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Colômbia revive drama da guerra e recorre à Venezuela – 23/01/2025 – Mundo
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Mayara Paixão
O drama humanitário que ocorre há uma semana no nordeste da Colômbia reavivou as cenas do conflito contra as guerrilhas, levou o governo a dizer que ali estariam sendo cometidos crimes contra a humanidade e fez o presidente, Gustavo Petro, buscar a ajuda do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.
O conflito que assola a região de Catatumbo, próxima do território venezuelano e onde há uma das maiores reservas de coca (matéria-prima da cocaína) no mundo, serviu como um dramático lembrete da paradoxal relação entre Petro, ele próprio um ex-guerrilheiro, e o herdeiro de Hugo Chávez (1954-2013).
Disputas armadas entre integrantes do ELN (Exército de Libertação Nacional) e de um grupo dissidente das antigas Farc, o Frente 33, deixaram nos últimos dias de 60 a 80 pessoas mortas, muitas delas civis.
Mais de 36 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, a maioria delas em caravanas terrestres e fluviais rumo a regiões nas quais ainda há relativa paz ou mesmo ao país vizinho, a Venezuela, que numa triste ironia é a origem da maior diáspora hoje na América Latina. Há pelo menos 1.600 colombianos refugiados do lado venezuelano.
Relatos feitos ao jornal local El Espectador dão conta de que famílias campesinas inteiras estão escondidas na floresta por receio de retornar a seus lares ou ir a um abrigo e entrarem no fogo cruzado.
O conflito é o pior desde que se firmaram os acordos de paz em 2016, um dos mais graves das últimas décadas e um risco, entre outras coisas, para o possível recrutamento de mais homens jovens pelos guerrilheiros. A situação arrisca implodir os diálogos que Petro vem tentando travar em sua estratégia de “paz total”.
Ele anunciou que decretará “comoção interior” em Catatumbo, uma forma de estado de exceção que permite ao governo tomar decisões de forma mais acelerada e emitir decretos com força de lei sem necessidade de aprovação do Congresso. A medida é válida inicialmente por até 90 dias e fica sob supervisão da Corte Constitucional.
Se a situação por si só já não fosse delicada, há o elemento da fronteira e o “timing” —um dos mais sensíveis para Petro. O líder de esquerda eleito e empossado em 2022 não reconheceu a eleição de Maduro (mas tampouco vitória do opositor Edmundo González) e fez críticas bem mais vocais às violações de direitos humanos na Venezuela do que o presidente Lula (PT), no Brasil, por exemplo.
Petro adotou uma diplomacia pragmática, pisou em ovos e disse que não queria romper com a Venezuela. Foi o seu governo, aliás, o que reabriu a fronteira entre os países, catapultando o comércio fronteiriço.
Ao anunciar nesta quinta-feira (23) que tem dialogado com Maduro para chegar a uma estratégia conjunta com o objetivo de combater a violência em Catatumbo, chamou-o de “aquele que exerce a Presidência na Venezuela”, evitando assim reconhecê-lo.
O X da questão mora do fato de o ELN, a última guerrilha marxista com uma agenda política até hoje em vigor, ter se tornado uma força com atuação binacional. A Venezuela serve de retaguarda para os líderes da organização e, não à toa, um dos Estados garantidores dos acordos que Petro tentava costurar e que agora estão congelados.
Um dos principais estudiosos das dinâmicas do ELN, Jorge Mantilla, doutor em criminologia pela Universidade de Illinois Chicago explica que a dinâmica de binacionalização da guerrilha começou nos anos 2000, ápice da ação de paramilitares colombianos que, sob o argumento de combater o grupo, estigmatizaram as comunidades locais e cometeram violência em larga escala. A Venezuela virou refúgio.
“A partir de 2015, quando fecham a fronteira Colômbia-Venezuela, o ELN se torna um ator determinante porque passa a controlar todas as passagens ilegais: controlavam o contrabando de gasolina, de carne, de drogas, além dos imigrantes que fugiam da Venezuela”, diz.
“Ou seja, o ELN se converte em um ativo de negociação. Quanto mais distantes ou deterioradas estejam as relações entre os Estado ou os governos colombiano e venezuelana, mais próxima será a relação de Caracas com o ELN, porque lhe será útil para controlar social e economicamente a fronteira e para incidir na agenda colombiana de maneira importante, como tem sido feito exatamente agora.”
Aferrado ao poder, mas marginalizado pela comunidade internacional, Nicolás Maduro tem dito que uma de suas prioridades agora é a paz na Colômbia. Enviou seu ministro do Interior, Diosdado Cabello, um dos nomes mais fortes do chavismo, para a fronteira, onde apareceu em fotos entregando mantimentos para os deslocados.
A sorte do destino bateu à porta de Maduro, diz Mantilla. “Isso ajuda o regime a migrar a tensão que está no tema eleitoral e de autoritarismo para uma tensão na fronteira, e também o ajuda a mitigar a pressão internacional que Petro poderia exercer.”
A Colômbia está a pouco mais de um ano de eleições nacionais para o Executivo. O primeiro presidente de esquerda da história do país não está em um cenário confortável: em dezembro passado, segundo a consultoria Invamer, sua aprovação era de somente 34% da população.
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Ufac lança projeto voltado à educação na Resex Cazumbá-Iracema — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026A Ufac lançou o projeto de extensão “Tecendo Teias de Aprendizagem: Cazumbá-Iracema”, em solenidade realizada nesta sexta-feira, 6, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. A ação é desenvolvida em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema.
Viabilizado por meio de emenda parlamentar do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), o projeto tem como foco promover uma educação contextualizada e inclusiva, com ações voltadas para docentes e estudantes da reserva, como formação em metodologias inovadoras, implantação de hortas escolares, práticas agroecológicas sustentáveis e produção de um documentário com registros da memória cultural da comunidade.
A reitora Guida Aquino destacou a importância da iniciativa. “É um momento ímpar da universidade, que cumpre de fato seu papel social. O projeto nasce a partir da escuta da comunidade, com apoio fundamental do senador Petecão, que tem investido fortemente na educação.” Ela também agradeceu o apoio financeiro para funcionamento da instituição. “Se não fossem as emendas, não teríamos fechado o ano passado com energia, segurança e limpeza garantidas.”
Petecão frisou que o investimento em educação é o melhor caminho para transformar a realidade da juventude e manter as comunidades nas reservas. “Não tem sentido incentivar as pessoas a deixarem a floresta. O mundo todo quer conhecer a Amazônia e o nosso povo quer sair de lá. Está errado. A reserva Cazumbá-Iracema é um exemplo de paz e organização, e esse projeto pode virar referência nacional.”

Ele reafirmou seu apoio à universidade. “A Ufac é um patrimônio do Acre. Já destinamos mais de R$ 40 milhões em emendas para a instituição. Vamos continuar apoiando. Educação não tem partido.”
O pró-reitor de Extensão e Cultura, Carlos Paula de Moraes, explicou que a proposta foi construída a partir de escutas com lideranças da reserva. “O projeto mostra que a universidade pública é espaço de formulação de políticas. Educação é direito, não mercadoria.” Ele também defendeu a atualização da legislação que rege as fundações de apoio, para permitir a inclusão de moradores de comunidades extrativistas como bolsistas em projetos de extensão.
Durante o evento, foram entregues placas de agradecimento à reitora Guida Aquino, ao senador Sérgio Petecão e ao pró-reitor Carlos Paula de Moraes, além de cestas com produtos da comunidade.
A reserva extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema possui cerca de 750 mil hectares nos municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, com 18 escolas, 400 estudantes e aproximadamente 350 famílias.
Também participaram da mesa de honra o coordenador do projeto, Rodrigo Perea; o diretor do Parque Zoobotânico, Harley Araújo; o chefe do ICMBio em Sena Madureira, Aécio dos Santos; a subcoordenadora do projeto, Maria Socorro Moura; e o estudante Keven Maia, representante dos alunos da Resex.
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Grupo de pesquisa da Ufac realiza minicurso sobre escrita científica — Universidade Federal do Acre
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6 de fevereiro de 2026O grupo de pesquisa Elos: Estudos em Economia, Finanças, Política e Segurança Alimentar e Nutricional, da Ufac, realiza o minicurso Escrita Científica em 12 de fevereiro, em local ainda a ser definido. A ação visa proporcionar uma introdução aos fundamentos da produção acadêmica. A carga horária do minicurso é de duas horas e os participantes receberão certificado. As inscrições estão disponíveis online.
Serão ofertadas duas turmas no mesmo dia: turma A, às 13h30, e turma B, às 17h20. A atividade é coordenada pela professora Graziela Gomes, do Centro de Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas.
A metodologia inclui exposição teórica e atividades práticas orientadas. A atividade abordará técnicas de citação, paráfrase, organização textual e ética na escrita científica, contribuindo para a redução de dificuldades recorrentes na elaboração de trabalhos acadêmicos e para a prevenção do plágio não intencional.
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Ufac realiza formatura de alunos do CAp pela 1ª vez no campus-sede — Universidade Federal do Acre
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30 de janeiro de 2026A Ufac realizou a cerimônia de certificação dos estudantes concluintes do ensino médio do Colégio de Aplicação (CAp), referente ao ano letivo de 2025. Pela primeira vez, a solenidade ocorreu no campus-sede, na noite dessa quinta-feira, 29, no Teatro Universitário, e marcou o encerramento de uma etapa da formação educacional de jovens que agora seguem rumo a novos desafios acadêmicos e profissionais.
A entrada da turma Nexus, formada pelos concluintes do 3º ano, foi acompanhada pela reitora Guida Aquino; pelo diretor do CAp, Cleilton França dos Santos; pela vice-diretora e patronesse da turma, Alessandra Lima Peres de Oliveira; pelo paraninfo, Gilberto Francisco Alves de Melo; pelos homenageados: professores Floripes Silva Rebouças e Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti; além da inspetora homenageada Suzana dos Santos Cabral.

Guida destacou a importância do momento para os estudantes, suas famílias e toda a comunidade escolar. Ela parabenizou os formandos pela conquista e reconheceu o papel essencial dos professores, da equipe pedagógica e dos familiares ao longo da caminhada. “Tenho certeza de que esses jovens seguem preparados para os próximos desafios, levando consigo os valores da educação pública, do conhecimento e da cidadania. Que este seja apenas o início de uma trajetória repleta de conquistas. A Ufac continua de portas abertas e aguarda vocês.”

Durante o ato simbólico da colocação do capelo, os concluintes reafirmaram os valores que orientaram sua trajetória escolar. Em nome da turma, a estudante Isabelly Bevilaqua Rodrigues fez o discurso de oradora.
A cerimônia seguiu com a entrega dos diplomas e as homenagens aos professores e profissionais da escola indicados pelos concluintes, encerrando a noite com o registro da foto oficial da turma.
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