NOSSAS REDES

ACRE

Circuito Arte não é Privilégio busca ampliar divulgação da arte urbana

PUBLICADO

em

Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil

A extensa programação do Circuito Arte não é Privilégio, concebido pelo Céu – Museu de Arte a Céu Aberto, chega ao segundo dia nesta quarta-feira (20), na capital paulista. O projeto é fomentado pela Bolsa Funarte de Artes Visuais Marcantonio Vilaça 2023 e sua primeira fase se estende até o próximo sábado (23). O museu foi criado pelo produtor cultural Kleber Pagu.

O “artivista” Pagu diz que um dos objetivos do projeto é atrair e aprimorar políticas públicas para esse tipo de linguagem. Além disso, a equipe por trás da iniciativa pretende desmistificar a arte urbana e institucionalizar o acervo que vai sendo alimentado, permitindo que interessados consultem informações sobre as obras e os artistas, algo que pode se perder quando não há registros, pela natureza das inscrições feitas pelas cidades. Um dos cuidados do Céu foi buscar um modelo participativo, em que os artistas apontam aquilo de que precisam para que a catalogação funcione bem e dentro da finalidade de memória e salvaguarda que tem.

Pagu destaca que a marginalização promovida por uma parcela da sociedade diminui o potencial e o valor da arte urbana, algo que o projeto também tenta reverter. Ele diz que uma situação frequente é surgir alguém que cobra dos artistas dessa vertente que aprendam mais, se profissionalizem mais, como quem diz, nas entrelinhas, que não são competentes ou bons o suficiente.

Outro aspecto abordado pelo “artivista”, ligado a tais enfrentamentos, é o caráter político da criação artística e da mobilização coletiva. “Não estamos colorindo por colorir. Nossas cores têm intenção”, afirma Pagu, lembrando que, se a maioria dos brasileiros não frequenta espaços culturais, como cinema e teatro, não terá, muito provavelmente, da mesma forma, a chance de produzir arte.

No primeiro dia de agenda, o multiartista Ciro Schu abriu as portas de seu ateliê, que é apinhado de objetos que recolhe em suas andanças pela cidade ou recebe de presente de amigos que sabem da sua inclinação para usá-los em suas criações. Schu, abreviação de Schunemann, entrou para a cena do grafite na década de 1990 e, desde o princípio, destoou dos demais artistas, inclusive nos quadrinhos, apresentando uma faceta mais sombria.

Uma das obras de Schu foi feita no Presídio do Carandiru, marcado pelo massacre que culminou na morte de 101 detentos, vítimas da polícia. O episódio é um dos relacionados à violência policial mais lembrados em todo o Brasil.

A experiência de anos mostrou a ele que essa atividade que elegeu requer desapego. “É efêmero, porque chuva e sol acabam prejudicando. Pode deteriorar, sujar, cair, alguém vai querer passar e roubar. Isso é normal. Então, quando você vai fazer algo na rua, em ambiente externo, tem que ser desapegado. Pode durar três horas. Você pode fazer hoje e amanhã não estar lá”, diz Schu, exemplificando com uma obra que fez em colaboração com outro artista. Havia orquídeas nela, todas levadas embora por pessoas que circularam pelo local. 

Desde meados de outubro deste ano, o grafite, o cartum, a caricatura e a charge são considerados parte da cultura oficial do país. O reconhecimento foi oficializado pela sanção da Lei nº 14.996/2024.

Fases do projeto

Na primeira e atual fase do projeto, a capital paulista receberá os articuladores culturais Gilmar Satão e Andréia dos Santos, de Brasília, Anderson AC e Juliana Freire, de Salvador, Jean do Gueto e Alan Furtado, de Belém, para uma série de residências artísticas e imersões.

A programação inclui atividades na Funarte e na Casa Mário de Andrade, com a participação de importantes nomes do cenário cultural brasileiro, entre eles, Marcia Tiburi, Jean Wyllys, Moará Tupinambá, Fernanda Bueno, Kleber Pagu, Felipe Morozini, Jey77, além de visitas a instituições parceiras do Museu Céu em São Paulo, como Beco do Batman, Theatro Municipal, Praça das Artes, Museu Afro Brasil Emanoel Araujo e Sesc. Espaços como o Complexo Cultural Funarte São Paulo, Quimera Atelier, Studio A77Lab e Fuso Space receberão participantes de vivências. 

Os articuladores culturais também visitarão a Favela Galeria, a Galeria-Parque Minhocão e a Câmara Municipal de São Paulo — os dois primeiros estão entre os mais de 60 espaços públicos do Projeto de Lei 379/2020, que tramita na Câmara Municipal, que institui a cidade de São Paulo como Galeria de Arte a Céu Aberto. É prevista, para 2025 a realização de três exposições a céu aberto nestas capitais, nos bairros Beiru, em Salvador, Sol Nascente, no Distrito Federal, e Jurunas, em Belém.

Vivências e encontros

Para a quinta-feira (21), está previsto o GT – Curadoria, das 9h às 12h, no Complexo Cultural Funarte São Paulo, que fica na Alameda Nothmann, 1.058, nos Campos Elíseos. Das 13h15 às 14h,  no mesmo local, haverá a Vivência Casa do Grafifiti. A Vivência com Eliseu Gabriel e Sergio Gomes, que vai das 14h30 às 15h30, será na Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jacareí, 100, na Bela Vista. No Beco do Batman, a Vivência com Local Studio está marcada para o horário das 16h15 às 18h15. O endereço é: Rua Medeiros de Albuquerque, 82-154 – Jardim das Bandeiras.

Na sexta-feira (22), a programação prevê Visita ao Museu Afro, das 9h às 11h. O museu fica na Av.enidaPedro Álvares Cabral, s/n, Portão 10, Vila Mariana. Na Praça das Artes, haverá Vivência com Fernanda Bueno – Balé da Cidade, das 13h às 14h30. A Praça das Artes é na Avenida São João, 281, centro histórico de São Paulo. No mesmo local, das 14h30 às 1h, está previsto o GT – Curadoria. No Sesc 24 de Maio, das 18h às 18h45, haverá a Vivência com Nabil Bonduki.

Para sábado (23), as atrações serão a Vivência com Grupo Opni, das 9h às 12h, na Favela Galeria (Rua Archângelo Archiná, 587, Cidade São Mateus, São Paulo), o GT – Curadoria, das 14h às 15h45, no Complexo Cultural Funarte São Paulo, e a Vivência com Marcia Tiburi, das 16h às 17h, no Complexo Cultural Funarte São Paulo.



Leia Mais: Agência Brasil

Advertisement
Comentários

Warning: Undefined variable $user_ID in /home/u824415267/domains/acre.com.br/public_html/wp-content/themes/zox-news/comments.php on line 48

You must be logged in to post a comment Login

Comente aqui

ACRE

Alunas da Ufac criam biblioteca de grafismos do povo Huni Kuin — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Alexandra Deitos e Txima Huni Kuin.jpg

Alunas de graduação e mestrado do campus Floresta da Ufac criaram, em 2024, o projeto Biblioteca de Kene, que reúne tecelagem em algodão, pintura corporal, registros audiovisuais e uma plataforma digital acessível por celular. A iniciativa surgiu do trabalho de conclusão de curso de Txima Huni Kuin, em Licenciatura Indígena, e da pesquisa para a dissertação de Alexandra Deitos no programa de pós-graduação em Ensino de Humanidades e Linguagens.

Txima investigou a tecelagem como expressão dos conhecimentos, da arte e da espiritualidade de seu povo, sob orientação do professor Amilton Pelegrino de Mattos. Alexandra, artista visual e atualmente doutoranda, colaborou na construção do projeto por meio de uma pesquisa de autoria coletiva, desenvolvida com as mulheres da comunidade.

Desse encontro surgiu a proposta de criar um espaço onde os mais de 60 grafismos praticados pelas mulheres pudessem ser consultados, ensinados e aprendidos por jovens e mestras tecelãs. O projeto terá uma nova etapa entre 10 e 16 de outubro, com a realização da 2ª Oficina de Kene da Aldeia Arco-Íris, na terra indígena Seringal Independência, no município de Jordão (AC).

Aprendizagem no território

Durante os sete dias de oficina, mestras tecelãs e jovens aprendizes participarão de atividades de preparação de fios, cantos rituais, aplicação do Bawe e tecelagem de painéis com grafismos. Os processos serão documentados para compor o acervo da biblioteca na aldeia e seu site colaborativo, com gestão do conhecimento pelas próprias mulheres.

A proposta dialoga com a expressão “a universidade é na aldeia”, do professor e pesquisador Yube Huni Kuin, também acadêmico da Licenciatura Indígena da Ufac. A experiência reconhece o território e as práticas da comunidade como espaços de produção e transmissão de conhecimento.

Mestras e aprendizes tecelãs.jpg

A 2ª Oficina de Kene é realizada por Txima Huni Kuin, Alexandra Deitos e pela Aldeia Arco-Íris, com apoio do curso de Licenciatura Indígena, da Fundação de Cultura Elias Mansour, do governo do Acre, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e do governo federal.

//www.instagram.com/embed.js



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac sedia encontro regional sobre residência e preceptoria no SUS — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no SUS (2).jpg

A Ufac sediou o 2º Encontro Regional do Projeto de Desenvolvimento da Gestão de Programas de Residência e da Preceptoria no Sistema Único de Saúde (SUS). O evento ocorreu nesta quinta-feira, 8, no anfiteatro Garibaldi Brasil, campus-sede, e reuniu profissionais e representantes de instituições de saúde para a apresentação dos resultados de sete projetos de intervenção desenvolvidos ao longo de dois anos de formação.

A iniciativa é promovida pelo Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o Ministério da Saúde, no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS, com participação da Ufac.

Para o reitor Josimar Ferreira, cerca de 80% das atividades dos residentes são realizadas nas unidades de saúde. Ele ressaltou o compromisso da gestão com a valorização dos profissionais que atuam na formação dos residentes. “Temos desenvolvido uma política para que os nossos preceptores possam participar dos nossos programas de pós-graduação, de forma a ter vagas garantidas para sua qualificação também.”

O encontro marcou a apresentação dos projetos de intervenção dos cursos de especialização em Gestão de Programas de Residência em Saúde e Educação na Saúde para Preceptores no SUS. Os trabalhos abordaram temas como formação e avaliação de preceptores, definição de perfis de competências, saúde mental dos residentes, reestruturação curricular e melhoria dos processos de trabalho nos serviços de saúde.

Segundo a coordenadora da Residência Multiprofissional Integrada em Saúde da Família e Comunidade da Ufac, Mariane Ribeiro, as iniciativas buscam qualificar tanto a formação dos residentes quanto as atividades desenvolvidas nos campos de prática. “Esses resultados que temos hoje proporcionam uma integração com o ensino, serviço e a comunidade, porque também têm um retorno para o usuário”, disse.

Para a representante do Hospital Sírio-Libanês e facilitadora de ensino e aprendizagem, Célia Márcia Birchler, a conclusão dos cursos representa uma etapa de um trabalho que deve continuar nas instituições de saúde. “Toda vez que fazemos um movimento de fortalecimento dos programas de residência, na realidade estamos falando de um processo de qualificação do SUS”, afirmou.

A presidente da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), Sóron Angélica Steiner, disse que a formação estimula mudanças na organização do trabalho e no atendimento da população. “Essa força motriz que faz com que o serviço ande de acordo com a formação é o que faz com que o gestor seja provocado a melhorar o ambiente de trabalho, o fluxo de serviço.”

Também participaram da mesa de honra do encontro o presidente do Conselho Estadual de Saúde do Acre, Osvaldo de Souza Leal Júnior; e Pedro Henrique Macedo Leitão, representando o secretário municipal de Saúde de Rio Branco, Rennan Biths.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

ACRE

Ufac faz cerimônia de entrega de diplomas médicos do Revalida — Universidade Federal do Acre

PUBLICADO

em

Nathalia Oliveira, Ufac 2026.10.02.jpeg

A Ufac realizou a cerimônia de entrega da revalidação de diplomas médicos expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras, referentes à edição 2025.2 do Revalida. O Núcleo de Registro e Controle Acadêmico (Nurca) relaciona 67 certificados disponíveis para retirada. O ato ocorreu nesta sexta-feira, 2, no Nurca, campus-sede, e contou com a participação do reitor Josimar Ferreira.

“É inédito para nossa universidade fazer um ato que representa a entrega dos diplomas”, disse Josimar. Ele ressaltou a rapidez com que o processo foi concluído pela equipe do Nurca e pediu aos médicos que retribuam à sociedade com ética e acolhimento no atendimento, além de afirmar que a entrega demonstra o papel da universidade no reconhecimento daqueles que se formaram fora do Brasil.

Segundo o diretor do Nurca, Lucas de Araújo Moura, a Ufac realiza revalidações há alguns anos, mas as entregas dos certificados aconteciam de forma avulsa. Ele explicou que a proposta do ato simbólico foi atender os profissionais e valorizar o momento vivido por eles e por suas famílias. Os documentos são entregues juntamente com os originais apresentados pelos interessados, que devem assinar o termo de recebimento do certificado de revalidação.

A médica Nathalia Bragança de Oliveira, que recebeu o diploma revalidado 30 dias após dar entrada no processo na Ufac, disse ter escolhido a universidade pela organização e pelo prazo de entrega. “Foi muito rápido, um processo muito organizado também, desde o momento do início até agora.” Ela relatou que foi recebida com atenção pela equipe, que explicou todas as etapas do procedimento, disse esperar ingressar no mercado de trabalho e atender os pacientes com cuidado.



Leia Mais: UFAC

Continue lendo

MAIS LIDAS