sorriso de bobo, o mesmo brilho nos olhos que é mais como um holofote. Seu jeito era amigável, saudável, excitável da maneira que as crianças são excitáveis. Só Slater sabe o que foi necessário para trazê-lo a este lugar de relativa paz, e ele parece tão surpreso quanto qualquer um.

“Tipo, vou bater na madeira, mas estou muito feliz”, disse ele enquanto esperava por seu smoothie. “Este é um momento tão bom na minha vida. Acho que só tive que passar por todas aquelas outras coisas primeiro.”

Slater não assistiu “Dexter” quando foi ao ar pela primeira vez. Ele descobriu alguns anos depois e sentiu aquela mistura de prazer e inveja que é particular a muitos atores. No original, Harry foi interpretado por James Remar, um ator de caráter que também tem jeito com psicopatas. Remar e Slater não se parecem muito. Mas há uma impulsividade em ambos, uma imprevisibilidade que é especialmente interessante quando está sob controle.

“Não estávamos procurando sósias”, disse Clyde Phillips, que criou “Dexter”. “Estávamos procurando por essências semelhantes. Christian traz isso.”

Slater também trouxe experiência com a mistura de tons —comédia, drama, suspense, terror— que “Dexter” requer. Seu passado, pessoal e profissional, sugeria um conforto com material sombrio. “Talvez com base na minha história, eles foram atraídos por mim”, disse Slater.

Slater ficou intrigado. Ele gostou de como o programa tornava o assassinato em série divertido, como dava um toque perverso a conversas e situações normais. “É bem tortuoso”, disse Slater. “Sim, é louco.” Isso não era uma crítica. E ele apreciou a complexidade moral de Harry, um pai amoroso tentando proteger e nutrir uma criança difícil.

Ainda assim, Slater se preocupava que lhe pedissem para replicar o que Remar havia feito. Lehmann o tranquilizou, usando uma analogia com James Bond. James Bond é sempre James Bond, disse Lehmann, mas cada novo ator interpreta o personagem de maneira diferente. Aparentemente, isso também vale para detetives da Miami Metro.

“Este ainda é definitivamente o Harry”, disse Slater. “Mas é a nossa versão particular.”

“Original Sin” teve algumas cenas externas filmadas em Miami e, depois, em Los Angeles (o que explica por que Long Beach estava servindo de cenário para a Flórida) durante o verão e outono. A maioria das cenas se passa no início dos anos 90, mas algumas se passam nos anos 70, quando Harry encontra Dexter ainda criança. Slater, com a ajuda de uma iluminação muito particular, interpreta esse Harry também.

Foi um pouco estranho se ver como um veterano no set, embora ele tenha tido uma experiência semelhante em “Mr. Robot”, o drama que impulsionou essa nova fase de sua carreira. Seus colegas mais jovens o conheciam de seus primeiros filmes. Então, ficaram surpresos ao encontrá-lo generoso, aberto, à vontade consigo mesmo.

“Ele foi definitivamente mais gregário e amigável e gentil do que eu esperava”, disse Patrick Gibson, que interpreta Dexter em “Original Sin”. No set, em julho, eu peguei Gibson olhando para Slater, que estava de pé sob uma palmeira alta de óculos escuros. “Ele parece muito legal”, murmurou Gibson.

Molly Brown, que interpreta a filha de Harry, Deb, na adolescência, usou uma linguagem semelhante para descrevê-lo. “Ele é um modelo tão legal para se ter”, disse ela. Mas o que mais a impressionou foi o entusiasmo óbvio de Slater.

“Ele não está desiludido, ele não está cansado disso”, disse ela. “Você pensaria que ele era o novato na série e não eu.”

Slater leva seu papel a sério, mas tenta não se levar muito a sério. Ele tem a tendência de cair na gargalhada entre as tomadas. E ele infunde até as cenas mais sombrias com um senso de brincadeira, algo que Sam Esmail, que criou “Mr. Robot”, havia observado. “É apenas parte de quem ele é como pessoa”, disse Esmail. “Ele não pode deixar de infundir essa sensibilidade sardônica e irônica que parece dizer: ‘Ei, estou te convidando para a piada’.”

Slater nem sempre foi do tipo brincalhão. No início de sua carreira, ele disse que acreditava que um ator tinha que sofrer por sua arte. Ele tem crenças diferentes agora. “Há definitivamente um nível mais profundo de compreensão de quem eu sou e do que trago para a mesa”, disse ele. Ele tem compaixão por seu eu mais jovem, aquele bad boy, embora às vezes deseje poder dizer a ele para não ser tão idiota. Como ator e aparentemente como ser humano, ele agora é um adulto.

Quando assumiu o papel de Harry, Slater não viu muitos paralelos entre ele e o personagem. Mas em novembro, logo após o término da temporada, ele reconheceu alguns. Perguntado sobre como descreveria Harry, Slater disse que ele era um bom policial, um bom parceiro, um amigo leal.

“Ele fez algumas escolhas muito questionáveis”, continuou Slater. “Ele cometeu erros, coisas pelas quais sente muita culpa, arrependimento e remorso. E agora ele está tentando se mover para um certo nível de decência.”

Ele fez uma pausa e percebeu que estava descrevendo a si mesmo. “É bom estar tendo a oportunidade de interpretar um personagem onde, minha vida, a vida dele, estamos em uma trajetória semelhante”, disse ele. Então ele não pôde deixar de apertar os olhos e exibir aquele sorriso de malandro. “Eu só não estou criando meus filhos para serem serial killers.”

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

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Herbário do PZ recebe acervo de algas da Dr.ª Rosélia Marques Lopes — Universidade Federal do Acre

O Herbário do Parque Zoobotânico (PZ) da Ufac realizou cerimônia para formalizar o recebimento da coleção ficológica da Dr.ª Rosélia Marques Lopes, que consiste em 701 lotes de amostras de algas preservadas em meio líquido. O acervo é fruto de um trabalho de coleta iniciado em 1981, cobrindo ecossistemas de águas paradas (lênticos) e correntes (lóticos) da região. O evento ocorreu em 9 de abril, no PZ, campus-sede.

A doação da coleção, que representa um mapeamento pioneiro da flora aquática do Acre, foi um acordo entre a ex-curadora do Herbário, professora Almecina Balbino, e Rosélia, visando deixar o legado de estudos da biodiversidade em solo acreano. Os dados da coleção estão sendo informatizados e em breve estarão disponíveis para consulta na plataforma do Jardim Botânico, sistema Jabot e na Rede Nacional de Herbários.

Professora titular aposentada da Ufac, Rosélia se tornou referência no Estado em limnologia e taxonomia de fitoplâncton. Ela possui graduação pela Ufac em 1980, mestrado e doutorado pela Universidade de São Paulo.

Também estiveram presentes na solenidade a curadora do Herbário, Júlia Gomes da Silva; o diretor do PZ, Harley Araújo da Silva; o diretor do CCBN, José Ribamar Lima de Souza; e o ex-curador Evandro José Linhares Ferreira.

 



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VÍDEO: Veja o que disse Ministra em julgamento do ex-governador Gladson Cameli

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No julgamento desta quarta-feira, dia 15/04/2026, a Corte Especial do STJ, por unanimidade, determinou o imediato desentranhamento dos Relatórios de Inteligência Financeira de n°s 50157.2.8600.10853, 50285.2.8600.10853 e 50613.2.8600.10853, a fim de que fosse viabilizada a continuidade do julgamento de mérito da ação penal. A própria Ministra Relatora Nancy Andrighi foi quem suscitou referida questão de ordem, visando regularizar e atualizar o processo. 

O jornalista Luis Carlos Moreira Jorge descreveu o contexto com as seguintes palavras:

SITUAÇÃO REAL
Para situar o que está havendo no STJ: o STF não determinou nulidade, suspensão de julgamento e retirada de pauta do processo do governador Gladson. O STF apenas pediu para desentranhar provas que foram consideradas ilegais pela segunda turma da Corte maior. E que não foram usadas nem na denúncia da PGR. O Gladson não foi julgado ontem em razão da extensão da pauta do STJ. O julgamento acontecerá no dia 6 de maio na Corte Especial do STJ, onde pode ser absolvido ou condenado. Este é o quadro real.

A posição descrita acima reflete corretamente o quadro jurídico do momento.

Veja o vídeo:

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

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Ufac participa de lançamento de projeto na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre

A Ufac participou do lançamento do projeto Tecendo Teias na Aprendizagem, realizado na reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira (AC). O evento ocorreu em 28 de março e reuniu representantes do poder público, comunidade acadêmica e moradores da reserva.

Com uma área de aproximadamente 750 mil hectares e cerca de 500 famílias, a Resex é território de preservação ambiental e de produção de saberes tradicionais. O projeto visa fortalecer a educação e promover a troca de conhecimentos entre universidade e comunidade.

O presidente da reserva, Nenzinho, destacou que a iniciativa contribui para valorizar a educação não apenas no ensino formal, mas também na qualidade da aprendizagem construída a partir das vivências no território. Segundo ele, a proposta reforça o papel da universidade na escuta e no reconhecimento dos saberes locais.

O coordenador do projeto, Rodrigo Perea, sintetizou a relação entre universidade e comunidade. “A floresta ensina, a comunidade ensina, os professores aprendem e a Ufac aprende junto.” 

Também estiveram presentes no lançamento os professores da Ufac, Alexsande Franco, Anderson Mesquita e Tânia Mara; o senador Sérgio Petecão (PSD-AC); o prefeito de Sena Madureira, Gerlen Diniz (PP); e o agente do ICMBio, Aécio Santos.
(Fhagner Silva, estagiário Ascom/Ufac)



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